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Economia

Por debaixo dos panos

A lavagem de dinheiro de negócios ilegais envolve em todo o mundo mais de 800 bilhões de dólares por ano, calculam especialistas. As investigações e buscas internacionais, contudo, não conseguem reprimir esse fluxo.

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Sujeira que a água não limpa...

Os encontros do Grupo de Trabalho de Combate à Lavagem de Dinheiro (FATF, Financial Action Task Force), como o que acontece em Berlim de 16 a 20 de junho, praticamente já se tonaram rotina. Subordinado à OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) e com sede em Paris, o FATF divulga uma "lista negra", um dos meios a que recorre para exercer pressão sobre países que não cooperam no combate à lavagem de dinheiro, ou só o fazem de forma relutante.

Paraísos fiscais contra a parede

No caso de Liechtenstein funcionou a pressão do G-7, o grupo das 7 principais nações industrializadas: depois que o principado se viu na lista negra do grupo, acusado de ser um dos locais preferidos por mafiosos e demais criminosos financeiros, aumentou incrivelmente a disposição dos calados banqueiros do país a cooperarem com as autoridades. Os bancos e administradores de bens passaram a comunicar com maior freqüência suas suspeitas de que algum cliente possa estar lavando dinheiro de negócios sujos ou ser um dos financiadores do terrorismo.

Assim, a Unidade de Inteligência Financeira (FIU) de Liechtenstein registrou um aumento de 30% das denúncias de casos suspeitos, em 2002, em relação ao ano anterior. Porém, o chefe da FIU, Michael Lauber, admite que isso não indica um acréscimo dos crimes de lavagem, tendo antes a ver com a maior cautela reinante agora nos círculos bancários. O FATF resolveu recompensar essa resposta positiva e eliminou o principado europeu da lista negra, em junho do ano passado.

Dinheiro quente de São Petersburgo

O que os especialistas não entendem é que a Rússia também tenha sido cortada da lista em outubro de 2002. "Eu pessoalmente não vou tirar a Rússia da minha lista pessoal de lavagem de dinheiro", ressalta um policial que prefere ficar no anonimato.

Na Alemanha, causou sensação o caso da São Petersburgo Imóveis e Participações S.A. O serviço secreto alemão e a Justiça acreditam que a consultoria financeira com ações negociadas na bolsa desde 1997 tenha servido de fachada para lavar os milhões da máfia de São Petersburgo. O promotor David Ryan Kirkpatrick parte do princípio de que um montante de mais de 20 milhões de euros tenha sido lavado em Mörfelden-Walldorf, no Estado alemão de Hessen. O que dá uma nota especial à questão é a conotação política: o presidente russo Vladimir Putin, ex-prefeito de São Petersburgo, foi conselheiro da firma até o início de 2000.

Trasferências orientais

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Há apenas estimativas do montante lavado anualmente pelo crime financeiro, representando máfias, sonegadores e o tráfico de drogas

É especialmente difícil comprovar o fluxo de recursos para financiamento das atividades terroristas. Principalmente quando os terroristas são provenientes dos países islâmicos. O que facilita as transações é um esquema de casas de câmbio e transferências ilegais, chamado hawala, usado há décadas pelos muçulmanos. Udo Ulfkotte, especialista em terrorismo, explica como ele funciona. "Uma transferência hawala ocorre com o emprego mínimo de papel e não é arquivada por meios eletrônicos em nenhum lugar. Quem quiser enviar dinheiro de Berlim a Islamabad pode escolher entre uns dez cambistas ilegais no bairro de Kreuzberg, que funcionam legalmente como joalheiros, lanchonetes ou lojas de artigos de segunda mão."

O processo é simples. O dinheiro vai para um cofre e o cliente recebe uma senha com uma seqüência de números e letras, que é transmitida então a uma outra agência em Islamabad. O destinatário vai a ela de forma anônima e recebe o dinheiro, bastando para isso mencionar a senha correta. Todos saem ganhando com o sistema: o cliente economiza as altas taxas de transferência bancária, o comerciante de Berlim ganha uma comissão que não precisa declarar à Fazenda e seu sócio no Paquistão ganha com o câmbio.

Financiando o terror

Para a Interpol e demais órgãos policiais e judiciais, a questão se complica mais ainda, pois organizações islâmicas como a Hisbollah ou os talibãs do Afegnistão financiam suas atividades terroristas através do comércio de drogas. Cerca de 80% do total de dinheiro lavado no mundo provém do tráfico de drogas, estima o Office for Drug Control and Crime Prevention, das Nações Unidas. E enquanto for possível ganhar bilhões de dólares com drogas nos Estados Unidos e na Europa Ocidental, a lavagem de dinheiro continuará sendo um bom negócio.

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