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Alemanha

Por acaso, mas nem tanto

Em entrevista à DW-WORLD, presidente da Toyota Motorsport explica por que a equipe da montadora japonesa é a única a fabricar seu carro de Fórmula-1 na Alemanha e contratou dois pilotos brasileiros para a temporada 2003.

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Os carros da Toyota são construídos em Colônia

Apesar de toda sua tradição automobilística, tanto industrial quanto esportiva, a Alemanha não possui sequer uma equipe de Fórmula-1. Mercedes e BMW até estão engajadas na elite do automobilismo mundial, mas como fornecedoras de motores para as escuderias McLaren e Williams, respectivamente. Uma participação que não dá direito a execução do hino nacional alemão quando um carro da equipe chega em primeiro. A melodia executada nestes casos – ultimamente raros diante da supremacia italiana através da Ferrari – é sempre a inglesa.

John Howett - President of Toyota Motorsport GmbH

John Howett, presidente da Toyota Motorsport

Enquanto os motores alemães movimentam carros fabricados do outro lado do Canal da Mancha, a Toyota disputa a Fórmula-1 com veículos made in Germany. DW-WORLD quis saber por que e entrevistou John Howett, presidente da subsidiária de automobilismo do grupo japonês, a Toyota Motorsport, com sede em Marsdorf, um bairro na periferia de Colônia.

O executivo inglês de 50 anos tem metade de sua vida dedicada à montadora. Começou na equipe de rali. Depois exerceu vários cargos nas áreas de vendas e marketing da filial européia da Toyota. Desde 1º de janeiro, está de volta às atividades esportivas do grupo, desta vez como presidente. Na entrevista Howett deixa claro que hino tocará em caso de vitória de um carro teuto-japonês num grande prêmio.

DW-WORLD: Por que a Toyota escolheu a Alemanha como sede para sua equipe de Fórmula-1?

Howett: Já desde 1979 a Toyota tem Colônia como base de seu automobilismo. Após três títulos do campeonato mundial de construtores de rali, quatro de pilotos e 43 vitórias em ralis, a Toyota decidiu em 1999 entrar na Fórmula-1. Foi um passo lógico ampliar então a capacidade já instalada em Marsdorf. Além disso, a Alemanha dispõe de muitos engenheiros bem formados e altamente qualificados e a tradição automobilística alemã é para nós uma vantagem.

Por que não instalar-se na Inglaterra, Itália ou França, uma vez que a maior parte das equipes estão nestes países?

Talvez esta fosse a opção mais fácil, mas a Toyota nem sempre toma o caminho mais simples. Partindo do princípio de que a Toyota já dispunha na Alemanha de uma equipe de automobilismo bem sucedida e dos respectivos especialistas, decidiu-se operar o projeto F-1 a partir de Colônia. A decisão também equilibra os investimentos na Europa. A Toyota fabrica automóveis na Grã-Bretanha e França e possui sua equipe de F-1 na Alemanha.

E por que não no Japão?

A Fórmula-1 é disputada sobretudo na Europa. Do ponto de vista lógico, não seria possível sediar uma equipe de F-1 fora da Europa.

Todo o trabalho de pesquisa, desenvolvimento e construção do carro é feito em Marsdorf? As atividades desta unidade restringem-se à F-1?

Engine Testbench

Plataforma de teste do motor, em Marsdorf

A Toyota Motorsport atua em três categorias. Nos Estados Unidos, estivemos engajados até hoje na Fórmula Indy/Cart e agora vamos mudar para a Indy/IRL. Na Alemanha, está a equipe de Fórmula-1. E no Japão a Toyota participa das categorias nacionais. Fora isto apóia-se de lá os projetos nos EUA e na Alemanha. Aqui em Colônia, a gente se concentra totalmente na F-1, realizando grande parte das pesquisas e sendo responsável pelo design e pela construção do carro. Claro que há um intensivo intercâmbio com os especialistas da Toyota no Japão e nos EUA.

A empresa é japonesa. A equipe está instalada na Alemanha. O Sr. é inglês. O trio de pilotos é formado por um francês e dois brasileiros. Como isto funciona?

Nosso time é mesmo internacional. Os 550 funcionários da Toyota Motorsport em Marsdorf são originários de 30 países. O idioma adotado na empresa é o inglês. A matriz da Toyota fica no Japão, de onde recebemos as bases para a elaboração aqui em Colônia de nosso plano empresarial, ou seja, o que precisamos fazer para atingir nossas metas na F-1. Evidente que, como de hábito em multinacionais, este plano tem de ser aprovado pela central, em Tóquio.

Onde a Toyota buscou seus projetistas, desenhistas, mecânicos, engenheiros? Buscou-os em escuderias da F-1 ou os trouxe das outras categorias de automobilismo da Toyota?

Alguns deles já trabalharam em outras equipes de Fórmula-1. Outros estão há mais de 10 ou 15 anos na Toyota Motorsport. Nossa equipe é formada por profissionais internacionais, em parte com formação e experiência bem diferenciada.

Para 2003, a Toyota contatou dois pilotos brasileiros. É mero acaso que Cristiano da Matta e Ricardo Zonta são brasileiros, ou a nacionalidade tem alguma influência?

Toyota Formel 1 Team

Os pilotos Olivier Panis, Ricardo Zonta e Cristiano da Matta, na apresentação do TF103 em janeiro

A nacionalidade dos pilotos não teve influência. Cristiano já é piloto da Toyota há alguns anos e conquistou em 2002 o campeonato da Fórmula Indy/Cart nos EUA. Achamos que ele possui as qualidades certas para nosso projeto na F-1 e estamos convencidos de que, juntamente com Olivier Panis, formará uma dupla bem sucedida. Quanto ao piloto de testes queríamos alguém com experiência na F-1, que em caso de necessidade também possa ser usado como terceiro piloto e tenha o respectivo speed. Baseados nestes critérios, nos decidimos por Ricardo Zonta. O fato de que temos dois pilotos brasileiros na equipe é em princípio um acaso, mas talvez decorrente de que o Brasil gere muitos talentos automobilísticos.

No ano passado, a Toyota teve o maior orçamento da F-1, atrás apenas da Ferrari e da McLaren. Os investimentos valeram a pena? Serão mantidos no mesmo nível?

Dispomos de recursos suficientes para termos um nível na Fórmula-1 que nos dê a chance, a longo prazo, de brigar pelo campeonato mundial. Do ponto de vista empresarial, achamos que trata-se de um investimento produtivo sob vários aspectos: desde maior motivação interna até transferência de conhecimentos da produção de veículos para a equipe de F-1 e vice-versa. Além disto, vemos nos investimentos uma chance de aproximar a Toyota, sua organização e seus valores das pessoas na Europa. Isto é para nós um grande ganho e também um dos motivos pelo qual não compramos uma escuderia já existente. Não divulgamos informações financeiras, mas na Fórmula-1 há no momento um esforço para se cortar custos. Nossa tarefa é otimizar o uso de nossos recursos para alcançar nossas metas anuais. Estou convencido de que conseguiremos.

Quando a Toyota vai ganhar seu primeiro grande prêmio? E quando vocês esperam conquistar o primeiro título?

2002 foi uma temporada de sucesso para nós, pois viabilizamos nossos objetivos. Chegamos nove vezes entre os dez primeiros. Terminamos 13 das 17 corridas com pelo menos um carro. Se consideramos que falamos de nosso primeiro ano na Fórmula-1, a elite do automobilismo, acho que foi um resultado estupendo. Não tenho dúvida de que a Toyota ainda ganhará corridas e conquistará o título mundial, mas é impossível prever quando isto acontecerá.

E quando chegar a hora, qual será o hino a tocar, o alemão ou o japonês?

Em caso de uma vitória da Panasonic Toyota Racing Team num GP, tocará o hino nacional do Japão.

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