Populistas de direita veem globalização como ameaça | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 30.11.2016
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Populistas de direita veem globalização como ameaça

Maioria dos apoiadores de partidos como a alemã AfD e a francesa Frente Nacional manifestam ceticismo quanto ao fenômeno global, aponta estudo. Rejeição é mais alta entre eleitores mais velhos e de menor escolaridade.

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55% dos europeus consideram a globalização uma oportunidade, enquanto 45% a veem como ameaça

A maioria dos simpatizantes de partidos populistas e nacionalistas de direita considera a globalização uma ameaça, segundo estudo realizado na União Europeia (UE) pela Fundação Bertelsmann da Alemanha e divulgado nesta quarta-feira (30/11).

Os temores em relação às consequências da integração global parecem impulsionar os avanços da direita na Europa. Segundo o estudo, o medo da globalização é "a característica comum e marcante" dos que apoiam agremiações populistas.

A pesquisa revela que 55% dos cidadãos europeus consideram a integração global uma oportunidade, enquanto 45% a veem como ameaça. Segundo a Fundação, quanto mais baixo o nível de escolaridade dos entrevistados e quanto mais elevada a idade dos mesmos, maior a probabilidade de que adotem atitudes negativas em relação à globalização.

Mais de dois terços dos apoiadores dos partidos de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), Frente Nacional da França e do Partido da Liberdade (FPÖ) da Áustria se sentem ameaçados pela globalização. Ao menos metade dos membros de todos os partidos nacionalistas de direita – do italiano Forza Italia ao britânico Ukip – expressaram preocupações com a maior integração global.

"Os partidos políticos tradicionais devem incorporar os temores em relação à globalização em suas plataformas", alertou o presidente da Fundação Bertelsmann, Aart De Geus.

Entre os partidos de esquerda, o levantamento revela que os temores em relação à globalização também existem, mas não chegam a ser tão determinantes, raramente superando a marca dos 50%. Em toda a Europa, esses receios são mais evidentes entre os simpatizantes da Frente de Esquerda francesa (58%) e do partido A Esquerda da Alemanha (54%).

Na Alemanha, entre os apoiadores da União Democrata Cristã (CDU) – da chanceler federal Angela Merkel – e de sua tradicional aliada na Baviera, a União Social Cristã (CSU), do Partido Social Democrata (SPD) e do Partido Verde somente um terço afirma temer a globalização. Entre os simpatizantes do Partido Liberal-Democrata (FDP), apenas 23% demonstram esse receio.

União Europeia e democracia

Segundo o estudo, chama a atenção o fato de que esses temores são geralmente acompanhados de atitudes negativas em relação à política e à sociedade. Quase metade dos opositores da globalização na Europa votaria pela saída de seus respectivos países da União  Europeia (UE), e menos de um em cada dez confia nos políticos. Apenas 38% deles se dizem satisfeitos com a democracia.

Entre os defensores da globalização, mais de 80% são favoráveis à permanência de seus países na UE e mais da metade se diz satisfeita com o sistema democrático.

Enquanto os índices mais altos de entrevistados temerosos quanto à globalização foram registrados na Áustria (55%) e na França (54%), 64% dos britânicos e 61% dos italianos e espanhóis enxergam a globalização como uma oportunidade. Na Alemanha, 55% dos cidadãos compartilham dessa perspectiva, enquanto 45% temem a integração global.

Escolaridade e faixa etária

A pesquisa revela que os níveis de renda e de educação, além da faixa etária dos cidadãos, são cruciais para determinar as atitudes em relação à globalização: 63% dos entrevistados pertencentes às classes médias são favoráveis ao fenômeno, contra 53% das classes trabalhadoras.

Além disso, as pessoas com maior nível de escolaridade enxergam a globalização de modo mais positivo que as de baixa escolaridade, 62% e 53%, respectivamente. Os mais abertos à globalização são os jovens europeus de idade entre 18 e 25 anos (61%).

Os pesquisadores entrevistaram 14.936 pessoas durante o mês de agosto. O estudo é representativo para a UE e seus nove maiores países-membros.

RC/afp/dpa/epd/rtr

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