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Alemanha

População alemã perde confiança na democracia e justiça social

Pesquisas de opinião realizadas na Alemanha mostram que o povo está cada vez mais decepcionado com os políticos e descrente do sistema democrático.

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Diminui confiança e pessimismo cresce

"Seis décadas passadas após o fim da ditadura nazista e apenas 17 anos depois da queda do Muro de Berlim, os alemães não estão satisfeitos com seu sistema político", sentencia a versão online do semanário Der Spiegel . A conclusão refere-se à pesquisa de opinião realizada pela emissora ARD, que entrevistou mil pessoas no país, levando a resultados inesperados para muitos: 51% dos participantes perderam a confiança na Justiça e no governo. E 13% dos que responderam aos questionários se dizem profundamente insatisfeitos com a democracia no país.

É a primeira vez na história da Alemanha desde o pós-guerra que as pessoas demonstram tanta insatisfação com os rumos políticos, mesmo quando os indicadores econômicos apontam para uma recuperação da conjuntura.

Também a sensação de que a desigualdade social aumenta é outro fator que preocupa 66% dos alemães, sendo que apenas 27% dos entrevistados afirmam que a situação é "de igualdade". Uma pesquisa realizada em setembro de 2005 trazia dados sensivelmente mais otimistas.

Coalizão vilã

Representantes da classe política vêem na coalizão de governo dos grandes partidos (CDU e SPD) a razão para a descrença da população na democracia. Dieter Wiefelspütz, encarregado de política interna do Partido Social Democrata (SPD), afirmou ao site do semanário Der Spiegel que os recentes debates sobre a reforma da saúde no Parlamento desgastaram a imagem da "grande coalizão" e que o perigo é que a atmosfera de insatisfação continue.

Wiefelspütz lembra, porém, que a população também é responsável pelos rumos políticos do país. "O povo também assume a responsabilidade pela situação política. A grande coalizão é apenas a expressão da vontade do eleitor", conclui o parlamentar.

Para Wolfgang Bosbach, da União Democrata Cristã (CDU), os resultados da enquete são um espelho do que a população realmente pensa. "Isso já pôde ser sentido no alto número de abstenções nas últimas eleições", comenta o deputado.

Leste insatisfeito

Fußgängerzone in Hamburg Bettler

Desabrigado nas ruas de Hamburgo: população acha que desigualdade cresce

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Leipzig há cerca de três meses já apontava resultados semelhantes aos da pesquisa feita pela emissora ARD. No Leste alemão, apenas 7% dos entrevistados afirmaram estar satisfeitos com a democracia no país, enquanto no Oeste este índice subiu para 50%.

O psicólogo Elmar Brähler declarou por ocasião da divulgação desses resultados que a confiança em instituições como o Bundestag, os partidos políticos e o governo estava caindo a níveis tão baixos como nunca.

Lenta e conseqüente erosão

A União Européia realizou uma pesquisa de opinião semelhante entre a população dos países-membros do bloco, na qual a Alemanha ficou no 13° lugar, empatando com a Grécia. Na enquete, os dinamarqueses se saíram como os mais satisfeitos com o sistema político, com um índice de 93% de aprovação do governo.

Oscar Gabriel, professor da Universidade de Stuttgart, vê uma erosão lenta mas conseqüente da confiança no governo nos últimos 15 anos. Uma das razões disso, acredita Gabriel, é que os habitantes dos Estados do Leste, remanescentes da ex-Alemanha Oriental, de regime comunista, mostravam-se extremamente otimistas em 1990, mas vêm perdendo gradualmente a crença no governo.

Processo reversível?

Já Max Stadler, especialista em política interna do Partido Liberal (FDP), afirma ao Der Spiegel não ter se surpreendido com a decepção da população frente a seus governantes e vê as causas do fenômeno num dado conjuntural: a coalizão dos grandes partidos. "Esta experiência já tivemos com a outra grande coalizão, que governou o país entre 1966 e 1969. Isso é apenas um reflexo. Na Áustria, também houve um efeito semelhante durante a grande coalizão e isso não foi duradouro", argumenta Stadler.

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