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Economia

PopKomm reacende debate sobre música digital

A maior feira de música da Europa não trouxe apenas 400 horas de música ao vivo a Berlim, mas reacendeu o debate sobre estratégias e problemas da distribuição digital e o crescimento do filão da música ao vivo.

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O que se esconde por trás da música?

Foram três longos dias e noites em Berlim. A PopKomm, maior feira do setor musical na Europa e uma das maiores do mundo, rendeu à capital um evento digno de uma cena famosa por sua criatividade e efervescência. Cerca de 800 expositores estrangeiros voaram com destino à cidade para participar da feira, que terminou na sexta-feira (16/09). E Berlim agradece, afinal foram mais de 400 horas de música ao vivo.

Uma das tendências que deverão marcar o mercado fonográfico nos próximos anos já se pôde confirmar no próprio festival que ocorreu paralelo à feira: o retorno das apresentações ao vivo.

"Muito mais coisas acontecem desde que a feira e o festival são realizados ao mesmo tempo. A mídia passou a levar o aspecto das performances ao vivo muito mais a sério", disse Raik Hölzel, do selo indie Kitty-Yo, um dos mais bem-sucedidos da capital. "Os shows são cada vez mais importantes e um instrumento de marketing imprescindível."

CDs não garantem lucro

Afinal, a era da música digital trouxe novas dificuldades aos artistas. Se todos preferem baixar músicas na internet a comprar nas lojas, então os músicos têm de pensar em outra forma de sustento que não a venda de CDs.

PopKomm

A internet deixou um gosto amargo para o comércio de CDs

Assim, a maioria encontra o caminho de volta aos palcos – o que, por sua vez, vai ao encontro do público, cada vez mais interessado em conhecer as bandas de perto. "As pessoas querem ver como a música é feita, eles não procuram o som perfeito, mas emoções e uma música provocativa, direta", explica Hölzel.

Um mercado difícil

O mercado fonográfico está diante de uma situação parecida à dos anos 70, quando gravadoras como Crysalis, Virgin e Island Records praticamente surgiram do mercado de música ao vivo. Hoje em dia, é nesse segmento que gravadoras tentam recuperar o potencial perdido.

Mas esse é um nicho difícil. Segundo o presidente da Federação Alemã da Indústria de Eventos (IDVK), Jens Michow, há milhares de empresas dedicadas à organização de eventos no país e todas brigam pelos mesmos concertos. "Se artistas ganham a maior parte de seus rendimentos com shows ao vivo, então é normal que busquem a empresa que lhes ofereça o melhor contrato. E isso se reflete no preço dos ingressos", explica.

MTV Awards in Rom

Música ao vivo é muitas vezes mais lucrativa que a venda de CDs

Segundo ele, preços entre 30 e 75 euros ainda não são suficientemente exorbitantes para espantar o público, e a tendência da música ao vivo perdurará ainda por algum tempo, "pois a geração que cresceu com o tecno ainda não teve essa experiência".

Caminhos da distribuição digital

Outra tendência discutida na PopKomm foi o crescimento do mercado de download de música pela internet e caminhos da distribuição digital. Afinal, há muitas plataformas que fazem bons negócios. O portal Musicload, pertencente à Deutsche Telekom e líder de mercado na Alemanha, registrou em agosto mais que o dobro de downloads que no mesmo mês em 2004. O vice-presidente da T-Online Entertainment, Marc Schröder, diz-se satisfeito por poder "tirar as pessoas do mercado ilegal".

Na Inglaterra, de 25 a 30% dos títulos que compõem o Top 10 foram comprados online, segundo Scott Cohen, da distribuidora The Orchard. No entanto, ele lembra que apenas 6% do total é adquirido via internet, pois grande parte do repertório não está disponível online.

Four Music é um bom exemplo

Como evitar problemas dessa natureza foi outro tema central na feira. Um bom exemplo é o do selo Four Music, pertencente à veterana banda de hip hop alemã Die Fantastischen Vier. Eles trabalham simultaneamente com diversos portais, de modo a atingir o maior número possível de públicos-alvo.

Segundo Markus Roth, diretor do setor online e de novas mídias da empresa, portais grandes como Musicload e iTunes alcançam um público grande, mas que se restringe a Alemanha, Áustria e Suíça. Por isso, o selo trabalha com portais menores e especializados, capazes de alcançar multiplicadores no mundo todo, tais como DJs.

Popkomm 2004 Festival Fantastische Vier

A banda Die fantastischen Vier: selo próprio

Além disso, a gravadora criou – em parceria com outros selos pequenos – sua própria loja virtual. Para concorrer com agressivas políticas de preços como a do iTunes, por exemplo, eles oferecem um número ilimitado de cópias e muito material ainda não lançado oficialmente.

Um mercado complexo (demais)

Já que a distribuição digital é de muito mais fácil realização que a tradicional, ela representa uma grande oportunidade para gravadoras novas e de menor porte. Mesmo assim, para diminuir os custos, elas apelam para agregadores, outro termo usado para designar distribuidores online.

Segundo Cohen, devido à miríade de modelos de venda existentes e à crescente demanda tecnológica, muitas preferem terceirizar a distribuição a empresas capazes de posicioná-las com muito mais eficiência no mercado, através de estratégias direcionadas de promoção.

Por mais que pareça fácil colocar músicas à venda na rede, especialistas ainda recomendam a cooperação com empresas de distribuição para aumentar ao máximo a aproximação com o público.

O futuro é móvel

Um grande mercado para o futuro poderia ser a transferência de músicas para telefones celulares. Hoje, um telefone móvel padrão UMTS já pode baixar uma música inteira em cerca de um minuto e em qualidade aceitável.

O portal Musicload aposta que, em três anos, 85% dos celulares serão equipados com a tecnologia necessária e já investe no lançamento da plataforma T-Mobile Jukebox. No entanto, prevê-se que o desenvolvimento do setor possa ser limitado por problemas de compatibilidade devido à briga pelo formato mais em conta.

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