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Cultura

Pop sem ousadia

Até domingo, Colônia vive em clima de Popkomm. A busca de novos talentos, meta do evento criado há 14 anos, já era: a crise da indústria fonográfica leva gravadoras a apostar em segurança e sucesso rápido.

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O empresário fonográfico Gebhardt (direita) está preocupado com a pirataria na internet

Gravadoras, produtores e cerca de 700 expositores se reúnem até sábado (17), na maior feira internacional de música pop e entretenimento, para discutir as atuais e futuras tendências da música pop. E, até domingo, mais de 2,5 milhões de pessoas vão invadir as ruas de Colônia, para ouvir as 450 bandas incluídas na programação do lado popular do evento: a Ringfest. Um quarto dos grupos que subirão aos palcos ao ar livre serão de músicos jovens, em início da carreira.

Na torre de marfim - Uma das metas declaradas da Popkomm é dar a bandas semiprofissionais – sobretudo alemãs e regionais – a chance de penetrar no reduto mainstream. No entanto, o interesse das gravadoras e dos produtores não parece ser muito grande: os concertos atraem poucos caçadores de talento. Para a diretora da Associação de Incentivo ao Rock, de Colônia, Rosi Lang, "a indústria da música vive numa torre de marfim, tendo perdido completamente o contato com a base". Quando uma banda chama a atenção dos caça-níqueis e consegue ser produzida, ela lança seu primeiro CD já sob pressão de ter que fazer sucesso imediato. Se não for o caso, ela está fora. "Antes as bandas tinham um prazo de três a quatro discos, para poderem se desenvolver", comenta Lang, lamentando a pressa da indústria de música, que prefere apostar no sucesso meteórico de bandas facilmente consumíveis e com baixíssima expectativa de vida.

MTV dita - Uma grande gravadora como a Capitol Records Germany (antiga Emi Electrola) nem tenta disfarçar que o seu interesse passa longe dos jovens talentos. "As metas iniciais da Popkomm, ou seja, oferecer espaço para os novos grupos e incentivar o intercâmbio dentro do setor, já foram ultrapassadas. No decorrer dos anos, a feira cresce e se comercializa cada vez mais", constata Evelyn Junker, diretora da A & R. Não são apenas as gravadoras que não querem se aventurar em experimentos com coisas novas: a maioria dos produtores também só tem a MTV na cabeça. O organizador da programação de shows da Popkomm, Pete Schiffler, pode até citar casos de bandas desconhecidas que começaram na Popkomm e terminaram na hit parade dos EUA, como o americano Jimmy eats the World. No entanto, quanto às bandas alemães e às de Colônia, Schiffler é cético. Diante da grave crise pela qual a indústria fonográfica está passando, não é à toa que as gravadoras tenham pouca vontade de arriscar em músicos desconhecidos.

Virgem vende mais – Os alemães gastam 2,6 bilhões de euros por ano em eventos musicais e mais ou menos a mesma quantia na compra de gravações. Mas a indústria fonográfica está apreensiva, pois as vendas de CD caíram 12% no ano passado. Na Alemanha, terceiro maior mercado musical do mundo, venderam-se pela primeira vez, em 2001, mais CD´s virgens do que gravados.

A principal causa disso é a pirataria de música via internet, avaliou o presidente da Confederação da Indústria Fonográfica Alemã, Gerd Gebhardt, na abertura da Popkomm. No ano passado, o número de downloads deve ter passado de 500 milhões. Além disso, a baixa conjuntura e o sentimento de carestia depois da introdução do euro também vêm desanimando os consumidores.

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