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Mundo

Ponto para Teerã no dilema nuclear

O Conselho de Segurança da ONU deu um prazo de 30 dias para o Irã suspender o enriquecimento de urânio. Teerã se mantém inflexível. Uma análise.

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Usina de enriquecimento de urânio no Irã

Os ministros do Exterior dos cinco países do Conselho de Segurança da ONU reiteraram a exigência de que o Irã suspenda o enriquecimento de urânio dentro de 30 dias. Após um encontro com os chanceleres dos EUA, Rússia, Reino Unido, França e China, ocorrido em Berlim, nesta quinta-feira (30/03) o ministro alemão Frank Walter Steinmeier alertou do risco de Teerã se isolar internacionalmente.

E, de fato, o Irã se mantém inflexível. Após a ONU ter divulgado sua exigência, nesta quarta-feira (29/03), o representante iraniano na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Alisaghar Soltanieh, declarou que "a decisão de Teerã de enriquecer urânio para pesquisa nuclear e desenvolvimento é irreversível". Com isso, se mantém o dilema que perdurava até então.

Peter Philipp, analista político da Deutsche Welle, comenta:

Antes da reunião dos ministros do Exterior em Berlim, os cinco países membros do Conselho de Segurança da ONU acertaram uma declaração sobre a política nuclear iraniana. Soa bem, mas não deixa de ser apenas uma embalagem nova para um conteúdo velho.

O subsecretário de Estado norte-americano John Bolten declarou que agora a bola se encontra na área dos iranianos. Mas, na realidade, foi o Conselho de Segurança que passou a bola para o campo da Agência Internacional de Energia Atômica, em Viena. Dentro de 30 dias, a AIEA deverá fazer um relatório sobre a reação do Irã à exigência de limitação de seu programa nuclear.

Com sua declaração, o Conselho de Segurança cumpriu implicitamente a exigência de Teerã de que o dilema nuclear continue sendo tratado em Viena e não seja transferido para Nova York. Na verdade, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança admitiram desta forma que não têm condições de resolver o problema.

Placar da disputa Irã x Ocidente O repasse da questão para Viena foi o que restou da vã discussão sobre uma eventual resolução de impacto, um debate que durou dias e terminou sem resultados. O que saiu disso foi justamente o contrário: caso o Irã se mantenha inflexível, a declaração não menciona possíveis represálias, pois é exatamente este o ponto de divergência.

A Rússia e a China rejeitam sanções. O governo em Moscou está intensamente empenhado na construção de reatores nucleares iranianos e a China tem interesse num abrangente abastecimento de petróleo do Irã. Nenhum dos dois deixou dúvidas de que fará uso de seu direito de veto para impedir possíveis represálias contra Teerã.

Neste jogo, é difícil de localizar a bola, como John Bolten arrisca fazer. Esta rodada do conflito atômico foi para o Irã. Na primeira rodada, há três anos, o Irã estava sob forte pressão dos EUA, pois Washington acusava Teerã de desenvolver armas nucleares. Na segunda, foram os iranianos que se saíram bem, pois a União Européia amenizou as ameaças norte-americanas através da abertura de negociações.

A terceira empatou: UE e Irã não chegaram a nenhum consenso e Teerã retomou a conversão e posteriormente o enriquecimento de urânio. Na rodada seguinte , foram os americanos que fizeram um ponto, pois a AIEA delegou o caso ao Conselho de Segurança da ONU.

Teerã por cima E agora, o repasse a Viena – o que representaria esta rodada a não ser um ponto para Teerã? Até agora, o Irã não cedeu em nada, mantendo sua decisão de enriquecer urânio para fins pacíficos. E ninguém conseguiu provar até hoje que o programa nuclear de Teerã tenha fins bélicos. O mais tardar agora, o Irã se vê confirmado na acusação de que Washington não passaria de um "tigre de papel".

Recorrer ao Conselho de Segurança não levou a nada; sanções econômicas e diplomáticas são mais improváveis do que nunca, militares mais ainda. O que também depõe contra uma solução militar do conflito é o fato de os EUA já terem problemas suficientes no Iraque.

Após este fortalecimento, o governo em Teerã se mostrará ainda menos disposto a acatar as exigências dos EUA. Washington mal tem motivos de se orgulhar da decisão do Conselho de Segurança. O que não existe não pode ser criado por palavras.

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