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Alemanha

Pondo os pingos nos is

Em discurso no Parlamento, o chefe de governo da Alemanha deixa clara sua opção por uma alternativa pacífica para a questão iraquiana. Oposição critica sobretudo erro tático do chanceler federal.

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Uma solução pacífica ainda é possível, brada Schröder

A Alemanha defende o desarmamento incondicional do Iraque e o cumprimento da resolução 1441 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, enfatizou o chanceler federal Gerhard Schröder, em sua declaração de governo no Bundestag sobre a questão iraquiana. O debate no parlamento federal nesta quinta-feira serviu para que governo e oposição clareassem e confrontassem suas divergências sobre o conflito.

Schröder ressaltou que, na visão da coalizão social-democrata e verde, a resolução da ONU não admite o emprego automático da violência caso Bagdá desrespeite decisões das Nações Unidas. A aprovação de um mandato pelo Conselho de Segurança seria imprescindível. Mas o governo não joga suas cartas neste caminho.

Isolamento inexistente

"O governo está unido à França, à Rússia, à China e a numerosos outros países que expressamente acreditam ainda haver alternativa pacífica. Existe uma e nós vamos lutar para viabilizá-la", discursou o chefe de governo alemão, rebatendo as críticas de que sua conduta estaria isolando a Alemanha no cenário mundial e combatendo também as opiniões de que a guerra seria inevitável.

Berlim apóia a proposta francesa de aumentar o número de inspetores de armas, melhorar os recursos técnicos e sua capacidade de atuação, acrescentou o chanceler. Para ele, ainda é possível desarmar o Iraque sem guerra. A missão dos inspetores em Bagdá estaria fazendo progressos e este caminho deveria continuar sendo trilhado.

Ataque ajuda combate ao terrorismo?

Ao mesmo tempo, Schröder lembrou que a prioridade mundial após o 11 de setembro, ou seja, a luta contra o terrorismo internacional, não deve ser perdida de vista. "Quem quiser resolver a crise (do Iraque) por meios militares, tem de ter resposta para a pergunta: isto faz avançar a aliança mundial contra o terrorismo, à qual pertencem mais de 50 nações predominantemente muçulmanas, ou isto poderia colocar em risco esta aliança ou talvez até explodi-la? Pois isto teria conseqüências devastadoras na luta contra o terrorismo internacional", destacou Schröder.

O social-democrata observou que a Alemanha vem assumindo responsabilidades em muitos conflitos internacionais. Como exemplo, citou o comando das tropas de segurança no Afeganistão. Em relação ao polêmico bloqueio na Otan de ajuda militar à Turquia, o chefe de governo disse que Ancara pode confiar na solidariedade alemã: "Nós reafirmamos nossos compromissos com nossos aliados e os levamos a sério. A aliança ajuda parceiros que estão em perigo. E isto inclui expressamente também a Turquia."

Em sua declaração, Schröder não se limitou a esclarecer sua política para o Iraque e tentar desarmar as principais críticas de que tem sido alvo. O chanceler federal contra-atacou a oposição conservadora, acusando-a de pertencer à coalizão pró-guerra.

Tática equivocada favorece Saddam

Presidente da União Democrata-Cristã (CDU) e líder da bancada federal, a deputada Angela Merkel rejeitou o rótulo de belicosa e repetiu que o "não" do social-democrata só aumentou a probabilidade de uma guerra, ao enfraquecer o poder de pressão da ONU sobre o ditador iraquiano.

"Não podemos descartar ações militares como último recurso. Saddam Hussein não vai se mexer um milímetro, sabendo que pode fazer qualquer coisa, que nós não iremos atacá-lo", avaliou Merkel.

A democrata-cristã acusa Schröder de prejudicar a credibilidade da Alemanha ao agir fora de sintonia com os parceiros e fechar alianças parciais. Assim, o chanceler teria enfraquecido a União Européia, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e a ONU. A presidente da CDU criticou a opção do social-democrata pela troca da parceria com os EUA pela amizade teuto-francesa: "Senhor chanceler, o Sr. está atiçando, desde a campanha eleitoral para o Bundestag (em setembro de 2002), de forma sutil, um certo antiamericanismo."

Merkel considera que o governo fechou posição muito cedo, por razões de política interna, ou seja, para conquistar o eleitorado e sua reeleição. Segundo ela, Schröder foi o único chefe de governo que se decidiu ainda antes de os inspetores da ONU apresentarem seu primeiro relatório no Conselho de Segurança. Um erro tático grosseiro, na opinião da democrata-cristã.

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