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Alemanha

Poluição do ar mata 310 mil europeus por ano

Número de vítimas na Alemanha chega a 65 mil. Organização ecológica pede proibição do trânsito para reduzir concentração de partículas de fuligem no ar das grandes cidades. Prefeituras podem cobrar pedágio urbano.

O ar de Berlim pode ser mortal. É o que diz a organização ecológica Deutsche Umwelthife (DUH), que acaba de entrar com uma ação na justiça contra a prefeitura da capital alemã, exigindo a redução da concentração de partículas poluentes na atmosfera, nocivas à saúde.

O processo em Berlim é apenas um modelo para as ações que a DUH pretende mover contra as prefeituras de outras grandes cidades alemãs, como Munique e Dortmund. A organização exige medidas imediatas para despoluir o ar, como a redução ou proibição do trânsito de veículos a diesel sem filtro de partículas de fuligem.

Norma da União Européia

Na Alemanha, como em toda a União Européia, vigora desde 1º de janeiro deste ano uma nova diretriz ambiental, segundo a qual a concentração de 50 microgramas de partículas nocivas por metro cúbico de ar (50mg/m3) só pode ser ultrapassada em 35 dias por ano. Em Munique, por exemplo, esse nível já foi superado em 34 dias neste ano, em Berlim, 20 vezes.

A Comissão Européia anunciou em fevereiro um controle rigoroso do cumprimento dessa diretriz. Segundo um estudo recente da UE, até 310 mil pessoas morrem por ano nos países do bloco econômico em conseqüência de doenças cardíacas e câncer provocados pela poluição atmosférica.

O país europeu mais afetado é a Alemanha, onde morrem anualmente 65.088 pessoas devido ao problema. Seguem-se a Itália, com 39.436 vítimas mortais, e a França, com 36.868. As mortes prematuras são causadas pela "fumaça negra", resultante das emissões da queima de combustíveis fósseis por veículos a diesel sem filtro de partículas, e pela concentração excessiva de ozônio na atmosfera ao nível do solo.

Negligência do poder público

Italien Verkehr

Poluição provocada pelo trânsito é um problema em todas as grandes cidade do mundo

Na opinião da Deutsche Umwelthilfe, dezenas de cidades alemãs não tomam as medidas necessárias para respeitar a diretriz da UE. A organização também acusa a indústria automobilística de haver bloqueado o uso universal de filtros de partículas em veículos a diesel.

Além de Berlim, Munique e Dortmund, já teriam sido constatados níveis críticos de poluição em Augsburg, Braunschweig, Düsseldorf, Essen, Frankfurt, Hannover, Passau e Stuttgart. As cidades transgressoras podem sofrer multas milionárias da UE.

O Senado de Berlim informou que metade das partículas poluentes vem das redondezas da capital e que apenas 25% resultam das emissões do trânsito. Para reduzir esse índice, a prefeitura investe em sistemas de gerenciamento do tráfego e na ampliação da rede de transporte público.

Embora a EU não faça sugestões concretas, segundo os ambientalistas as prefeituras dispõem de várias alternativas para reduzir a poluição, por exemplo, através de pedágio urbano, limite de velocidade, rodízio no trânsito, linhas de ônibus a gás natural ou eletricidade

O governo federal alemão está elaborando uma lei para incentivar o equipamento dos carros a diesel com filtro de partículas, com desconto de até 350 euros sobre o IPVA. A proposta, no entanto, dependerá de aprovação pelos governos estaduais, que recolhem este imposto. "A única medida com efeito imediato seria a proibição completa do trânsito de veículos a diesel sem filtro de fuligem", diz o deputado federal Horst Friedrich, do Partido Liberal.

Problema mundial

A morte por poluição atmosférica não é um problema novo nem restrito à Europa ou à Alemanha. Em 1997, a Organização Mundial de Saúde já relacionou 700 mil mortes anuais à poluição. Uma pesquisa publicada pela revista Science em 2001 fez a seguinte projeção para 2020: se a Cidade do México, Nova York, Santiago e São Paulo baixassem em 10% sua emissão de gases poluentes, seria possível evitar 64 mil mortes e 65 mil casos de bronquite crônica por ano nessas cidades.

Segundo o recente relatório da UE, a poluição também reduz a expectativa média de vida dos europeus em cerca de nove meses. Os especialistas calculam ainda que essa mesma poluição obrigue todos os anos cada trabalhador da UE a ficar meio dia em casa, por ordem médica, e provoque gastos adicionais de 80 bilhões de euros por ano aos sistemas de saúde.

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