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Cultura

Pole apresenta sua eletrônica acidental e surpreendente no Brasil

Projeto do alemão Stefan Betke é uma das atrações do festival Novas Frequências, no Rio e em São Paulo. Show ocorre graças a um sistema de compra coletiva.

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Pressefotos vom Festival Novas Tendencias

Nos últimos anos o Brasil entrou definitivamente na rota dos grandes shows internacionais. Mas não são apenas as grandes estrelas que brilham em estádios e festivais ao redor do país. A cena alternativa também tem se movimentado, criando novos espaços para shows de médio porte e trazendo bandas menos conhecidas, mas não menos importantes.

O Novas Frequências é uma dessas iniciativas. Em sua segunda edição, o festival, que acontece no Rio e em São Paulo, apresenta a vanguarda da música pop contemporânea mundial e brasileira. Juntando música e artes plásticas, a edição carioca reúne em seis dias uma grande variedade de artistas, como Maria Minerva, da Estônia; Lenticular Clouds, da Espanha, e a americana Juliana Barwick.

Em São Paulo, o festival acontece neste sábado (08/12) e apresenta grandes nomes da música eletrônica contemporânea. O Actress deve apresentar faixas de seu mais recente e aclamado disco, R.I.P., um dos grandes álbuns de 2012, no qual o techno e a house encontram texturas ao mesmo tempo dançantes, urbanas e sombrias.

Os ingleses do Hype Williams devem colocar o público do festival para dançar com seu sua mistura cheia de swing, dub, rap e pop. A noite ainda conta com a primeira visita ao Brasil do Pole, projeto do alemão Stefan Betke. "Estive no Chile e no Uruguai no ano passado. Estou muito feliz por ter outra chance de voltar a esse continente maravilhoso", declarou o músico à DW Brasil.

A mágica da simplicidade

Betke começou a tocar piano ainda criança. Na adolescência passou por diversas bandas e sempre se interessou pela vanguarda do rock e do jazz. Com a popularização dos sintetizadores, no começo da década de 1990, seguiu o caminho da música eletrônica. "Sou de Düsseldorf, cidade com uma grande tradição no estilo", disse o músico, numa alusão a bandas como Kraftwerk.

Pressefotos vom Festival Novas Tendencias

Actress mostra em São Paulo faixas de seu disco mais recente

Os ruídos de estática, estalos, chiados e crepitações emitidos por um filtro Waldolf 4-Pole quebrado acabaram se tornando o ponto de partida para a música de Betke. Em 1997, pouco antes de lançar seu disco de estreia, ele se tornou Pole. "A ideia de que erros acontecem é um elemento chave para minha música. Permito-me construir histórias usando barulhos e ruídos que acontecem por acaso", explicou Betke.

Desde então Pole segue esse conceito, mas sempre buscando novos elementos e caminhos para sua música. "Meu processo de criação ainda é muito parecido, baseado em equipamentos analógicos. Não preciso usar tecnologia de ponta para fazer música", completou.

Com seus barulhos, ruídos e ambientações, a música do Pole é constantemente rotulada de minimal, um termo que o músico rejeita. "Acho o mininal techno que se faz hoje muito chato. Minha música parte de ideias simples, que tento tornar claras e funcionais. No minimal há apenas uma pequena quantidade de elementos que se repetem. Eu não restrinjo os elementos das minhas composições, apenas os torno mais simples, mantendo a mesma atmosfera", explicou.

Para suas apresentações ao vivo, Betke usa materiais pré-gravados em estúdio e toca sintetizadores. "Crio elementos analógicos, sons, distorções. Uso uma mesa de som também analógica para mixar essas improvisações com as bases gravadas. Minhas apresentações são marcadas por um baixo forte e elementos de dub. Tento manter a pista o mais 'quente' que posso", afirmou o alemão.

Compra coletiva

Além dos ruídos, a arquitetura é outra grande inspiração para a música de Pole. "Gosto de andar pela cidade e fazer fotos dos prédios, do contraste entre o novo e o velho. Berlim era um lugar muito inspirador depois da queda do Muro", disse o músico, que graças ao projeto Queremos! vai poder conferir não só as belezas naturais cariocas, mas também a loucura urbana e contrastada de São Paulo.

Pressefotos vom Festival Novas Tendencias

Os ingleses do Hype Williams: mistura de swing, dub, rap e pop

O projeto de compra coletiva de shows começou a alguns anos no Rio de Janeiro, com o intuito de levar para a cidade shows que vinham ao Brasil, mas não passavam por palcos cariocas. Os organizadores dividem com o público o valor necessário para a realização do evento, por meio de um sistema de ingressos reembolsáveis. Por meio desse sistema, parte ou a totalidade do valor do ingresso pode voltar para quem "investiu" no show.

Em São Paulo foram colocados a venda 400 ingressos reembolsáveis a R$ 70. Quando todos foram vendidos, a edição paulistana do Novas Frequências foi confirmada e as entradas ao preço normal começaram a ser vendidas. Se a casa lotar, quem comprou os ingressos reembolsáveis vê o show de graça. 

O Queremos! já levou ao Rio mais de 46 artistas, como Belle and Sebastian, LCD Soundsystem e Primal Scream. Esta é a primeira vez que o projeto acontece em São Paulo.

Em São Paulo, o festival Novas Frequências ocorre no clube Beco 203, neste sábado. No rio, o festival ocorre no Oi Futuro Ipanema até domingo.

Autor: Marco Sanchez
Revisão: Alexandre Schossler