Políticos conservadores alemães defendem fim do celibato católico | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 22.01.2011
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Alemanha

Políticos conservadores alemães defendem fim do celibato católico

Diante da crescente falta de padres, políticos católicos da União Democrata Cristã defendem a ordenação de homens casados em carta aos bispos da Alemanha.

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Segundo a edição deste sábado (22/01) do jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung , importantes políticos conservadores da Alemanha pediram em carta aos bispos do país que se engajem veementemente e com urgência, tanto no Vaticano como em outros setores da Igreja Católica, para que os chamados viri probati (homens casados de comprovada vida cristã) possam ser ordenados padres.

Entre os signatários da carta estão o presidente do Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão), Norbert Lammert, e a ministra alemã da Educação, Annette Schavan. Segundo os políticos, todos os motivos para se atrelar ao celibato não pesam tanto quanto "a carência de muitas comunidades sem padres, nas quais a missa dominical não é possível ser realizada".

Regras de exceção para Alemanha

Em entrevista ao jornal WAZ deste sábado, Lammert reiterou o apelo. Se a cúpula da Igreja hesita em se confrontar com o problema da falta de padres e o sentido do celibato, "então isso deve ser realizado por leigos engajados", disse. O presidente do Bundestag declarou ainda estar certo de que "haverá uma série de bispos satisfeitos com o fato de termos iniciado o debate".

Lammert destacou que não há uma justificativa teológica ou prática para o celibato. A carta de um círculo de políticos católicos conservadores aos bispos alemães não pretende criar polêmica, afirmou.

Ele acusou o Vaticano de se ocupar de "uma forma totalmente inadequada" com o problema. Lammert afirmou também esperar "mais coragem dos bispos alemães nessa questão". Eles poderiam defender a implementação de regras de exceção para a Alemanha, afirmam os signatários da carta.

Um ano depois

Como forma de apoio à sua iniciativa, os políticos se referiram, na carta citada por vários jornais alemães, a declarações escritas pelo papa Bento 16 em 1970. Como professor de teologia, ele argumentara na época que a Igreja do futuro será "pequena", conhecerá novas "formas de cargos" e, por esse motivo, deverá também ordenar "fiéis de provada vida cristã, que tenham uma profissão", sustentam os signatários.

A divulgação da carta de políticos conservadores alemães aos bispos do país acontece um ano após a divulgação de outra carta, a do padre jesuíta Klaus Mertes, diretor do Colégio Canisius de Berlim, na qual relatava as acusações de abusos sexuais a ex-alunos de sua escola. A carta de Mertes deu origem ao escândalo de abusos sexuais por parte de padres católicos na Alemanha.

CA/dapd/epd/dw
Revisão: Alexandre Schossler

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