Políticos alemães exigem observadores internacionais no Tibete | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 17.03.2008
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Mundo

Políticos alemães exigem observadores internacionais no Tibete

Expulsões de estrangeiros e suspensão da concessão de vistos para o Tibete são condenadas na Alemanha. Governo alemão rejeita possível boicote aos Jogos Olímpicos.

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Conflitos na capital do Tibet, Lhasa, começaram na última sexta-feira

O deputado Eckart von Klaeden, porta-voz para assuntos de política externa da bancada da cristã-social-democrata (CDU/CSU) no Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão), exigiu do governo chinês que permita a presença de observadores e jornalistas internacionais no Tibete.

Klaeden declarou ao jornal Welt am Sonntag que, poucos meses antes dos Jogos Olímpicos, também deve ser de interesse do governo chinês afastar as desconfianças de que esteja escondendo a dimensão dos acontecimentos na capital tibetana.

O governador de Hessen, Roland Koch, exigiu igualmente que o governo chinês permita a presença de diplomatas e jornalistas no Tibete e interrompa a expulsão de jornalistas da região. Eles devem ter acesso "imediato" aos locais dos conflitos, afirmou Koch, que mantém boas relações com o Dalai Lama.

Motivos ocultos

Declaração semelhante foi dada pelo deputado Karl-Theodor zu Guttenberg (CSU), integrante da comissão de política externa do Bundestag: "A expulsão de jornalistas é tão condenável quanto a censura de informações sobre o Tibete".

O governo chinês interrompeu a concessão de vistos para o Tibete e está exigindo de cidadãos estrangeiros que deixem a região. O motivo oficial é a situação de tensão iniciada na semana passada, mas jornalistas afirmam que haja outros motivos.

"Se os estrangeiros forem embora, faltarão também testemunhas que possam descrever os meios empregados pelas forças de segurança chinesa para restabelecer a ordem no Tibete", afirmou a correspondente da emissora alemã ARD na região, Petra Aldenrath.

Boicote aos Jogos Olímpicos

Tibet Demonstranten protestieren vor der chinesischen Botschaft in Berlin

Grupo de manifestantes protesta diante da Embaixada da China em Berlim

Já o governo alemão se posicionou nesta segunda-feira (17/03) contra um possível boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim, em reação à repressão do governo chinês aos manifestantes no Tibete. De acordo com o vice-porta-voz Thomas Steg, o boicote prejudicaria os atletas olímpicos e não mudaria a situação no Tibete.

Para o ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, o esporte não deve ser utilizado como meio de pressão política. Ele argumentou ainda que atitudes semelhantes não trouxeram o resultado desejado no passado.

Steg disse que o governo alemão apóia as reivindicações dos tibetanos por autonomia religiosa e cultural, mas afirmou que a medida de qualquer negociação deve ser o respeito à integridade territorial chinesa dentro do contexto da política da "China única". De acordo com Steg, o isolamento da China não contribuirá para um maior respeito aos direitos humanos no país asiático.

Imprensa

Os acontecimentos em Lhasa também foram destaque na imprensa internacional. Para o jornal italiano Corriere della Sera, os fatos recentes mostram que é necessário pressionar a China para que respeite as minorias e a oposição. "É inimaginável que um acontecimento pacífico como o maior evento esportivo do mundo seja manchado pelo desrespeito sistemático e indesculpável dos direitos humanos", escreveu o diário.

O alemão Süddeutsche Zeitung declarou-se contra o boicote aos Jogos Olímpicos. "Um boicote (…) não é desejado por ninguém. Isso não apenas seria injusto com os atletas, (…) mas significaria também a renúncia definitiva a tudo o que esses Jogos Olímpicos possam trazer de bom. (…) Se boicotarmos os jogos, a China decididamente se fecharia ao invés de continuar a se abrir."

Para o Neue Zürcher Zeitung, da Suíça, a condenação mundial aos acontecimentos em Lhasa é compreensível e correta, mas não necessariamente produtiva. Para o diário, os líderes europeus devem ter uma postura mais rígida com o governo chinês. "Indignação esporádica (…) não cria na China o respeito pela democracia", escreveu o diário de Zurique.

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