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Mundo

Políticos alemães criticam ameaça nuclear de Chirac

Políticos e imprensa alemã são quase unânimes em condenar a declaração do presidente francês, Jacques Chirac, de que armas nucleares poderiam ser utilizadas contra Estados responsáveis por ataques terroristas na França.

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Chirac discursou durante visita a uma base nuclear na Bretanha

A ameaça de que a França poderia recorrer a armas nucleares contra países responsáveis por atos terroristas, feita nesta quinta-feira (19/01) pelo presidente Jacques Chirac, causou fortes críticas por parte dos políticos e repercutiu em toda imprensa alemã. O especialista em assuntos internacionais do oposicionista Partido Liberal Democrata (FDP), Werner Hoyer, disse ao jornal Kölner Stadt-Anzeiger que a declaração não é "nem inteligente, nem útil".

Para ele, Chirac promove uma perigosa "escalada retórica", que certamente não levará o Irã a renunciar a seu programa nuclear. Mesmo sem citar o governo de Teerã, as declarações de Chirac foram entendidas com sendo uma resposta à recente retomada do programa nuclear pelo Irã.

Inaceitável


Também a União Democrta Cristã (CDU) teme conseqüências negativas. "Receio que as declarações não colaborem para uma ampla unidade da comunidade internacional em relação ao Irã", afirmou o vice-presidente do partido, Andreas Schockenhoff, ao mesmo jornal.

O especialista em assuntos internacionais da bancada da CDU/CSU, Eckart von Klaeden, disse que as declarações vieram num momento "infeliz" devido aos esforços da Alemanha, França e Reino Unido para que o Irã desista de seu programa nuclear.

No Partido Social Democrata (SPD), o especialista em política internacional Rolf Mützenich classificou as declarações de Chirac como "inaceitáveis para o atual momento". Ele advertiu para que não se usem as armas nucleares como "instrumentos de política de segurança", nem se criem "cenários ameaçadores".

Irresponsável

O presidente do Partido Liberal, Guido Westerwelle, exigiu que a chanceler federal Angela Merkel telefone para Chirac, incitando-o a rever suas declarações. Westerwelle afirmou ao jornal Leipziger Volkszeitung não haver qualquer necessidade de se adotar o uso de armas nucleares como uma ameaça nas discussões internacionais.

O especialista em Defesa do Partido Verde, Winfried Nachtwei, classificou as declarações de Chirac como "arriscadas" e "irresponsáveis". "O governo federal deve insistir para que nossos aliados franceses revejam essas declarações", disse Nachtwei ao Netzeitung.

Nada de anormal

Na imprensa, o Frankfurter Rundschau escreveu em editorial: "Porém o que mais se pode esperar de um chefe de Estado que no seu final de mandato já proclamou tantas coisas e também seus exatos opostos como verdades imutáveis? E agora, nesta fase quente do conflito com o Irã, anuncia como possível nada menos do que o emprego de armas nucleares. Infelizmente, não se poderia mesmo esperar outra coisa."

O conservador Die Welt, porém, afirmou que "Chirac quer conferir às armas nucleares a força estabilizadora e estruturadora que elas uma vez tiveram na época da bipolaridade nuclear". Para o jornal, o presidente francês "coloca a França no topo do ranking da Europa, assegura aos aliados, incluindo a Alemanha, proteção nuclear e deixa claro que é necessário mais do que soft power".

Outra declaração favorável a Chirac partiu do presidente da Comissão de Relações Exteriores, Ruprecht Polenz, da CDU. Para ele, Chirac quer desencorajar Estados que considerem atacar a França ou um de seus aliados. "Não vejo nada de anormal nisso", afirmou.

Para o Financial Times Deutschland, Chirac "não apenas quis lembrar que a grande nation é uma potência nuclear. No fundo, o presidente exige que o Ocidente esteja pronto para reagir às novas ameaças terroristas também com meios não-convencionais".

Resposta firme

As declarações de Chirac foram feitas na base de um submarino nuclear na Bretanha, noroeste da França. O presidente criticou "a tentativa de certos Estados de, rompendo acordos, se munirem de armas nucleares", afirmando que líderes de Estado que "usarem formas de terrorismo contra nós, assim como qualquer pessoa que pretenda usar armas de destruição em massa, precisam entender que se expõem a uma resposta firme e adequada de nossa parte".

As declarações podem significar uma mudança de rumo na política nuclear francesa. Até o momento o país se alinhava com a política de diminuição do arsenal nuclear mundial, defendida, entre outros, pela Alemanha.

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