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Economia

Políticas neoliberais e a crise na América do Sul

Na palestra que proferiu em Bonn, no Ibero Club, o professor Luis Alberto Moniz Bandeira falou sobre a crise social e econômica que assola os países latino-americanos.

O cientista político Moniz Bandeira iniciou sua palestra, realizada na quarta-feira (16/10) em Bonn, lembrando que os anos 80 foram considerados a "década perdida" para o desenvolvimento da América Latina. A crise, que começava a afetar os interesses econômicos dos Estados Unidos, fez com que o Institute for International Economics promovesse uma conferência com economistas da Argentina, Brasil, Chile, México, Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia, para esboçar medidas capazes de superar os problemas econômicos. Algumas delas, como a privatização de estatais e a liberalização unilateral do comércio exterior pelos países da América Latina seriam indispensáveis para a renegociação da dívida externa e a obtenção de novos recursos de instituições financeiras internacionais.

Receita liberal não era nova

O receituário, chamado de Washington Consensus, recomendava que o Estado se retirasse da economia, a fim de que toda a América Latina se submetesse à forças de mercado, o que iria contribuir na formação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), do Canadá à Terra do Fogo. Para os Estados Unidos, essa seria a oportunidade ideal de aumentar as exportações para a América Latina e compensar seu déficit comercial com outras regiões. Ao mesmo tempo, levaria vantagem sobre a União Européia e o Japão na região.

Liberais e ortodoxas, as medidas do Consenso de Washington não eram novas, já tendo sido cogitadas pelos governos militares, especialmente na Argentina, Chile e Uruguai. A situação na América Latina no final dos anos 90, entretanto, era ainda mais sombria do que a do fim da década de 80.

Década de 90 começou com esperança e terminou em crise

A Argentina teve seu câmbio atrelado ao dólar e no final do governo de Carlos Menem arcava uma dívida equivalente a quase 50% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Isso gerou desconfiança nos investidores. Daí foi um passo para a insolvência, o calote e a bancarrota. A crise financeira internacional agravou os problemas, gerando lutas sociais que culminaram com a queda do presidente Fernando de La Rúa.

No Brasil, segundo Moniz Bandeira, a situação também é crítica, apesar de o país possuir um dos dez maiores parques industriais do mundo, ter diversificado suas exportações e reduzido a inflação para um único dígito anual, com a implantação do Plano Real. O real forte, porém, encareceu os produtos brasileiros. O Brasil, que tinha o terceiro superávit comercial do mundo nos anos 80, passou a acumular saldos negativos em sua balança comercial. Não obstante, a desvalorização do real em 1999 desgastou o governo de Fernando Henrique Cardoso, frisou Moniz Bandeira.

Embora o Brasil seja considerado o grande mau exemplo de discrepância social, os demais países da América Latina enfrentavam uma situação similar, em menor ou menor grau, de desigualdade na distribuição de renda, com a pobreza gritante de amplas camadas sociais e a ostentação e riqueza aliadas ao consumo supérfluo de uma pequena parte da população.

O Uruguai praticamente não se desenvolveu desde a década de 80. No Paraguai, com economia estagnada desde a construção de Itaipu, em 1982, o país entrou em recessão, com aumento do desemprego e revolta popular. No Peru, Bolívia e Equador também é visível o aumento da pobreza. Já a Colômbia é controlada pelo narcotráfico, o que provocou, entre outras coisas, o deslocamento de cerca de 700 mil pessoas nos últimos anos.

A Venezuela e o Equador foram os únicos países da América Latina a registrar saldo positivo na balança comercial na metade da década de 90. Mas a fuga de capitais e os prejuízos causados pelas enchentes deterioram a situação na Venezuela, contribuindo para a instabilidade política.

O Dr. Luis Alberto Moniz Bandeira encerrou sua palestra frisando que a crise atual na América Latina não começou com o programa neoliberal do Consenso de Washington. "Ela existia previamente e foi agravada no decorrer dos anos", disse o professor, para quem a ALCA, tão almejada pelos Estados Unidos, só iria acentuar os efeitos negativos do neoliberalismo na América Latina.