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Brasil

Política econômica brasileira é séria, diz especialista alemão

O diretor do Centro de Estudos da Fundação Konrad Adenauer no Brasil, Wilhelm Hofmeister, afirma que o pagamento adiantado da dívida com o FMI não tem apenas efeito eleitoral.

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Política orçamentária do governo Lula é mais séria que a da Argentina, opina Hofmeister

Desde 1999, Wilhelm Hofmeister representa no Brasil a Fundação Konrad Adenauer, mantida pela União Democrata Cristã (CDU) e uma das mais importantes e conhecidas instituições alemãs. A ligação com a América Latina começou em 1988, quando ele assumiu o escritório da Fundação Konrad Adenauer no Chile. Ficou no país até 1993, podendo acompanhar de perto o processo de transição para a democracia chilena.

Wilhelm Hofmeister

Hofmeister elogia decisão de pagar dívida com o FMI

Doutor em Ciências Políticas pela Universidade de Mainz, Hofmeister é organizador e autor de várias publicações sobre política na América Latina e presença freqüente em palestras sobre o tema no Brasil e na Alemanha. Aqui, trechos de sua entrevista concedida à DW-RADIO:

A quitação da dívida do Brasil com o FMI é um esforço para avançar no pagamento da dívida externa do país ou é um tentativa de conseguir boas avaliações de fontes externas num ano de campanha eleitoral?

É um esforço muito sério do governo do Brasil para organizar suas relações exteriores, para diminuir sua dependência de agências financeiras internacionais e para mostrar seriedade ao exterior. Não tem somente um efeito eleitoral, tem um efeito de longa percepção para a economia brasileira, muito além das eleições.

O diretor-gerente do FMI, Rodrigo de Rato, projeta um crescimento importante da economia brasileira em 2006. Em 2005, o crescimento foi de 2,5%, inferior a 2004, que foi de 4,9%. Como o senhor vê esse quadro?

Todas as projeções indicam crescimento maior este ano. O governo parece mais otimista que o mercado, onde se fala num crescimento de 3% a 4%. O governo está falando de 5%. Os governos no início do ano são sempre mais otimistas que observadores mais neutros, sobretudo num ano eleitoral.

IWF und Weltbank Treffen in New York Rodrigo de Rato

De Rato prevê crescimento brasileiro este ano

O crescimento do Brasil ainda fica um pouco contido pela alta taxa de juros. É um política muito exitosa para o controle da inflação, mas prejudica um pouco o crescimento. O Brasil, no contexto latino-americano, não tem o mesmo nível de crescimento que os outros países.

Mas temos que reconhecer que os esforços do governo para resolver os problemas da dívida são sérios e têm benefícios muito positivos, como por exemplo a melhora na avaliação pelo mercado financeiro, o que significa dinheiro em caixa, já que o governo paga menos juros pela dívida.

Logo após o Brasil, a Argentina também anunciou que vai quitar sua dívida com o FMI. É este um novo momento na relação financeira internacional dos países da América Latina?

Há uma grande diferença entre Brasil e Argentina. O Brasil logrou pagar sua dívida com esforços sérios, com uma política orçamentária austera, respeitando o superávit primário combinado com o FMI, com o crescimento das exportações e o ingresso de divisas. Esse conjunto de políticas sérias permitiu ao governo brasileiro adiantar o pagamento da sua dívida.

Nestor Kirchner

Governo Kirchner ainda enfrenta problemas com a inflação

Vejo o quadro da Argentina como mais complicado. Ela emprestou dinheiro da Venezuela para pagar sua dívida e os esforços orçamentários da política fiscal da Argentina me parecem muito menos sérios. A Argentina está enfrentando um processo novo de inflação, parece que este ano serão 12%. Algumas perspectivas para o ano próximo indicam uma inflação ainda maior.

O governo da Argentina não está comprometido com a mesma seriedade que o governo brasileiro com a sua política fiscal. Aí há uma grande diferença. Mas para as instituições financeiras internacionais, sobretudo o FMI, o pagamento do Brasil e também o da Argentina significam uma nova etapa, porque o poder e a influência do FMI não serão tão grandes no futuro como eram no passado.

Há uma disputa interna no principal partido de oposição do Brasil, o que teria mais força para se opor ao governo Lula. A disputa, no PSDB, é entre Geraldo Alckmin e José Serra. A balança pende mais para quem?

É complicado prever. É óbvio que José Serra aparece mais nas pesquisas de opinião, é mais conhecido no país e tem apoio maior dentro do PSDB, de várias lideranças regionais. Alckmin mostrou uma capacidade de gerência muito alta, o Estado de São Paulo está numa situação muito favorável. Está crescendo nas pesquisas.

O PSDB está numa situação muito complicada. Antes das eleições municipais, Serra jurou várias vezes não ser candidato a nada. Deixar a prefeitura de São Paulo poderia ter um custo muito alto, principalmente porque o vice-prefeito não tem uma trajetória política muito conhecida. Entregar a prefeitura de São Paulo em troca de um candidatura presidencial que pode não dar certo é um risco para o PSDB.



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