1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Alemanha

Polícia no pátio de escola em Berlim

Violência em escola alemã gera debate sobre o sistema educacional e a política de integração do país.

default

Aulas, só com presença policial

A partir desta sexta-feira (31/03), a escola Rütli em Neukölln, Berlim, conta com a ajuda de policiais para que as aulas possam acontecer, uma resposta ao pedido de socorro do corpo docente para tornar a situação "tolerável".

Em carta à Secretaria da Educação, a diretora, Brigitte Pick, pedira o fechamento da instituição, pois a violência entre os alunos havia atingido proporções incontroláveis. Segundo ela, o clima entre os alunos estaria impregnado pelo sentimento de destruição, violência e comportamentos desrespeitosos.

Os professores estavam sendo ignorados e até mesmo atacados pelos alunos. Objetos eram freqüentemente lançados pelas janelas e as brigas aconteciam diariamente. Alguns professores estariam indo para as salas somente munidos de celulares, para poder pedir ajuda em casos extremos.

Situação generalizada

Rütli-Hauptschule in Berlin

Violência fugiu do controle na escola Rütli, no bairro de Neukölln em Berlim

Após a proibição dos celulares em algumas escolas da Baviera e o pedido de socorro da escola Rütli em Berlim, começou um novo debate sobre a violência entre os jovens na Alemanha. Em meio às discussões, surge a controvérsia sobre o papel e a eficácia da Hauptschule no sistema educacional alemão. Paralelamente, questionam-se também as medidas de integração do país.

Alguns políticos e pedagogos pedem o fim da Hauptschule. Outros alertam para os perigos de generalizações em torno da eficácia do sistema educacional alemão e ressaltam o bom funcionamento das escolas do interior do país.

Motivos da violência

A encenação de atos violentos parece ser a mais nova moda nas escolas. Grupos de jovens agridem companheiros ou vítimas aleatórias – um processo chamado happy slapping – enquanto uma câmera ou o próprio celular registra as imagens que serão, posteriormente, transmitidas e difundidas pela internet.

Sociólogos concordam que casos de violência na família e baixo nível de instrução contribuem para aumentar o problema de violência nas escolas alemãs, principalmente entre os jovens com histórico familiar de imigração. Outro fator é o grande consumo de filmes de ação brutais e jogos de violência.

Mais violência entre jovens estrangeiros

Os dados de um projeto de pesquisa do professor Christian Pfeiffer, do Instituto de Pesquisas Criminais da Baixa Saxônia, mostraram um outro fator: a imagem masculina vigente em determinados grupos.

Na pesquisa, os jovens concordaram com afirmações como "um homem que não está preparado para se defender com violência não é um homem de verdade", ou "mulheres e crianças devem obedecer incondicionalmente ao homem, o chefe da família".

O estudo revelou também que um garoto de família turca é, em média, maltratado três vezes mais pelos pais do que um companheiro de classe alemão (12,2% contra 3,7%). Além disso, crianças de famílias migrantes vivenciam violência por parte dos familiares com freqüência quatro vezes maior do que as alemãs (28,5% contra 6,5%).

Despejo para alunos-problema

A porcentagem dos estrangeiros matriculados nas Hauptschulen é grande nas metrópoles alemãs. Em Berlim, cerca de 40% dos alunos dessas escolas são estrangeiros. Em Neukölln, os números chegam a 68%.

Na escola Rütli, 83% dos alunos não são de nacionalidade alemã. A maioria é de origem libanesa ou turca e a língua franca é o árabe. Na escola não há professores provenientes de outros círculos culturais e, por este motivo, eles têm dificuldades para superar barreiras de comunicação.

As crianças com maiores dificuldades na escola fundamental são encaminhadas para a Hauptschule, que se tornou uma espécie de despejo para alunos-problema.

Índices estáveis

Segundo estimativas de criminalistas alemães, o número dos atos violentos tem se mantido relativamente estável nos últimos anos, mas os jovens estão se tornando mais brutais.

Os jovens se agridem mais e continuam a bater, ainda quando a vítima já está caída no chão. Em alguns Estados, como em Brandemburgo e Berlim, aumenta o número de ocorrências policiais referentes a atos de delinqüência juvenil.

Leia mais sobre o problema da violência nas escolas alemãs e a posição de políticos sobre o ocorrido na escola Rütli.

Leia mais