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Mundo

Polícia israelense mata palestino suspeito de atirar em ativista judeu

Palestino teria tentado assassinar Yehuda Glick, que defende o direito de judeus rezarem num local considerado sagrado também pelos palestinos. Autoridades temem que tensões aumentem em Israel.

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Ativista Yehuda Glick faz campanha para permitir orações no Monte do Templo, na Cidade Velha

A polícia de Israel matou a tiros nesta quinta-feira (30/10) um palestino suspeito de, horas antes, tentar assassinar o ativista judeu de extrema-direita Yehuda Glick em Jerusalém, ameaçando aumentar as já elevadas tensões na cidade.

Uma unidade antiterrorista cercou a casa do suspeito em Jerusalém Oriental. Depois de tiros terem sido disparados contra os policiais, estes reagiram, matando o suspeito, disse o porta-voz da polícia Micky Rosenfeld.

Glick, de 48 anos, havia sido atacado e ficou gravemente ferido nesta quarta-feira, ao deixar uma conferência em prol de uma campanha para permitir orações no Monte do Templo, na Cidade Velha. O ativista, nascido nos EUA, lidera a Temple Mount Heritage Foundation (Fundação Patrimônio do Monte do Templo). O lugar, visto tanto por judeus quanto por muçulmanos como sagrado, tem sido um foco de violência nos últimos meses.

Enquanto Israel sustenta que sejam permitidas orações de graça para todos no local, palestinos alegam que o Estado está ampliando o acesso a ele para abrigar mais fiéis judeus, o que os palestinos veem como uma invasão judaica. Do outro lado, ativistas judeus, como Glick, afirmam que estão sendo discriminados ao terem suas opções de rezar no topo da montanha limitadas.

Segundo testemunhas, um homem com sotaque árabe confirmou a identidade de Glick ao trocar algumas palavras com ele, tendo depois atirado em seu peito, abdômen, pescoço e mão. O atirador teria, então, fugido de moto.

Num site oficial do Hamas, o suspeito morto pela polícia foi identificado como Moatez Hejazi, de 32 anos, que passou 11 anos numa prisão israelense e foi solto em 2012.

O incidente aconteceu em meio a recentes tensões entre residentes judeus e árabes de Jerusalém, após três jovens israelense terem sido sequestrados e mortos por palestinos na Cisjordânia. Agora, a polícia prevê uma escalada nos conflitos e protestos tanto por parte dos judeus quanto dos árabes e teme eventuais ataques de vingança de colonos radicais. O prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, pediu ao povo que "não faça justiça com as próprias mãos".

Israel acusa o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, de incitar à violência. Recentemente, Abbas pediu que judeus fossem banidos do Monte do Templo e pediu que palestinos vigiassem o local.

O ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon, reiterou as acusações contra Abbas num comunicado emitido nesta quinta-feira. "A tentativa de assassinato de Yehuda Glick é outro passo grave da incitação palestina contra judeus e contra o Estado de Israel", disse. "Quando Abbas espalha mentiras e veneno sobre o direito dos judeus de orar em sua terra, o resultado é o terrorismo, como vimos ontem."

LPF/dpa/rtr/ap