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Mundo

Polícia impede atentado neonazista

Explosivos e armas apreendidos em Munique seriam usados em atentado no local em que será construída a nova sinagoga da cidade. Autoridades temem uma nova fase da violência neonazista.

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Material apreendido em Munique

O secretário do Interior da Baviera, Günther Beckstein, confirmou que neonazistas planejavam um atentado contra o canteiro de obras da nova sinagoga de Munique. Ao investigar o grupo neonazista Kamaradschaft Süd, que atuava no sul da cidade, a polícia apreendeu 1,7 quilo de TNT e mais 14 quilos de um material supostamente explosivo.

A busca deu-se na quarta-feira (10), quando foram detidas seis pessoas, a maioria de estados do leste alemão, onde o extremismo de direita é mais forte do que na parte ocidental. É também no sul de Munique que se realiza a festa da cerveja Oktoberfest, a ser inaugurada dentro de uma semana.

Baustelle für das Zentrum der Jüdischen Kultusgemeinde

Terreno onde será construída a sinagoga e o novo Centro da Comunidade Judaica de Munique

Segundo Beckstein, ainda não está claro para quando o atentado estava sendo planejado. No dia 9 de novembro será colocada a pedra fundamental da nova sinagoga, ato que contará com a presença do presidente alemão, Johannes Rau, e do presidente do Conselho Central dos Judeus, Paul Spiegel. No local também será construído um Museu Judaico. A data 9 de novembro não foi escolhida por acaso: em 1938 deu-se a Noite dos Cristais, em que hordas nazistas incendiaram sinagogas, quebraram lojas e humilharam judeus.

Procurador geral enquadra grupo como terrorista

O procurador geral da República, Kay Nehm, assumiu as investigações. Nos últimos quatro anos, a Justiça federal tem tratado dos crimes mais graves da extrema-direita. Segundo um porta-voz da promotoria, há indícios de vários alvos ou atentados. Kay Nehm classificou o grupo de Munique como organização terrorista.

Até agora, a maioria das organizações nessa categoria era de esquerda ou ligadas ao fundamentalismo islâmico. Um dos poucos casos de terrorismo da extrema-direita deu-se em 1980, quando ativistas explodiram uma bomba durante a Oktoberfest de Munique . O atentado deixou um saldo de 13 mortos e 211 feridos.

Pressekonferenz München Christian Ude und Charlotte Knoloch

O prefeito de Munique, Christian Ude, e a presidente da Comunidade Judaica de Munique e do sul da Baviera, Charlotte Knobloch

A apreensão demonstra que é "preciso continuar com toda severidade a luta contra o terrorismo", observou o secretário do Interior bávaro, expressando a preocupação com uma nova dimensão de crimes da extrema-direita. O Departamento de Criminalística da Baviera supõe que os explosivos sejam provenientes de velhas granadas ou minas. Bastaria colocar um detonador para causar uma explosão. Seu efeito poderia ser intensificado com um cano, o que derrubaria até o teto da sala em que a bomba explodisse, avaliou seu diretor, Richard Vöst, em entrevista ao jornal Süddeutsche Zeitung.

Entre os presos encontra-se, segundo o diário, Martin Wiese, atual líder do Kamaradschaft Süd. Fundado no início de 2002, ele reúne cerca de 25 membros entre neonazistas e skinheads. O ponto de partida da atual busca foi uma ocorrência policial. Dois neonazistas espancaram e feriram gravemente um rapaz de 23 anos que pretendia abandonar o grupo. Até agora, seus ativistas vinham atuando apenas em protestos e arruaças.

A extrema-direita na Alemanha

Geralmente se superestima a capacidade da extrema-direita na Alemanha, que representa uma pequena parcela da população. O partido Os Republicanos, por exemplo, perdeu 1,2 ponto percentual nas últimas eleições parlamentares, obtendo só 0,6% dos votos em todo o país. Já o NPD (Partido Nacional Democrático) conseguiu aumentar sua porcentagem de 0,1% para 0,4%. Ambos reúnem, portanto 1% do eleitorado do país e não estão representados no Parlamento, uma vez que as leis exigem no mínimo 5% dos votos.

Em 2002, diminuiu, pelo quarto ano consecutivo o número de pessoas que os departamentos de Defesa da Constituição - uma espécie de serviço secreto estadual - classificam como extremistas de direita. De 49.700, em 2001, o número caiu para 45 mil, o que corresponde a uma diminuição de 9,5%. Os relatórios diferenciam entre extremistas dispostos à violência e skinheads violentos (10.700) e os demais neonazistas (2,6 mil).

Menos neonazistas e mais crimes

Separadamente são classificados os filiados aos partidos de extrema-direita. Os dois já mencionados mais um terceiro (DVU) perderam 14,8% de seus filiados em 2002 (ao todo 28.100). No final do ano, havia também 146 organizações e grupos de extrema-direita, muitos deles regionais, com um potencial estimado em 4400 pessoas.

Por outro lado, o número de crimes e delitos da extrema-direita aumentou 7,8% em 2002, totalizando 10.903. Entre estes houve oito tentativas de assassinato, 26 atentados incendiários e 646 lesões corporais. Embora muitos delitos tenham fundo xenófobo ou anti-semita, a grande maioria está relacionada à propaganda e ao uso de símbolos nazistas proibidos por lei.

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