Polícia faz grande batida contra cena musical da extrema direita alemã | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 05.03.2009
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Alemanha

Polícia faz grande batida contra cena musical da extrema direita alemã

Após revistar 224 estabelecimentos em todo o país, agentes confiscaram milhares de CDs, assim como computadores e armas. Não houve presos. "Música é porta de acesso para jovens na ideologia neonazista", diz especialista.

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Agente da polícia mostra CDs apreendidos

A polícia e a Promotoria Pública alemãs apreenderam na quarta-feira (04/05) cerca de 55 mil CDs contendo música de extrema direita. Numa grande batida realizada em nível federal, que empregou cerca de 800 policiais, foram revistadas 224 residências e estabelecimentos comerciais de presumíveis radicais de direita.

Os agentes confiscaram ainda 170 computadores, unidades de armazenamento de dados e cerca de 70 armas ou partes de armas. Foram anotados os dados pessoais de 204 suspeitos, entre 21 e 45 e anos e "de todas as classes sociais", segundo a polícia. Porém não se realizou nenhuma prisão. "Foi a maior operação contra produtores de música extremista de direita que já houve", declarou Carsten Voss, diretor criminal do Departamento Federal de Investigações (BKA), ao portal de internet faz.net.

Segundo o Departamento Federal de Proteção à Constituição (BfV), há dois anos investigadores da internet descobriram a plataforma Unser Auktionshaus (Nossa casa de leilões). Esta era utilizada pelos radicais de direita na comercialização de produtos, em especial CDs, com o fim de mobilizar os jovens para sua ideologia. O organizador do site, atualmente fechado é, ao que tudo indica segundo a polícia, um certo Sascha D., de 34 anos, do estado de Baden-Württemberg.

Golpe sensível

Já numa primeira batida, em setembro de 2007, foram apreendidos servidores, discos rígidos e fonogramas, que foram analidados durante meses. Para chegar aos responsáveis pelas vendas e leilões, assim como a seus usuários, a Promotoria Pública e a polícia criaram em Stuttgart, juntamente como o BKA, um grupo de trabalho denominado AG Netzwerk.

Bundesweite Aktion gegen Rechtsextremisten

'Braun is beautiful': marrom era a cor dos uniformes nazistas

A análise do material apreendido em 2007 constituiu uma gigantesca tarefa para os investigadores. Mil diferentes CDs de música, 250 dos quais em inglês e francês, tiveram que ser examinados, assim como os dados das unidades de armazenamento de 20 mil leilões envolvendo cerca de 800 usuários registrados. A blitz iniciada na quarta-feira pela manhã constituiu uma continuação dessas investigações.

Os agentes classificaram a operação como um "golpe sensível" contra o comércio eletrônico dos círculos de extrema direita. Sua meta é reduzir a distribuição e comercialização da música "marrom" na internet. Segundo o chefe da Promotoria Pública de Stuttgart, Siegfried Mahler, são faturados vários milhões a cada ano com a produção e venda deste tipo de música. Ela é tanto uma fonte financeira central como forma de aliciar adeptos para o meio.

Panorama fragmentado da direita

Braun is beautiful, Sachsonia inesquecível, Conosco a vitória – Poder e honra: as mensagens nas capas dos CDs apreendidos são bastante diretas. Segundo Mahler, essa música é uma porta de entrada para atrair os jovens, um "elemento que promove a identidade" e que incorre numa série de delitos, como a difamação do Estado, insultos contra grupos religiosos ou incitação popular.

Carsten Voss, do BKA, anunciou futuras medidas contra os "usuários de internet da direita radical". Organizações como os Autonomen Nationalisten utilizam com frequência a linguagem simbólica dos esquerdistas de esquerda, numa tentativa de dominar a cultura jovem.

Segundo ele, a cena neonazista da Alemanha é "muito fragmentada e heterogênea". Lado a lado com o "tradicionalista NPD [Partido Nacional Democrata da Alemanha]", há, por exemplo, os skinheads, os neonazistas, a "direita intelectual" e os revisionistas. No momento, estes últimos se apoiam fortemente nas declarações do bispo Richard Williamson, prelado católico inglês tradicionalista que nega o extermínio de 6 milhões de judeus durante o Holocausto.

AV/RW/afp/dpa/rtr

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