Polícia alemã prende supostos espiões sírios em Berlim | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 07.02.2012
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Mundo

Polícia alemã prende supostos espiões sírios em Berlim

Ministro do Exterior russo é recebido em Damasco com euforia depois que Moscou embargou resolução contra Síria no Conselho de Segurança da ONU. Conflitos continuam no país e supostos espiões sírios são detidos em Berlim.

Espiões podem estar ligados à embaixada síria em Berlim

Espiões podem estar ligados à embaixada síria em Berlim

Forças militares sírias atacaram nesta terça-feira (07/02), pelo quarto dia consecutivo, a cidade de Homs, centro dos protestos contra o regime Assad na Síria. Segundo os membros da oposição, o alvo dos ataques é sobretudo o bairro Bab Amro, que se encontra isolado, com o fornecimento de energia elétrica suspenso. Na segunda-feira, segundo a oposição, foram mortas 95 pessoas na cidade.

O governo em Damasco declarou, como de praxe, que as forças militares estão lutando contra terroristas em Homs. Os relatos sobre o levante contra o regime Assad, que já se arrasta por 11 meses, não pode ser avaliado por observadores externos, uma vez que Damasco praticamente não permite a entrada de jornalistas estrangeiros no país.

Diretor do serviço secreto russo à mesa de negociações

Sergei Lavrov (esq.), com Assad, em Damasco

Sergei Lavrov (esq.), com Assad, em Damasco

O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, foi recebido em Damasco com um mar de bandeiras da Rússia. O diretor do serviço secreto russo para o exterior (SWR), Mikhail Fradkov, também participou das negociações na capital síria.

A Rússia, aliado importante da Síria e também fornecedora de armamentos para Damasco, demonstrou, com a visita, que mantém seu apoio ao regime Assad.

Juntamente com a China, Moscou vetou, no último fim de semana, uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a partir da qual Assad seria forçado a cessar a violência contra os manifestantes que criticam seu governo.

Liga Árabe: nada é possível sem a Rússia e a China

O conteúdo da resolução, estabelecido pela Alemanha, França, Reino Unido, Marrocos e por diversos outros países árabes, foi feito com base no plano de paz da Liga Árabe para a Síria. Nabil Elaraby, secretário-geral da Liga, afirmou que Moscou e Pequim perderam pontos em muitos países árabes, em função do veto no Conselho de Segurança da ONU.

Mesmo assim, completou Elaraby, os países árabes irão continuar cooperando com a China e com a Rússia, "pois precisamos deles". Segundo o secretário-geral, a rejeição à resolução foi uma mensagem errada enviada ao governo sírio, que, agora, parece achar que pode fazer tudo o que quiser, sem ter que arcar com as consequências.

A China também quer enviar negociadores

Homs: violência continua

Homs: violência continua

A China também cogita mais uma iniciativa diplomática para acalmar a situação na Síria. O ministério chinês do Exterior confirmou que o país pretende contribuir para uma solução pacífica para o caso e deverá, para isso, desenvolver uma proposta política ao lado de países do Norte da África e da Ásia Ocidental. Os EUA fecharam sua embaixada em Damasco, em função da violência que assola o país. O governo alemão também cogita fechar sua representação diplomática na capital.

Desde o início dos protestos, em março de 2011, estima-se que aproximadamente 6 mil pessoas morreram, muitas delas em consequência de torturas, segundo organizações de defesa dos direitos humanos.

O ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle, anunciou outras sanções contra o regime Assad, bem como a criação de um chamado "grupo de contato", para apoio à oposição síria. A premiê Merkel afirmou, após encontro com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que Alemanha e França não estão "apenas decepcionados, mas horrorizados" com a decisão contrária a uma resolução do Conselho de Seguranca da ONU. Sarkozy afirmou que Paris e Berlim nao deixarão o povo sírio sem apoio.

Espiões na Alemanha

Em Berlim, dois homens foram detidos, sob suspeita de estarem a serviço do serviço secreto sírio. Os investigadores responsáveis pela detenção de ambos acreditam que possa haver uma rede de apoio aos mesmos no país.

Lavrov foi recebido por um mar de bandeiras russas em Damasco

Lavrov foi recebido por um mar de bandeiras russas em Damasco

Segundo o Ministério Público da Alemanha, o teuto-libanês Mahmoud El A., de 47 anos, e o sírio Akram O., de 34, estão sob fortes suspeitas de colaboração com o serviço secreto sírio.

Westerwelle convocou o embaixador sírio na capital alemã para conversas após a detenção dos dois suspeitos. O ministro alemão esclareceu a seu colega de pasta sírio que Berlim não aceita, de forma alguma, "qualquer conduta avessa a membros da oposição síria que se encontrem na Alemanha".

Rede de apoio

Os dois espiões são acusados de atividades ao longo de diversos anos. Além disso, autoridades investigam a participação de mais seis supostos espiões na Alemanha. Segundo informações extraoficiais, alguns deles são funcionários da embaixada síria em Berlim. As investigações, ainda em andamento, envolvem a participação de 70 agentes do governo alemão.

Em dezembro último, o sírio Ferhad Ahma, ligado à oposição em seu país de origem, foi agredido em Berlim em sua casa, no bairro Mitte. Ahma avaliou o ataque como uma medida para intimidá-lo, tomada "a serviço de vassalos do regime".

Ahma vive desde 1996 em Berlim e é membro do Partido Verde. Desde outubro de 2011, o sírio de 37 anos pertence ao Conselho Nacional Sírio, formado pela oposição no país e não reconhecido oficialmente. Ele representa a minoria curda neste grêmio provisório.

SV/rtr/dpad/afp/dpa
Revisão: Carlos Albuquerque

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