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Cultura

Polêmica transforma romance de Martin Walser em best-seller

O novo romance do escritor alemão Martin Walser foi inspirado na figura do crítico literário Marcel Reich-Ranicki.

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A capa do novo romance de Martin Walser

O novo romance de Martin Walser, Tod eines Kritikers ("Morte de um Crítico"), lançado há duas semanas em meio a enorme polêmica sobre anti-semitismo, está se transformando num dos maiores êxitos literários da Alemanha. De acordo com levantamentos feitos pela revista Focus, já foram vendidos cerca de 70 mil exemplares do livro. A editora Suhrkamp, que forneceu até agora um total de 160 mil exemplares ao comércio livreiro, já está preparando uma nova edição do romance.

O êxito de vendas de Tod eines Kritikers não fez com que amainassem as discussões a respeito de supostas tendências anti-semitas da obra. As acusações nesse sentido foram contestadas pelo escritor Günter Grass, portador do Prêmio Nobel de Literatura, que reverteu as críticas ao pivô da questão, o "papa" da crítica literária na Alemanha, Marcel Reich-Ranicki.

Crítica literária trivial

Günter Grass: "As passagens que se afirma serem anti-semitas não o são. Eu considero tudo isto como uma simples afirmação e não como uma prova. De qualquer forma, Reich-Ranicki desferiu ataques freqüentes durante décadas. Com ele, houve uma trivialização da crítica literária."

Na sua opinião, a controvérsia não passa da campanha de um suplemento literário contra um autor. "Eu teria aconselhado Walser a escrever um ensaio contundente sobre a situação da crítica literária, mas jamais um romance. Pois a figura de Reich-Ranicki não é capaz de encher nenhum romance, já que não tem nenhum segredo", afirmou Günter Grass.

Desprezo pela recordação

Já Elie Wiesel, portador do Prêmio Nobel da Paz, acusa Martin Walser de ceder ao espírito da época, que é de "desprezo pela recordação", em vez de combatê-lo. Numa declaração publicada pelo semanário Die Zeit, Wiesel afirmou contudo que a decisão de não publicar o prefácio escrito por Martin Walser na nova edição do seu livro Die Nacht foi tomada antes da polêmica em torno do novo romance do autor. Desde a sua primeira edição alemã, na década de 60, o livro de Elie Wiesel, foi considerado um testemunho impressionante sobre o Holocausto nazista.

Segundo o escritor americano, desde o polêmico discurso de Martin Walser na igreja Paulskirche de Frankfurt, em outubro de 1998, por ocasião da entrega do Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão, ele já se decidira por não incluir o prefácio de Walser na próxima edição do seu livro. Na época, o autor alemão foi acusado de minimizar a importância histórica dos crimes nazistas. A quinta edição de Die Nacht foi lançada agora pela editora Herder.