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Economia

Polêmica nuclear marca cúpula sobre matriz energética alemã

Briga entre partidos do governo sobre desativação de usinas nucleares complica negociações sobre futuro do abastecimento de energia na Alemanha. Reunião de cúpula define programa para aumentar eficiência energética.

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Desativação do reator Biblis A é prova de fogo para política energética

Novas divergências sobre a desistência da energia nuclear antecederam a reunião de cúpula da chanceler federal alemã Angela Merkel com 28 representantes da indústria, do setor energético e lideranças partidárias nesta segunda-feira (09/10) em Berlim. Oficialmente, o encontro serviu para discutir um programa destinado a aumentar a eficiência energética.

Enquanto líderes da União Democrata Cristã (CDU) e associações empresariais pediram uma prorrogação do prazo de atividade dos 17 reatores nucleares, que devem ser desativados gradativamente até 2021, o Partido Social Democrata insistiu no cumprimento do plano de desistência previsto em lei.

Desistência da desistência

Reatores nucleares em atividade (em negrito) e datas de desativação

Reatores nucleares em atividade na Alemanha (em negrito) e datas de desativação

A briga foi desencadeada por um requerimento da companhia RWE para protelar a desativação do reator Biblis A, marcada para 2007. O pedido foi endossado pelo líder da bancada da CDU no Parlamento, Volker Kauder. "Num prazo previsível, não podemos renunciar à energia nuclear porque não há alternativa", disse.

Também os governadores da Baixa Saxônia, Baden-Württemberg, Hessen e Turíngia (todos da CDU) e da Baviera, Edmund Stoiber (União Social Crsitã – CSU), bem como a Confederação da Indústria Alemã (BDI) e a Câmara da Indústria e Comércio (IHK) pediram uma prorrogação do prazo.

O ministro do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, garantiu que o SPD não desistirá do "consenso energético. A desativação ordenada dos reatores dá segurança de planejamento. O debate nuclear apenas desvia a atenção da necessidade de economizar energia", disse.

Na opinião do ministro da Economia, Michael Glos (CSU), a Alemanha precisa de uma "matriz energética equilibrada, composta por petróleo, gás, carvão mineral e fóssil, energia nuclear e energias renováveis. Precisamos refletir sobre o papel da energia nuclear – e refletir sobre isso nunca deve ser proibido".

Eficiência energética

Ao final da reunião em Berlim, a chanceler federal Angela Merkel anunciou um programa para reduzir em 20% até 2020 a demanda de carvão, petróleo e gás na Alemanha.

O pacote de medidas inclui alterações nos impostos sobre veículos, programas de saneamento de edifícios velhos, incentivos fiscais para empresas que economizam energia e fomento à construção de centrais elétricas eficientes. A meta é duplicar a eficiência energética e reduzir a dependência do país da compra de energia no exterior.

Segundo informações oficiais, a questão da energia nuclear não foi tratada na reunião. O presidente da Confederação da Indústria Alemã (BDI), Jürgen Thumann, saudou o programa de eficiência, mas também apontou falhas na estratégia do governo.

"O governo dá um passo curto demais, se sustentar a futura política energética apenas nos dois pilares da eficiência e das energias renováveis. A indústria espera condições para uma matriz energética ampla, que não exclua nenhuma opção e que garante um abastecimento internacionalmente competitivo", disse.

UE e G-8

No encontro de Berlim, seriam discutidas também propostas para enfrentar a concorrência mundial pelas escassas fontes de energia e a mudança climática, assuntos que estarão em pauta nas presidências da UE e do G-8, que a Alemanha vai exercer em 2007.

Na primeira cúpula energética, em abril deste ano, as grandes companhias do setor prometeram realizar novos investimentos de 30 bilhões de euros em centrais e redes de transmissão até 2012, o que agora já começam a colocar em dúvida. Já as empresas do ramo de energias renováveis anunciaram investimentos de 40 bilhões de euros. E o governo comprometeu-se a aplicar 2 bilhões de euros em pesquisa nesta área.

Até meados de 2007, Berlim pretende aprovar um projeto nacional para o abastecimento de energia. Céticos, no entanto, duvidam que este projeto venha a se concretizar, devido à falta de consenso sobre o futuro da energia nuclear. A decisão sobre a desativação ou não do reator Biblis A deve determinar o rumo que a coalizão formada por CDU/CSU e SPD deve seguir.

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