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Cultura

Polêmica em torno do projeto de Oscar Niemeyer para Potsdam

O alto custo e a falta de licitação do projeto de pólo de lazer aquático que Oscar Niemeyer realizou para a capital de Brandemburgo causam protestos entre políticos e arquitetos alemães.

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Será possível voltar atrás?

Oscar Niemeyer estava recepcionando Felipe, o Príncipe de Astúrias, quando o chefe da Superintendência de Planejamento da Prefeitura de Potsdam, Peter Paffhausen, chegou a seu escritório no Rio de Janeiro para negociar a diminuição dos custos do projeto de complexo aquático de lazer para a capital de Brandemburgo.

Infelizmente, os problemas envolvendo o projeto de Potsdam não pararam só nos custos. Em meados de julho, a Câmara de Arquitetos de Berlim, juntamente com a de Brandemburgo, entrou com queixa junto à fiscalização municipal, ao Tribunal de Contas do Estado e à Comissão Européia contra o projeto de Oscar Niemeyer, cujo financiamento depende em grande parte de verbas estaduais e da União Européia.

Os arquitetos se baseiam em uma cláusula da legislação que regula a contratação de profissionais liberais na Alemanha, pela qual nenhuma obra pública poderá ser contratada sem licitação ou concurso, com exceção de obras de valor artístico notáveis. Os arquitetos alemães parecem não querer reconhecer as qualidades artísticas do projeto do grande mestre e querem agora embargá-lo.

O projeto de Niemeyer

Präsentation des Entwurfes von Oscar Niemeyer für das Potsdamer Freizeitbad

Maquete virtual do projeto de Niemeyer para Potsdam

A assinatura do contrato com o escritório de Niemeyer foi feita em janeiro deste ano e em março já estava pronto o projeto, apresentado pelo sobrinho de Oscar Niemeyer com a presença do embaixador brasileiro. Por vídeo, o arquiteto explicou seu projeto:

"Para este projeto, procurei uma solução diferente, que muito me agradou. Decidimos que as piscinas deveriam ter formas diferentes, espalhando-as de forma a integrá-las com a área verde e unindo-as através de uma varanda envidraçada. A entrada do complexo é feita através de uma rua de pouco movimento, de lá se pode ir direto para as cabines e para as piscinas cobertas por uma cúpula de vidro".

E, com certeza, mais uma vez o grande mestre não decepcionou. O complexo, localizado no bairro de Brauhausberg, próximo à estação ferroviária central de Potsdam, é uma lição de controle de formas no espaço. Além do concreto armado e das curvas, talvez esta seja a grande característica arquitetônica das obras de Niemeyer: inspirado nas praças das cidades históricas européias, ele espalha os corpos arquitetônicos em torno de um espaço comum, o que garante unidade e sobretudo um sentimento de sociedade.

Niemeyer acrescenta à sua explicação que "este projeto tem sobretudo um lado humano, é um projeto para o povo, para a juventude e para a saúde".

Os arquitetos de Potsdam

Einsteinturm in Potsdam

A Torre Einstein em Potsdam

O prefeito de Potsdam, Jann Jakobs, lembra que "juntamente com nomes como Georg Wenzeslaus von Knobelsdorff e Karl Friedrich Schinkel, o nome de Oscar Niemeyer será orgulhosamente mencionado nos guias turísticos de Potsdam". Mas Potsdam não é somente palco de arquitetura rococó ou neoclassicista, como é o caso do Palácio Sanssouci de Knobelsdorff e das vilas de Schinkel.

Lá também se encontra a Torre Einstein, construída no início dos anos de 1920. O monumento em homenagem à comprovação da Teoria da Relatividade foi, apesar da forma expressionista, todo construído em alvenaria, e seu arquiteto, Erich Mendelsohn, teve que fugir da Alemanha por ser judeu. Mendelsohn construiu nos Estados Unidos uma cidade completamente moldada nas construções alemãs, que foi usada pelos americanos para testes de bombardeio.

Além disso, uma série de novas construções estão planejadas para aumentar o fluxo de turistas a Potsdam. Estas incluem um teatro, um centro de design da Volkswagen e o complexo aquático de Niemeyer, que está programado para atrair cerca de 400 mil banhistas por ano.

Problemas devem ser resolvidos

A Prefeitura de Potsdam afirmou que nada há de errado na contratação de Oscar Niemeyer para o projeto. O nome de Niemeyer foi escolhido entre os dos 22 arquitetos que já ganharam o Prêmio Pritzker, ou seja, o Oscar da arquitetura. Além disso, a secretária-adjunta de Urbanismo de Potsdam, Elke von Kuick-Frenz, afirma que renomados advogados alemães especialistas em licitações foram consultados antes da contratação do escritório brasileiro.

O custo inicial de 31,5 milhões de euros foi extrapolado pelo projeto inicial de Niemeyer, que custaria 48,3 milhões. Com as modificações negociadas no Rio, o custo, que caiu para 38,5 milhões, já foi aprovado pelo governo de Potsdam, apesar da oposição do Partido de Esquerda. O início da construção está marcado para o começo de 2006, com prazo de entrega para outubro de 2007.

Este deverá ser o segundo projeto de Oscar Niemeyer na Alemanha. Em 1957, por ocasião da Exposição Internacional de Arquitetura (Interbau), foi inaugurado um prédio habitacional do brasileiro no bairro de Tiergarten, em Berlim.

Desta vez porém, Niemeyer e a Prefeitura de Potsdam terão que enfrentar a ira dos arquitetos alemães herdeiros da Bauhaus, a qual Niemeyer, que sempre defendeu a integração da arte com a arquitetura, não cansa de afirmar ter sido o "paraíso da mediocridade".

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