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Mundo

"Podem esquecer o Conselho de Segurança"

O diretor do Instituto Aspen em Berlim é considerado embaixador não oficial de George W. Bush na Alemanha. Numa entrevista à DW-WORLD, ele fala sobre o Iraque, as relações teuto-americanas e a imagem dos Estados Unidos.

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Jeff Gedmin: em missão transatlântica

Jeff Gedmin, nomeado diretor do Instituto Aspen em Berlim no mês de novembro de 2001, é considerado um grande conhecedor das relações entre Estados Unidos e Europa. O instituto, fundado em 1974, é uma instituição apartidária e sem fins lucrativos, sendo seu objetivo a fortificação das relações transatlânticas.

A seguir, a entrevista concedida por Gedmin a Klaudia Prevezanos.

Quanto tempo o senhor acredita que irá demorar a composição de um governo de transição no Iraque?

– Não sei. Nem as secretarias norte-americanas da Defesa e de Estado sabem isso. Deverão ser semanas, se não meses. Trata-se de uma coisa completamente nova. Não se pensa só sobre o que tem de ser feito, mas também qual a forma mais sensata de se fazer isso.

Além do apoio político, que tipo de ajuda financeira os Estados Unidos darão ao Iraque?

– Por alto: a maioria das pessoas no Congresso norte-americano – não só do governo – está convencida de que o trabalho após a guerra tem a mesma importância que a própria guerra. Minha impressão é que, em Washington, aceita-se o fato de ser este um projeto complicado. E ao mesmo tempo caro, mas no momento absolutamente necessário. Em alguns anos, isto poderá ser diferente. Mas eu penso que já se está preparado para o fato de os Estados Unidos terem de participar com mais dinheiro. A quantidade é tema de acirrada discussão no momento. Da mesma forma como os custos da guerra.

As claras ameaças dos EUA à Síria são o caminho certo para pacificar a região e adquirir confiança?

– Mas a pergunta é: a conduta do regime em Damasco é a conduta correta para conquistar confiança? Além isso, estou convencido de que os Estados Unidos não atacarão a Síria. Mesmo que o quisessem, isto na verdade é quase impensável. Nós temos muito o que fazer no Iraque. E há outros problemas que têm de ser resolvidos de forma diplomática: no Irã e na Coréia do Norte. Além disso, George W. Bush é político e ele pretende se reeleger em dois anos.

As relações entre os Estados Unidos e a Alemanha continuam abaladas. De que forma esta guerra no Iraque ainda influirá nas relações entre os dois países no futuro?

– Eu tenho a impressão de que existe um problema de credibilidade de ambos os lados. A questão a ser colocada aos dois lados é: como reconquistar a confiança mútua? Isto não acontece rapidamente. Do ponto de vista dos EUA, a Alemanha continua sendo uma importante parceira. Mas, do ponto de vista estratégico, em Washington existe a pergunta: o que os alemães esperam de nós? Qual a estratégia da política alemã de Relações Exteriores?

As relações estão prejudicadas, mas não foram encerradas. Mesmo assim, as relações poderiam ser outras. Pois esta foi a primeira vez que os americanos lideraram uma guerra, em que um governo alemão fez de tudo para corroer a posição americana e bloquear a nossa política de Exterior. O ex-secretário de Estado Henry Kissinger coloca a pergunta: existem limites para a falta de coesão, quando se quer uma aliança que funcione?

As relações dos Estados Unidos com a comunidade internacional foram seriamente abaladas por causa da guerra no Iraque. Começa agora uma nova era na política, com novas constelações de aliados – entre os que apoiaram os Estados Unidos, de um lado, e os que foram contra o conflito, de outro?

– De qualquer maneira, houve uma cisão: China, Rússia, França, Alemanha - muitas nações importantes rejeitaram esta guerra. Isto não pode ser ignorado. Por outro lado, houve uma série de países importantes, como Japão, Austrália, Dinamarca, que apoiaram a posição dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha. No momento, seria muito precipitado dizer que esta cisão não pode ser superada. Em parte, isto poderá ser possível. Mas, em certos países, os Estados Unidos têm um problema de imagem. Mudar isso é um desafio sério e importante para a política americana de Exterior.

Como podem os Estados Unidos melhorar sua imagem diante da comunidade internacional?

– Neste contexto, os franceses e os alemães podem esquecer o Conselho de Segurança da ONU. Em Washington, é sabido que Gerhard Schröder, Jacques Chirac e Vladimir Putin nunca almejaram conter Saddam Hussein. O que eles queriam era conter Bush e os EUA. Imagino que a lição alemã seja outra, mas de maneira geral esta é a depreensão americana, infelizmente. E ela não será esquecida em Washington. Do que Joschka Fischer e Gerhard Schröder queriam, obtiveram justamente o contrário. Que um um presidente norte-americano diga uma próxima vez: isto é de interesse vital, temos de conversar sobre isso com a França e a Alemanha, e acima de tudo no Conselho de Segurança - isto não deverá acontecer nos próximos anos.

Útil, ao menos para as relações teuto-americanas, seria se ambos – Schröder e Bush – não estivessem mais aí. Uma troca de governo em Washington e em Berlim certamente ajudaria. Além disso, nós americanos temos de nos perguntar onde esteve o secretário de Estado Colin Powell nos últimos dois anos.

Ele é muito benquisto em quase toda a Europa, mas pouco apareceu no cenário político no passado. Este com certeza foi um erro da política norte-americana de relações exteriores. Temos de pensar de que forma ele poderá desempenhar um papel mais marcante no futuro. Em terceiro lugar, os Estados Unidos devem lembrar-se do ditado: quem quer ser líder, precisa de alguém que o siga. Os americanos têm de aprender a prestar mais atenção de vez em quando. (rw)

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