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Economia

Pobre rico Vaticano

O Vaticano é rico, seus negócios misteriosos. Pelo menos é o que se pensa. No entanto, esta riqueza é relativa em relação ao orçamento anual de certas dioceses. E para isso há bons motivos.

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Sobre as finanças do Vaticano só se pode especular

Líder religioso de 1,086 bilhão de católicos em todo o mundo, o papa parece pobre: não recebe salário, nem sequer usa carteira. Para padrões mundanos, ele age como um monarca absolutista, que não suja as mãos com moedas. Mas sempre tem tudo de que precisa.

Mais para pobre

O historiador Hartmut Benz, no entanto, relativiza o clichê das riquezas do Vaticano: "O Vaticano está mais para pobre, se considerarmos suas imensas incumbências". Com o pequeno orçamento de que dispõe, mal parece dar conta das tarefas a serem realizadas. "Há muitos anos, o Vaticano é obrigado a contar com a solidariedade da Igreja de todo o mundo e aceitar doações de mais de cem Igrejas nacionais", explica Benz.

Mesmo assim, o Vaticano evidentemente é rico, mesmo que não seja em valores líquidos. A Basílica de São Pedro e o acervo dos museus não podem ser vendidos, mas mantêm seu valor simbólico. Como o Vaticano não divulga números sobre seu patrimônio, as estimativas são meramente especulativas, oscilando entre um e doze bilhões de euros.

O balanço das receitas e despesas correntes é modesto. Benz explica que a direção da Igreja e o Estado do Vaticano têm orçamentos separados que devem movimentar em torno de 210 milhões de euros por ano. Após uma fase de constante aumento da receita, ambos os orçamentos passaram a ter déficits anuais de mais ou menos 5%, desde 2000. Isso corresponde a cerca de dez milhões de euros.

Muitas dioceses colocam o Vaticano no bolso sem problema nenhum. A arquidiocese de Colônia, por exemplo, que disputa com Chicago o status de mais rica do mundo, teve um orçamento de 680 milhões de euros em 2004. São as dioceses que sustentam a administração romana da Igreja através de subvenções.

Outro mistério é o rendimento do capital investido pelo Vaticano, que possui imóveis e ações, além de hipotecas e ouro. Isso inclui o capital investido que gera dividendos, os bens imobiliários que rendem aluguéis e os lucros obtidos de especulações monetárias. Tudo isso é administrado pela terceira instituição financeira do Vaticano, o Instituto para as Obras da Religião (IOR), também chamado de "Banco do Vaticano". O IOR, que não está sujeito às restrições monetárias e de exportação de divisas existentes na Itália, não divulga balancetes.

Ética e lucro

Sabe-se muito pouco sobre as diretrizes de investimento baixadas pelo papa Paulo VI há cerca de 30 anos. Um fato conhecido é que o principal critério para se investir o capital deve ser de ordem moral, independentemente de haver ou não negócios mais lucrativos. O Vaticano prioriza, portanto, empresas de prestação de serviço, sociedades de utilidade pública e empresas do setor alimentício. "Isso também significa que o Vaticano se mantém distante de especulações moralmente duvidosas do ponto de vista da Igreja", comenta o historiador Hartmut Benz. Conglomerados químicos, que poderiam produzir contraceptivos, ou siderúrgicas que abasteçam a indústria bélica são tabus.

Estas diretrizes de investimento foram formuladas após um escândalo provocado pela notícia de que o Vaticano era acionista de um conglomerado químico italiano, produtor de pílulas anticoncepcionais. A notícia obrigou o IOR a se livrar imediatamente das ações. Basta saber se o Vaticano também vendeu sua participação na Chrysler após a fusão com a Mercedes. Afinal, se não o fez, o papa estaria envolvido – pelo menos indiretamente – na maior oficina bélica da Europa.

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