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Economia

Pobre! Encontro UE-América Latina não convence

Enviado especial da Deutsche Welle a Madri e especialista em América Latina, Johannes Beck analisa a falta de avanços nas negociações de livre comércio.

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Nada de novo no Palácio dos Congressos de Madrid

Quarenta e oito países, quatro conferências de cúpula e apenas um resultado concreto. O encontro em Madri de chefes de Estado e governo da União Européia, América Latina e Caribe, assim como as três subconferências paralelas (UE-Mercosul, UE-Comunidade Andina e UE-México), não brilhou por sucessos palpáveis.

Sem a costumeira retórica contra o unilateralismo dos EUA, os resultados resumiram-se a um acordo de livre comércio com o Chile. "Pobre", devem ter formulado os latino-americanos. Mas, afinal, o que os chefes de Estado fizeram nestes dois dias em Madri?

Com o rei espanhol, comeram no reluzente Palácio Real de Madri. Lá, de onde os monarcas da Espanha dirigiam, em seus tempos, a colonização sobre a América Latina. De decisivo não saiu também nada nesta mesa. Na prática, os chefes de Estado acertaram ser melhor conversar deixar tudo para uma outra vez.

Um acordo de associação com a América Central só deve ser tratado após o fim da rodada da OMC iniciada em Doha. Por vontade dos países da UE, da mesma forma somente então se poderá concluir o acordo com o Mercosul, já em discussão desde 1995.

Nem mesmo os apelos do presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, ajudaram. Ele reivindicou que, não só o Chile, mas também todos os quatro países do Mercosul deveriam comercializar, no futuro, livremente com a UE. "Mas não é assim tão fácil, Sr. Cardoso", devem ter dito os europeus a ele. Afinal, os quatro países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) exportam – ao contrário do Chile – grande volume de carne bovina e cereais. Livre comércio com o Mercosul é, portanto, uma ameaça à agricultura européia, ainda altamente subvencionada.

Mas se os europeus abrissem as portas para a saborosa carne bovina do Pampa argentino, poderiam em contrapartida exportar também mais máquinas e aparelhos eletrodomésticos. Um negócio lucrativo para ambos os lados.

O chanceler federal da Alemanha, Gerhard Schröder, já chamou atenção para isto e apelou para que se feche um acordo com o Mercosul o mais rápido possível. Porém, antes é preciso superar a resistência de "um grande país da UE com longa tradição agrária". No entanto, ele não pode pressionar este país – trata-se da França. Isto tem de ser feito pela imprensa, disse Schröder.

Talvez Schröder e seus colegas europeus devessem sentar-se uma vez com o presidente francês, Jacques Chirac, antes de encontrarem-se novamente com os latino-americanos. Caso contrário, a próxima conferência de cúpula, no México, será tão estéril quanto esta.

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