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Alemanha

Pobre e atrasado: a imagem distorcida de um continente

Uma análise dos livros didáticos alemães comprova que a abordagem só contribui para distorcer a realidade e reforçar os preconceitos acerca da África.

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A distância não pode ser a causa da ignorância e da indiferença: afinal, o continente africano é vizinho da Europa. Não é também que a África esteja ausente dos noticiários. Ela volta e meia ocupa as manchetes, sempre no contexto de pobreza, fome, Aids, genocídio, corrupção. O que talvez ainda continue determinando a percepção do continente pelos europeus são reflexos tardios do colonialismo.

É neste sentido, pelo menos, que argumenta Anke Poenicke, que coordenou um estudo da Fundação Konrad Adenauer (KAS), recentemente divulgado, sobre a imagem da África transmitida pelos livros didáticos alemães. A fundação ligada ao partido União Democrata Cristã (CDU) vem fazendo há anos uma análise sistemática deste assunto.

"Claro que na era colonial havia um interesse em certas estratégias de justificação. E, em parte, dar continuidade a este tipo de apresentação parece vir ao encontro dos nossos interesses. A gente se sente bem, tendo a impressão de ser especialmente inteligente e especialmente competente. E os outros são os que necessitam de ajuda, para quem a gente realiza campanhas de donativos pela televisão", diz Poenicke.

Imagem ultrapassada

Trommler mit Trommeln in Afrika

Em outras palavras: os alemães continuam cultivando uma imagem da África de mais de cem anos atrás. Os livros escolares dão a impressão de que o continente se compõe de selvas povoadas por tribos que estacionaram na idade da pedra, selvagens que vivem se matando por razões étnicas. Enfim, de que os africanos são simplesmente "diferentes" dos europeus.

"O objetivo da Fundação Konrad Adenauer é justamente mostrar que as coisas lá não são totalmente diferentes daqui", esclarece Holger Dix, que viveu oito anos na África a serviço da KAS. "Não assisti a um único conflito que não tivesse motivos típicos dos conflitos na Europa também." Os tutsis e os hutus se combatem no Burundi e em Ruanda não por que os africanos sejam especialmente agressivos, e sim por motivos políticos e econômicos — como ocorre em outros continentes.

Respeito pelo autêntico

Kamelkarawane zieht über die Gräberpiste durch die Sahara

Enquanto a atualidade se reduz ao enfoque dos conflitos, da pobreza, da fome e da Aids, o passado pré-colonial do continente é completamente ignorado pelos livros de geografia e história utilizados nas escolas alemãs, acentua Anke Poenicke. O colonialismo, por sua vez, é abordado sem o mínimo senso crítico. Daí uma reivindicação do estudo coordenado por ela: a de que os fatos sejam apresentados sob o ponto de vista do outro, que a história africana seja desligada do contexto da história européia.

Para que as coisas mudem, não basta realizar análises científicas, admite Poenicke. Para tanto, seria necessário que houvesse a vontade política de rever e reestruturar os programas didáticos como um todo. Até que isso aconteça, os alunos alemães — e certamente não apenas eles — continuarão aprendendo que África é um continente pobre e atrasado.

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