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Futurando!

Plástico feito de açúcar é alternativa verde para polipropileno

Empresa brasileira desenvolveu um material tão forte quanto o plástico convencional, mas que pode ser descartado com outros orgânicos para compostagem. Também resistente a calor e umidade, PHB ainda tem custo alto.

Enquanto alguns cientistas trabalham para transformar dióxido de carbono em polímeros plásticos, como o Futurando desta semana mostrou, novas alternativas ao uso de derivados de petróleo surgem no mercado: os plásticos biodegradáveis. Hoje em dia, alternativas aos derivados do petróleo são produzidas a partir de cereais e outras fontes. No Brasil, uma empresa que nasceu da pesquisa universitária está pronta para colocar no mercado plásticos biodegradáveis à base de açúcar.

O material é produzido por uma bactéria que se alimenta de açúcar e produz o poli-hidroxibutirato como reserva. Eduardo Brondi, gerente administrativo da PHB Industrial – nome derivado da fórmula química do material –, explica que o plástico Biocycle tem características muito semelhantes às do polipropileno. As aplicações do plástico biodegradável também são similares: especialmente peças rígidas produzidas com injeção ou termo-modelagem. “Não é um plástico para filmes transparentes ou sacolas”, explica Brondi.

Mas isso não deixa o plástico de açúcar para trás. O material foi testado até mesmo na fabricação de peças de carro. Diferente de outros compostos orgânicos, sua decomposição não está associada ao calor ou umidade. Ele suporta bem temperaturas de até 150ºC, antes de começar a perder sua forma. “A decomposição é feita por bactérias e, depois do uso, deve ser descartado junto com outros materiais orgânicos para decomposição”.

Essa característica oferece algumas aplicações imediatas para o polímero biodegradável no contexto agrícola. Tubetes para o plantio de sementes podem ser feitos com o material e não precisam ser removidos no replantio das mudas. Braçadeiras para plantas de crescimento monitorado também ganham com o uso do plástico de açúcar e, dessa forma, podem seguir para a compostagem junto com os restos de planta.

Custo ainda elevado

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Numa comparação com outros polímeros de origem vegetal, Brondi assegura que as áreas agricultáveis do Brasil podem garantir a matéria-prima sem interferir em qualquer bioma ou floresta. No entanto, ainda existem dificuldades para que o produto ganhe espaço no mercado. A falta de produção em escala e o preço mais alto é uma delas. Enquanto um quilo de polipropileno custa 2 dólares, o plástico de açúcar sai por 5 dólares.

Na avaliação de Brondi, no entanto, o mercado para produtos baseados em matérias-primas renováveis é crescente e há demanda. “Não há oferta suficiente para promover uma mudança no mercado”, avalia. Isso porque a introdução do PHP na cadeia produtiva requer ajustes. “O uso do Biocycle é diferente de outros materiais, que são substituídos sem que uma mudança no processo seja necessária”. Nesses casos, nem fabricantes e nem consumidores percebem a diferença no processo ou no produto. “O plástico de açúcar está um degrau acima disso”.

Autora: Ivana Ebel
Revisão: Augusto Valente