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Pitadas: Printen, biscoito natalino de melado e especiarias

Luisa Frey
9 de dezembro de 2017

Doce com séculos de história foi influenciado por Napoleão e hoje é símbolo de Aachen, na fronteira com a Holanda e a Bélgica. Os printen decoram vitrines da cidade não apenas no Natal, mas o ano todo.

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Deutschland Gebäck Weihnachten Aachener Printen
Foto: Fotolia/TwilightArtPictures

Assim como a maioria dos doces natalinos alemães e de outros países, os printen têm como principal característica as especiarias. O doce, hoje típico da cidade de Aachen, no oeste da Alemanha, tem séculos de história, e eventos políticos influenciaram sua receita.

Os printen existem desde o século 15 e acredita-se que tenham origem na região de Flandres, nos arredores de Aachen. O nome vem do termo holandês prent (imprimir), pois antigamente os doces eram cortados e tinham motivos natalinos impressos sobre eles com formas de madeira.

Por volta de 1820, os biscoitos começaram a ser feitos em Aachen, hoje localizada na tríplice fronteira entre Alemanha, Bélgica e Holanda. Inicialmente, eles eram vendidos em farmácias, pois se acreditava que as especiarias tinham poder de cura.

Quase dois séculos depois, os chamados Aachener Printen têm sua denominação protegida, ou seja, somente biscoitos fabricados na cidade e em seus arredores podem levar o nome. Os printen são símbolo de Aachen, onde são vendidos por lojas especializadas o ano todo, e não somente no Natal. É lindo ver as vitrines decoradas com uma série de variações do biscoito – com amêndoas, avelã, chocolate – e logo identificar o aroma de canela, cravo e gengibre.

Uma das definições que encontrei para os Aachener Printen foi de "pão de mel sem mel". Tudo porque, em 1806, o então imperador Napoleão Bonaparte impôs um bloqueio continental que impedia que navios do Reino Unido tivessem acesso a portos dos países dominados pelo Império Francês.

Com o bloqueio, foi preciso abrir mão de algumas especiarias e encontrar um substituto para o mel e o açúcar de cana vindos das Américas, que antes chegavam à região de Flandres via Reino Unido. A solução foi o açúcar extraído da beterraba, mais especificamente seu xarope. Hoje, voltou-se a usar melado de cana ou mel.

Logo ao saírem do forno, os printen são mais durinhos, mas muitos preferem o doce mais macio, com textura de pão de mel. Por isso, muitas vezes os biscoitos são amolecidos ao serem deixados em temperatura ambiente num recipiente aberto.

Especialistas dizem que o gosto se intensifica com o tempo e que somente após alguns dias os printen adquirem seu verdadeiro aroma e sabor. Eu concordo.

Confira a receita:

Ingredientes (para cerca de 50 biscoitos)

50 g de cascas de laranja cristalizada

250 g de melado de cana ou mel

70 g de açúcar mascavo

70 g de manteiga

1 pitada de sal

300 g de farinha de trigo

3 colheres (chá) de fermento

200 g de amêndoas sem pele

Meia colher (chá) de canela

Meia colher (chá) de cravo em pó

Meia colher (chá) de cardamomo em pó

Meia colher (chá) de gengibre em pó

Meia colher (chá) de anis estrelado em pó

Farinha para a superfície de trabalho

Modo de preparo

Picar bem as cascas de laranja cristalizadas. Numa panela pequena, levar o melaço, o açúcar mascavo e a manteiga ao fogo, mexendo sempre, até derreter. Despejar numa tigela e deixar esfriar. Acrescentar e misturar as cascas de laranja com o sal e as especiarias.

Peneirar a farinha e o fermento sobre a mistura e misturar bem. Sobre uma superfície de trabalho enfarinhada, trabalhar a massa com as mãos até ficar homogênea. Levar à geladeira por uma hora.

Preaquecer o forno a 180 °C. Abrir a massa até ficar com cerca de 1/2 centímetro de espessura. Cortar retângulos de cerca de 2 x 6 centímetros. Colocá-los sobre uma fôrma coberta com papel-manteiga. Sobre cada retângulo, colocar e pressionar levemente três amêndoas. Assar por cerca de 15 minutos, até os biscoitos ficarem dourados.

Toda semana, a coluna Pitadas traz receitas, curiosidades e segredos da culinária europeia, contados por Luisa Frey, jornalista aspirante a mestre-cuca.