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Mundo

Pistas do terrorismo levam a Molenbeek, na Bélgica

Diversos atentados na Europa têm ligações com este distrito de Bruxelas. Para especialista, descentralização do Estado belga dificulta o combate ao extremismo.

As pistas na caçada aos terroristas e cúmplices nos ataques de Paris conduzem à Bélgica, mais especificamente ao distrito de Molenbeek, localizado nos subúrbios de Bruxelas e que já esteve outras vezes no foco por causa de atentados terroristas.

Segundo a promotoria belga, dois dos terroristas mortos nos atentados eram cidadãos franceses que viviam na Bélgica e ao menos sete suspeitos foram presos nos subúrbios da capital belga. A polícia realizou operações de apreensão e busca em Molenbeek no sábado e neste domingo (15/11).

O primeiro-ministro belga, Charles Michel, afirmou que ao menos um dos homens detidos no distrito de Bruxelas é suspeito de ter estado em Paris na noite dos atentados. Além disso, dois veículos com placas belgas foram apreendidos em Paris e arredores, um deles perto da casa de espetáculos Bataclan. Um bilhete de estacionamento emitido em Molenbeek foi encontrado num dos carros.

Autoridades, no entanto, ainda não quiseram comentar os relatos de que os ataques poderiam ter sido, em grande parte, planejados em Bruxelas, que uma das três equipes de terroristas saiu de lá e que no mínimo três dos suspeitos de terrorismo viviam na "capital" da União Europeia.

Madri, Charlie Hebdo e Thalys remetem a Molenbeek

Esta não é a primeira vez que Molenbeek, distrito a oeste de Bruxelas e que é o lar de muitos muçulmanos, principalmente de famílias oriundas do Marrocos e da Turquia, é ligado ao terrorismo. Um proeminente membro do grupo por trás dos atentados em trens de Madri, em 2004, que mataram 191 pessoas, era um homem nascido no Marrocos e que vivia em Molenbeek.

O distrito de Bruxelas está relacionado aos dois ataques na França neste ano. Autoridades de segurança afirmaram que Amedy Coulibaly, responsável por quatro mortes num mercado judaico em Paris na época do atentado contra o jornal Charlie Hebdo, adquiriu armas em Molenbeek. Assim como o homem que foi dominado em agosto num trem de alta velocidade Thalys, que viajava entre Amsterdã e Paris, antes de conseguir disparar suas armas.

Um suposto complô para atacar a polícia belga em janeiro, que foi evitado com uma operação policial que matou dois homens na cidade belga de Verviers, tinha conexões com Molenbeek. E um francês acusado de matar a tiros quatro pessoas no Museu Judaico de Bruxelas, no ano passado, também passou um tempo no distrito.

Estado descentralizado

Muitos especialistas em segurança internacional há bastante tempo têm visto a Bélgica, com sua grande população muçulmana, estruturas estatais fragmentadas devido a profundas divisões em flamengos (língua holandesa) e valões (língua francesa) e um histórico de mercado de armas de fogo (legais e ilegais), como o "calcanhar de Aquiles" da Europa no que tange à violência islâmica.

"A Bélgica ostenta uma posição central no coração da Europa. É um país pequeno, cuja localização favorece o movimento de pessoas com intenções hostis", disse Michel, insistindo, no entanto, que sua coalizão de centro-direita, no poder há um ano, está enfrentando o problema.

Belgien Polizisten

Especialista: "Em algumas partes de Bruxelas existem áreas onde a polícia tem pouca influência, áreas muito segregadas".

A extrema descentralização local, que tem sido a resposta da Bélgica às forças regionais que tentam dividi-la há décadas, enfraquece a resposta do Estado a ameaças como o terrorismo, afirma o professor do Centro de Terrorismo e Contraterrorismo da Universidade de Leiden, Edwin Bakker.

"A Bélgica é um Estado federado e isso sempre é uma vantagem para terroristas. As várias camadas governamentais travam o fluxo de informações entre os investigadores", disse, acrescentando que a Bélgica, por muito tempo um grande fabricante de armas, também havia se tornado um centro de distribuição para o tráfico de armas a partir dos Bálcãs e outros lugares.

"Em algumas partes de Bruxelas existem áreas onde a polícia tem pouca influência, áreas muito segregadas, que não sentem que são parte do Estado belga", afirma Bakker. "Embora vizinhos possam ter visto algo acontecendo, eles não passam a informação adiante à polícia."

Proporcionalmente à sua população de aproximadamente 11 milhões de habitantes, dos quais meio milhão de muçulmanos, a Bélgica é o país que mais contribuiu com combatentes estrangeiros na guerra civil na Síria – são mais de 300 cidadãos belgas, segundo estimativas do ano passado.

PV/rtr/ots

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