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Cultura

Pintores alemães transformam hospital em galeria de arte

Mais de cem artistas transformam um hospital abandonado na cidade de Bonn num grande projeto de arte. Ao mesmo tempo em que alteram o ambiente, os artistas também são influenciados pela atmosfera do antigo hospital.

Um grupo de artistas transformou o edifício de um antigo hospital em uma oficina de arte coletiva. O espaço colorido e em constante mutação trata de temas como a doença, a vida e a morte.

No segundo andar do hospital St. Josef, em Königswinter, nos arredores de Bonn, o ar é quente, úmido e tem cheiro de flores recém cortadas. O chão de um dos quartos no final do corredor foi coberto com terra, e lá crescem plantas em meio a velas de cemitério. As paredes são cobertas por fotos de uma mulher.

Kulturkrankenhaus Königswinter

Terminal – o último verão de St. Josef reúne diversos artistas

Trata-se da esposa do artista Günter Karl, falecida há um ano e meio. Seu marido transformou o quarto em um espaço de luto que relembra sua mulher e o ajuda a superar a morte dela.

"Há um ano, não podia pegar no pincel ou mesmo fazer um desenho a lápis", lembrou Karl. "Estava paralisado, não conseguia mais trabalhar". Hoje ele se sente melhor, e o lugar ajudou-o a superar a dor de perder sua parceira depois de 39 anos de vida juntos.

Hospital cultural

St. Josef não é um hospital comum, e sim um hospital cultural. No verão anterior, os pacientes, médicos e enfermeiros foram transferidos para um outro prédio e deixaram o antigo hospital vazio, a espera da demolição. O artista Helmut Reinelt teve então a ideia de utilizar o local para um projeto artístico.

Depois de um pouco de trabalho, ele conseguiu convencer a direção do hospital, que deu seu consentimento ao projeto. "Assim que perguntei a outros artistas se queria participar, rapidamente a notícia se espalhou", afirmou Reinelt.

Kulturkrankenhaus Königswinter

Obra de Günter Karl relembra sua falecida mulher

Com o nome de Terminal – o último verão de St. Josef, o projeto agrupa uma centena de artistas que têm à sua disposição uma área de 4 mil metros quadrados, distribuídos em seis andares. Nesse espaço eles pintam, constroem e dão um novo aspecto aos quartos. Além de também organizarem shows, concertos, leituras e peças teatrais - tudo com entrada franca.

"Nós mesmos financiamos o projeto, sem subsídios estatais. Todo mundo que quer participar tem que fazer uma contribuição inicial de 35 euros. Com esse dinheiro, financiamos todo que precisamos", disse o artista.

Reflexões sobre a vida e a morte

O estéril hospital se transformou em um colorido centro artístico, com diferentes formas e cores. Mas não foram somente os artistas que transformam o espaço - o hospital também tem influência no trabalho deles.

Kulturkrankenhaus Königswinter

Artistas trabalham no prédio até o fim do ano

Regine Kleiner e Andrea Goost pintaram o teto do necrotério de azul celeste e as paredes são da cor do mar. Nas câmeras refrigeradas, onde antes ficavam os cadáveres, hoje estão espalhados sal e carvão como símbolos elementares da vida. "O mar nos leva para o desconhecido, e o barco sobre a mesa de autópsias é um instrumento de transição. O mar e o céu sugerem a amplitude que se contrasta com o espaço em si."

Muitos artistas têm como tema de suas obras a vida, a morte e a doença. Helmut Reinelt se mostrou feliz com a relação que se desenvolveu entre os artistas e o prédio, e diz que o confronto com a morte é algo bastante casual. "Talvez tenha a ver com o fato de o prédio estar condenado à morte", disse.

O prédio será demolido em outubro ou novembro, mas até lá os artistas podem trabalhar. O projeto é um processo, assim como o de Günter Karl após a morte de sua esposa. O quarto de sua obra reflete seu estado de espírito, e a cada dia está mais iluminado.

Autor: Christoph Ricking (mas)
Revisão: Francis França

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