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Economia

PIB alemão deve crescer 1,5% em 2005

Previsão é de cinco dos seis principais institutos de pesquisa econômica do país. Exportações crescem menos, demanda interna continua fraca e situação do mercado de trabalho não melhora.

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Apresentação do prognóstico conjuntural em Berlim

O fraco desempenho do consumo interno e a desaceleração da recuperação econômica mundial, com efeitos negativos para as exportações, podem frear a retomada da economia alemã em 2005. No próximo ano, o Produto Interno Bruto (PIB) do país crescerá apenas 1,5%, depois de atingir uma taxa de 1,8% em 2004.

É o que prevêem os institutos de pesquisas econômicas Ifo (de Munique), HWWA (Hamburgo), RWI (Essen), IfW (Kiel) e IWH (em Halle), no prognóstico conjuntural de outono, divulgado nesta terça-feira (19/10), em Berlim. Com isso, a Alemanha novamente cairá para o último lugar no ranking de crescimento econômico entre os 25 países da União Européia. Em 2004, ocupa a 19º posição, à frente da Áustria, Holanda, Malta, Portugal e Itália.

Apenas o Instituto Alemão de Pesquisa Econômica (DIW), sediado na capital alemã, é mais otimista, estimando um aumento de 2% do PIB no próximo ano. "Um forte crescimento na zona do euro dinamizará as exportações e as empresas alemãs já estão investindo mais", justifica o DIW.

Os outros institutos também explicam que, descontados os dias trabalhados a mais em 2004 (no ano que vem, haverá mais feriados), o crescimento meramente conjuntural pode passar do atual 1,3% para 1,7%. No entanto, a evolução do preço do petróleo, da relação cambial entre euro e dólar e da economia chinesa é considerada um fator de risco para qualquer previsão pelos economistas.

Estagnação no mercado de trabalho

Pelo menos num ponto há consenso entre os economistas: ainda que a economia alemã continue crescendo lentamente, a situação no mercado de trabalho permanece praticamente inalterada. A maioria das 165 mil microempresas e dos 600 mil miniempregos surgidos nos últimos anos resultaram do processo de terceirização usado por grandes empresas para economizar salários e contribuições sociais, e não sinalizam uma superação do desemprego estrutural.

Para 2005, os institutos prevêem uma queda mínima da taxa de desemprego de 10,2% para 10,1%, ou seja, cerca de 4,3 milhões de pessoas continuarão sem ocupação. O número de empregos aumentará em 80 mil este ano e em 200 mil no ano que vem. Para evitar riscos de inflação, os institutos pedem que os sindicatos moderem suas reivindicações salariais, mantendo-as relativamente baixas a médio prazo.

O governo alemão, que apresentará seu prognóstico conjuntural na próxima segunda-feira (25/10), espera uma "ampliação da base de recuperação econômica para 2005, principalmente em função de impulsos vindos das exportações", disse o ministro da Economia, Wolfgang Clement.

Segundo os institutos de pesquisas econômicas, o aumento das exportações, principal responsável pelo surpreendente crescimento de 1,8% em 2004, deverá ser menor em 2005. "A dinâmica da demanda dos Estados Unidos e do Leste Asiático diminui, enquanto as encomendas de países da União Européia aumentam", afirmam. A previsão é de que as exportações cresçam 5,9% no ano que vem, contra 10,2% este ano.

O consumo interno, que estagnou em 2004, deverá crescer 0,8% em 2005, "o que é insuficiente para compensar as perdas nas exportações", dizem os institutos. Os altos custos da energia e as incertezas relativas aos salários estariam matando nos alemães a vontade de ir às compras.

Os institutos também prevêem que, pelo quarto ano consecutivo, a Alemanha em 2005 desrespeitará o Pacto de Estabilidade da UE, atingindo um déficit público de 3,5% do PIB (3,8% em 2004).

Pessimistas falam em crise

Os dados divulgados em Berlim voltam a dar argumentos a certos especialistas habituados a falar em "crise da economia alemã". Eles mencionam, por exemplo, as atuais dificuldades enfrentadas por empresas tradicionais, como a KarstadtQuelle, Opel, Siemens, DaimlerChrysler e Volkswagen, que ameaçam cortar 45 mil empregos este ano e transferir capital para o Leste Europeu.

Segundo o jornal Süddeutsche Zeitung, esse debate em parte histérico pouco tem a ver com a real situação econômica do país, que "está longe de ser tão ruim como afirmam os apocalípticos". Apesar do euro forte, os produtos Made in Germany são cobiçados no exterior, devido à sua alta qualidade, ressalta o jornal. Segundo o Fórum Ecômico Mundial, somente empresas dos Estados Unidos e da Finlândia são mais competitivas do que as alemãs.

Na avaliação do Süddeutsche Zeitung, os problemas atuais de algumas grandes empresas decorrem de erros gerenciais e não da falta de competitividade da economia alemã, que desde os anos 90 até gerou empregos (por exemplo, 100 mil na indústria automobilística e 200 mil no comércio). "O cerne do problema é que temos um potencial de crescimento muito baixo, comparado com a média de 3% atingida pelos EUA nos últimos anos. Mas as reformas em curso dão sinais de que a situação começa a melhorar", conclui o jornal.

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