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Cultura

Philip Glass estréia ópera em Erfurt

"Esperando os Bárbaros", mais novo trabalho do compositor norte-americano Philip Glass, é uma ambiciosa ópera que critica a invasão dos Estados Unidos ao Iraque.

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O magistrado (e): objeto de tortura

Erfurt, uma pequena cidade no Estado de Turíngia, entrou para o mapa mundial da ópera com a estréia internacional do novo trabalho do compositor minimalista norte-americano Philip Glass.

Esperando os Bárbaros, uma alegoria sobre opressores e oprimidos baseada no romance do sul-africano John Maxwell Coetzee, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2003, teve sua primeira apresentação no sábado (10/09) no novo Teatro Municipal de Erfurt.

O teatro, dirigido por Guy Montavon, encomendou o trabalho, que é a décima quinta ópera da carreira de Glass.

Crueldade na fronteira

Theater Erfurt Philip Glass Oper Warten auf die Barbaren

Cenário foi desenhado pelo russo George Tsypin

O protagonista da história, o magistrado, é um leal servo do império, há anos responsável pela administração de um pequeno povoado na fronteira de um país de nome desconhecido e que ignorou a ameaçadora onipresente de uma guerra com os "bárbaros", um povo nômade demonizado pelo regime que ele próprio representa.

Chocado com o cruel e injusto tratamento dos prisioneiros de guerra, o magistrado comete um quixotesco ato de rebelião que lhe vale o título de inimigo do Estado e o torna um objeto de humilhação pública e tortura.

Segundo Montavon, diretor do teatro, a ópera – cujo libreto foi escrito por Christopher Hampton (roteirista de filmes como Ligações Perigosas) – tem duas horas de duração e é dividida em 20 cenas, seguindo à risca o livro em que foi baseado. Por enquanto, estão previstas seis apresentações.

O barítono britânico Richard Salter foi escolhido para representar o papel principal, enquanto o cruel Coronel Joll é interpretado pelo barítono norte-americano Eugene Perry, que já participou de vários trabalhos de Glass.

"A música de Philip Glass é muito harmônica e fácil de ouvir", elogia Montavon.

Theater Erfurt Philip Glass Oper Warten auf die Barbaren

Salter e Perry em cena

Alegoria da guerra do Iraque

O compositor vê o trabalho como uma crítica à guerra no Iraque empreendida pelo presidente George W. Bush – motivo pelo qual Glass muito se surpreendeu ao receber um convite de um teatro de Austin, no Texas, para estrear a ópera nos EUA.

"Ficamos realmente muito surpresos", disse Glass à agência de notícias alemã dpa. "Mas Austin não é o Texas", disse, adicionando que a política de Bush não é mais tão criticada hoje em dia quanto foi no início da guerra.

Glass elogiou o Teatro de Erfurt por receber o trabalho e pelo comprometimento com a música contemporânea em geral. Ele também destacou as qualidades musicais do teatro, afirmando que o coro e a orquestra não tiveram dificuldade alguma para recriar seu universo sonoro.

"Este tipo de abertura não é fácil de encontrar em outros teatros", disse.

Projeto ambicioso

Erfurt consegiu atrair o maestro norte-americano Dennis Russel Davies – que conduziu vários dos trabalhos anteriores de Glass – para a produção. "Ele é o melhor 'parteiro' para os meus trabalhos", ressaltou Glass.

Theater Erfurt Philip Glass Oper Warten auf die Barbaren

O magistrado e uma bárbara: compaixão

Os cenários foram desenhados pelo artista russo George Tsypin, e os figurinos são do estilista alemão Hank Irwin Kittel.

Glass disse que sempre gosta de manter contato com teatros que apresentam seus trabalhos e afirmou que poderia até voltar a Erfurt futuramente.

Aberto em setembro de 2003, o Teatro Municipal de Erfurt levou quatro anos para ser construído. Ele é composto de um auditório principal com 800 lugares e de um palco menor, com capacidade para 200 pessoas.

Trata-se do primeiro teatro construído na ex-Alemanha Oriental desde 1960 e da maior casa de espetáculos construída em toda a Alemanha desde 1995.

Haverá apresentações adicionais de Esperando os Bárbaros nos dias 17, 24 e 30 de setembro e 16 e 26 de outubro.

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