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Economia

Petróleo por propina

Comissão independente de investigação confirma o envolvimento de 2200 firmas de 66 países, inclusive da Alemanha, no escândalo de suborno ao regime do ex-ditador Saddam Hussein.

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Relatório final da comissão de inquérito

Foi divulgado em Nova York, nesta quinta-feira (27/10), o relatório final da comissão independente de investigação formada pelo professor suiço Mark Pieth, pelo juiz sul-africano Richard Goldstone e presidida pelo ex-chefe do Banco Central Americano, Paul Volcker, incumbida de investigar as acusações de corrupção no programa Petróleo por Comida das Nações Unidas.

Com o embargo imposto ao Iraque, após a Guerra do Golfo em 1990, tornou-se escasso o fornecimento de medicamentos e material hospitalar enquanto a carência de alimentos tomava dimensões catastrofais. Por questões humanitárias, foi criado o programa Petróleo por Comida a partir de 1995. Ele permitia ao Iraque vender limitada quantidade de petróleo e comprar bens primários.

O programa, coordenado por uma comissão das Nações Unidas, tornou-se um antro de corrupção, através do qual 2200 empresas de 66 países teriam subornado o governo do antigo ditador iraquiano na compra e venda de petróleo e outras mercadorias. O relatório confirma a participação de 63 firmas alemãs no escândalo.

O dinheiro move o mundo?

Em entrevista à emissora WDR, o professor de Direito Criminal da Universidade de Basiléia Mark Pieth, não se intimidou em citar nomes: "Eu tenho que citar dois nomes. Sinto muito, mas é verdade. A DaimlerChrysler é mencionada, e o nome da empresa Siemens também aparece".

Segundo o professor, a comissão seguiu o rastro dos pagamentos e das encomendas para tirar as suas conclusões. No período entre 1996 e 2003, foram pagos 1,8 bilhão de dólares de propina ao Iraque, dos quais 22 milhões provenientes diretamente da matriz das firmas alemãs.

Na opinião de Pieth, esta seria uma parcela irrisória, se compararmos com as propinas oriundas das subsidiárias alemãs em outros países. Para o suíço, uma pergunta freqüente é se as firmas estariam a par do que seus agentes estavam fazendo no Oriente Médio.

Salve-se quem puder

Além da exportação ilegal de 11 bilhões de dólares em petróleo, a superfaturação de contas, com a aprovação dos funcionários das Nações Unidas, era a forma mais comum de corrupção, afirma o relatório da comissão independente de inquérito.

A edicão desta sexta-feira (28/10) do Financial Times Deutschland ( FTD) cita, como exemplo, a venda de um carro blindado para o transporte de dinheiro do Ministério do Petróleo para o escritório de Saddam Hussein. O automóvel custava 136 mil marcos, a ONU aprovou uma conta de 149 mil marcos da DaimlerChrysler, dos quais pelo menos 7100 marcos foram para os cofres do governo de Saddam.

A Siemens aparece envolvida em um negócio de turbinas num montante de 540 mil euros, 50 mil dos quais estavam superfaturados. Outras firmas alemãs como a Carl Zeiss, a SSS Starkstrom ou a Frenesius são também citadas no relatório.

O FTD anuncia que a DaimlerChrysler se defende em declaração, explicando que as regras do programa das Nações Unidas teriam sido muito complicadas de entender. A Siemens, que colaborou com a comissão de investigação, considerou as conclusões do relatório "apressadas e injustas", comentou o seu porta-voz, nesta sexta-feira, em Munique.

Cabeças rolarão

Uma das acusações mais graves do relatório é a preferência, por parte do governo iraquiano, de venda de petróleo a firmas francesas, chinesas e russas, enquanto eram negados contratos a firmas americanas e inglesas.

UNO Sicherheitsrat, syrischer Botschafter Mekdad

Conselho de Segurança das Nações Unidas falhou

Todos estes países fazem parte do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A comissão observa que, durante o período do programa humanitário, enquanto países como a França, China e Rússia pleiteavam o fim das sanções ao Iraque, Estados Unidos e Reino Unido queriam a sua continuação.

O presidente da comissão de investigação declara que o secretariado-geral da ONU, o Conselho de Segurança e os funcionários responsáveis pelo programa teriam falhado vergonhosamente. Nos Estados Unidos, levantam-se as vozes dos que pedem a renúncia do secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan.

No encerramento da entrevista, o professor Mark Pieth declara: "Eu pude tirar duas lições desta investigação. A primeira é que a ONU está, infelizmente, muito mal organizada e precisa ser urgentemente reformada; a segunda é a decepção por saber que mais de 2200 firmas foram capazes de participar em um escândalo de corrupção somente pelo lucro rápido".

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