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Mundo

Petróleo – bênção e maldição na Venezuela

A situação na Venezuela agravou-se ao extremo após mais de cinco semanas de greve geral. A indústria petrolífera está paralisada e o abastecimento da população entrou em colapso.

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Presidente Hugo Chávez entre correligionários

O presidente Hugo Chávez parece ter perdido a paciência e ameaça decretar o estado de sítio. Isto não significaria, porém, nenhuma mudança na situação vigente, segundo opinião de Michael Lingenthal, representante em Caracas da Fundação Konrad Adenauer – entidade alemã ligada à União Democrática Cristã (CDU).

Lingenthal: "De certa maneira, já existe um estado de sítio real, pois as forças militares são acionadas de maneira ampla para romper a greve no setor petrolífero, e também através da intervenção da polícia na capital. Tudo isto já tem, em parte, o caráter de um estado de sítio – mesmo que ele ainda não tenha sido decretado oficialmente."

Michael Lingenthal vê atualmente pouca perspectiva de uma solução pacífica do problema: "Os participantes dos protestos são classificados de terroristas, golpistas, parasitas e sabotadores. O presidente não se afasta um milímetro das suas posições. Não se tem a impressão de que ele faz qualquer coisa para reduzir as tensões e lograr realmente um consenso pacífico".

Renúncia ou eleição

A oposição reivindica a renúncia do presidente Chávez, ou pelo menos a convocação de novas eleições. O cientista político Dario Azzellini, de Berlim, acredita que tais reivindicações são apenas a fachada do problema. Na verdade, a questão seria bem mais profunda: "O problema básico é o fato de a Venezuela ser um país rico, graças ao petróleo, mas que durante décadas foi explorado pela classe dominante, a qual controlava a empresa petrolífera estatal e muitos outros setores importantes. Foi isto também que causou a derrocada do antigo sistema partidário e possibilitou o êxito eleitoral de Chávez".

Por este motivo, afirma o analista alemão, as greves e protestos contra Hugo Chávez são apoiados sobretudo pelas classes média e alta. Elas são muito influentes, mas constituem claramente a minoria da população venezuelana: "Principalmente entre as camadas mais pobres do país – que, na Venezuela, constituem 80% da população – o apoio a Chávez é muito, muito grande. E isto, em decorrência das medidas sociais que foram tomadas: seguro gratuito de saúde, escolas gratuitas até às universidades, distribuição de terras etc".

Por isto, a conclamação oposicionista a novas eleições pode ser um tiro pela culatra. Os pobres, agora beneficiados pelas novas formas de assistência estatal, não têm qualquer motivo para eleger outro candidato que não seja o próprio Hugo Chávez.

Petróleo como causa

Na opinião do jornalista alemão Norbert Ahrens, especialista em temas latino-americanos da Deutsche Welle, a crise na Venezuela conta com o apoio, no mínimo tácito, dos Estados Unidos. Já na tentativa de golpe de Estado contra Hugo Chávez, em abril do ano passado, Washington já teria desempenhado um papel ativo. Pouco antes, o presidente venezuelano mudou toda a diretoria da estatal Petróleos de Venezuela (PDV), o que teria gerado a revolta dos militares comprometidos com o antigo regime.

Norbert Ahrens: "Já que a Venezuela é o quinto maior produtor de petróleo do mundo e costuma exportar 80% da sua produção para os EUA, não podia e nem pode agradar aos norte-americanos, que a empresa petrolífera estatal tenha uma diretoria que apoie Chávez. O populista de esquerda e amigo de Fidel Castro é tido em Washington como um comunista camuflado, que pode tornar-se um fator adicional de distúrbio em situações de crise. A sua derrubada não tem a mesma prioridade que a de Saddam Hussein para a política exterior dos EUA, mas é evidente nos dois casos que o petróleo constitui um motivo central."