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Ciência e Saúde

Pesquisadores questionam cura de bebê com HIV

Notícia de que bebê infectado pelo vírus da aids teria sido curado nos EUA causou grande furor, mas especialistas alemães veem o caso com desconfiança e levantam dúvidas sobre as pesquisas realizadas.

"A notícia foi recebida com grande interesse, mas também com algum ceticismo", afirma o especialista alemão em HIV Norbert Brockmeyer, sobre o caso do bebê americano que havia sido infectado pelo vírus da aids e que, de acordo com pesquisadores dos Estados Unidos, estaria curado. O caso foi apresentado em uma conferência em Atlanta pela virologista Deborah Persaud, da Universidade John Hopkins, de Baltimore.

Os médicos só descobriram que a mãe da criança tinha HIV pouco antes do parto, em 2010, o que significa que o bebê não recebeu tratamento para a redução do risco de infecção durante o pré-natal. Após o nascimento, a criança foi tratada com uma combinação de três drogas diferentes. Os testes confirmaram a suspeita de contaminação, mas, depois de um mês de tratamento, os sinais do vírus praticamente haviam desaparecido, como relataram os médicos de Baltimore.

Prof. Jürgen Rockstroh da Universidade de Bonn.

Prof. Norbert Brockmeyer, especialista em HIV da Universidade de Bochum

Brockmeyer diz que o caso foi discutido em detalhes durante a conferência e acabou gerando muita desconfiança. "Minha dúvida é se a criança estava de fato infectada ou se (a suposta cura) não foi de fato o êxito de uma profilaxia pró-exposição", afirma.

A terapia preventiva é feita nos casos em que admiti-se o risco de que tenha havido a infecção – como, por exemplo, quando alguém é ferido por uma seringa. Numa situação do tipo, é aplicado um tratamento antirretroviral de emergência dentro de 24 horas para evitar que o vírus se aloje no organismo.

As células estavam de fato infectadas?

Brockmeyer evita utilizar o termo "cura" e não acredita se tratar de fato de uma infecção curada após a aplicação da terapia. Da mesma forma, o médico Jürgen Rockstroh, da Universidade de Bonn, questiona o não esclarecimento de alguns pontos: "A replicação do HIV já havia sido iniciada ou foi evitada pela profilaxia?"

Na opinião dos especialistas, faltam evidências de que o vírus realmente já havia se integrado às células do bebê. Se fosse este o caso, diz Brockmeyer, e o vírus de fato tivesse desaparecido, aí sim se poderia falar em cura.

"Antes que os pesquisadores revelem mais dados da pesquisa, tudo isso na minha opinião são apenas indícios. Mas estamos na direção certa", ressalta Brockmeyer, que diz que, em todo caso, está clara a necessidade de se iniciar o tratamento sempre o mais cedo possível.

Deutsche AIDS-Gesellschaft e.V. DAIG Präsident: Prof. Dr. med. Jürgen Rockstroh. Pressebild Quelle: www.daignet.de Undatierte Aufnahme, Eingestellt 01.12.2009

Prof. Jürgen Rockstroh da Universidade de Bonn.

Cura funcional

Um termo muito utilizado na conferência de Atlanta é "cura funcional". Isso significa, segundo Brockmeyer, que componentes virais podem ser detectados, mas sem haver sinais de vírus proliferados. Apenas fragmentos foram encontrados no sangue da menina de dois anos e meio, isso após o tratamento da criança ter terminado já há um bom tempo. Os médicos de Baltimore acreditam que o sistema imunológico da menina será capaz de se defender por conta própria.

Apesar do ceticismo, Brockmeyer admite que os médicos e cientistas de Baltimore têm excelência em pesquisas sobre o HIV. Ele critica, no entanto, que nem todos os estudos genéticos tenha sido feitos. Segundo Jürgen Rockstroh, o resultado pode se tratar de um caso isolado. "Qual é a importância disso para nós? No momento eu não vejo quais grandes avanços isso pode trazer, até o momento não houve nenhuma explicação convincente", questiona.

Autor: Gudrun Heise (rc)
Revisão: Rafael Plaisant Roldão

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