Pesquisadores pedem reformulação do órgão científico de mudanças climáticas | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 11.02.2010
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Mundo

Pesquisadores pedem reformulação do órgão científico de mudanças climáticas

Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas é alvo de críticas. Pesquisadores pedem renovação na estrutura da entidade e renúncia de Rajendra Pachauri.

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Presidente do IPCC, Rajendra Pachauri

A imagem do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) não é mais a de um portador do Prêmio Nobel da Paz. O órgão passa por maus momentos desde o final do ano passado, e a crise agora se agravou: pesquisadores do clima de diversos institutos pedem que o engenheiro e economista indiano Rajendra Pachauri, chefe do IPCC, abandone o cargo.

Para Hartmut Grassl, diretor do Instituto Max-Planck de Hamburgo, o atual líder do IPCC deveria se afastar do cargo para permitir uma renovação na entidade. Hans Von Storch, diretor do centro de pesquisas GKSS, diz que Pachauri colocou o IPCC numa situação delicada por não ter impedido a divulgação de informações inverídicas no relatório do clima lançado em 2007.

Mudanças profundas

"O IPCC precisa de uma reforma geral", defende o pesquisador britânico Mike Hulme, da Universidade East Anglia. Um artigo publicado na revista Nature, assinado por Hulme e outros quatro pesquisadores, ataca diretamente o Painel e diz que sua estrutura e administração dos processos já passaram da data da validade.

Mike Hulme propõe a extinção do IPCC e, em contrapartida, a fundação de outras três organizações encarregadas de lidar com o aquecimento global. Eduardo Zorita, pesquisador da GKSS que também assina o artigo, sugere que uma dessas instituições seja criada como um braço da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) e outra sob a tutela da Agência Internacional de Energia (IEA).

Começo da crise

Os ataques ao IPCC se tornaram públicos desde a revelação de um erro no relatório do clima de 2007. Segundo o documento, as geleiras do Himalaia poderiam desaparecer até 2035 devido à velocidade do derretimento. No entanto, cientistas consideram que o fato possa acontecer somente em 2350.

"Esse erro não deveria ter passado", critica Ottmar Edenhofer, do Instituto de Potsdam para a Pesquisa de Impactos Climáticos (PIK). Ao admitir a falha no início desse ano, Pachauri prometeu mais rigor nas pesquisas.

No final de 2009, hackers divulgaram na internet e-mails trocados entre cientistas do clima da Universidade East Anglia. Na correspondência, os pesquisadores acusavam especialistas de clima da ONU de ocultar informações que possivelmente questionariam a tese do aquecimento do planeta. O IPCC classificou o ato como uma tentativa de descreditar a entidade.

NP/ afp/dpa

Revisão: Simone Lopes

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