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Ciência e Saúde

Pesquisadores americanos quebram recorde de submersão aquática

Ninguém passou mais tempo debaixo d'água do que a dupla de biólogos Bruce Cantrell e Jessica Fain. Depois de 73 dias vivendo num sino de mergulho numa baía da Flórida, eles retornam à superfície.

Em 3 de outubro deste ano, os biólogos Bruce Cantrell e Jessica Fain, professores da Roane State Community College do Tennessee, nos EUA, mergulharam até um laboratório subaquático na baía da ilha coral de Key Largo, na costa da Flórida. Até então, o recorde de uma estadia prolongada num sino de mergulho era de 69 dias. Cantrell e Fain quebraram essa marca na última semana, e, depois de 73 dias submersos, os dois retornaram à superfície nesta segunda-feira (15/12).

Visto que o laboratório subaquático está localizado a sete metros de profundidade, ele é acessível apenas a mergulhadores. Uma vez lá, os pesquisadores podem se secar, trocar de roupas e viver um cotidiano praticamente normal. Na câmara, há uma pressão constante de 1,7 bar, o que é um pouco menos do que o dobro da pressão atmosférica ao nível do mar.

O laboratório é, na realidade, um excepcionalmente grande e bastante confortável sino de mergulho – praticamente uma avantajada câmara de pressão. Ele é equipado com camas, uma pequena cozinha e uma geladeira. Das janelas do sino de mergulho, veem-se os recifes de coral. E, abaixo do sino, há também uma abertura de entrada.

Através dessa abertura, outros mergulhadores abasteciam a dupla de biólogos regularmente com alimento frescos, bebidas e roupas. Até mesmo uma televisão e conexão wi-fi estão disponíveis na câmara de 28 metros quadrados. Ar fresco é bombeado através de uma mangueira.

USA Dozenten auf gutem Weg zum Unterwasser-Weltrekord Bruce Cantrell und Jessica Fain

Jessica Fain e Bruce Cantrell na entrada do sino de mergulho

Mergulho de saturação

O termo médico usado para definir permanências de longo prazo numa câmara submersa é mergulho de saturação. Esse procedimento é usado por mergulhadores profissionais que precisam trabalhar por tempos mais longos sob a pressão da profundidade – como nos chamados caixões utilizados para construir seções de túneis.

Com estadias mais longas num ambiente subaquático, evita-se que os mergulhadores passem por mudanças bruscas de pressão no início e no final de cada dia de trabalho. Ou seja, é melhor que eles permaneçam embaixo d'água.

Assim, no sangue do mergulhador se acumula tanto nitrogênio quanto ele pode absorver, e esse nível se mantém estável durante todo o tempo de permanência nas profundezas. Isso geralmente ainda não é problemático na profundidade de sete metros, na qual Cantrell e Fain permaneceram.

Baixo risco de narcose por nitrogênio

O nitrogênio tem efeitos tóxicos apenas a partir de uma profundidade de 20 a 30 metros. Pode surgir a narcose por nitrogênio: os mergulhadores ficam num estado de euforia e têm sensação de dormência nas extremidades do corpo e perda da visão periférica.

Um segundo problema médico surge durante a emersão, ou seja, no procedimento de mergulho no qual o mergulhador vai do laboratório subaquático até a superfície da água. Se a descompressão no entorno do mergulhador for acelerada demais, o nitrogênio no sangue não pode chegar rápido o suficiente através da circulação até os pulmões para ser exalado. No pior dos casos, o nitrogênio é expelido em forma de bolhas, tal como o dióxido de carbono ao abrir uma garrafa de refrigerante. O efeito pode ser, por exemplo, uma embolia pulmonar e, consequentemente, um ataque cardíaco.

Mas esse risco também é bastante baixo numa estadia prolongada a sete metros de profundidade: uma vez que o mergulhador atingiu a saturação completa, um período mais longo debaixo d'água não acrescenta mais nitrogênio na corrente sanguínea. E se os mergulhadores se dão tempo suficiente no processo de emersão e seguem as regras habituais, nada deve acontecer a eles.

Unterwasser-Rekord in Florida EINSCHRÄNKUNG

Durante a estadia nas profundezas, os professores também realizaram mergulhos de pesquisa

Sem monotonia e conectados ao mundo

O desempenho da submersão de longa duração está, portanto, menos ligado a suportar as condições de pressão e mais a lidar com o desgaste psicológico. É preciso ter nervos de aço para aguentar dois meses e meio num barril de metal debaixo d'água.

Mas nem mesmo isso exigiu muito dos dois recordistas: Cantrell e Fain receberam visitas no sino de mergulho e, através da internet, sistemas de intercomunicação e telefone, mantiverem contato próximo com o mundo exterior. Os dois professores inclusive responderam regularmente a cartas enviadas por estudantes.

Cantrell e Fain realizaram até mesmo aulas semanais para os estudantes via teleconferência a partir do laboratório, receberam doces no Dia das Bruxas e rodaram um pequeno filme de horror. Até mesmo o ex-astronauta Buzz Aldrin – o segundo homem a caminhar sobre a Lua depois de Neil Armstrong – visitou os dois professores nas profundezas.

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