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Economia

Perigo de guerra leva preço do petróleo às alturas

Um ataque militar ao Iraque não teria apenas efeitos políticos, mas também uma conseqüência séria para a economia mundial: a inevitável disparada do preço do petróleo.

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Os EUA, apesar dos recentes pronunciamentos do secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, continuam planejando a derrubada do governo de Saddam Hussein. O mercado internacional sabe disso e qualquer ameaça norte-americana causa novos aumentos no preço do combustível. Quando o vice-presidente norte-americano, Richard Cheney, anunciou na última semana um provável ataque a Bagdá, o valor pago pelo barril de petróleo foi às alturas.

Somente em 2002, foi registrado um aumento de quase 50% no preço do combustível. A OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), pretende reagir em caso de ataque ao Iraque. Detalhes serão debatidos durante uma conferência planejada para o 19 de setembro próximo, no Japão.

Racionamento - Mesmo que os preços do petróleo e seus derivados disparem nos próximos meses, especialistas não acreditam em um possível racionamento do combustível. Embora o Iraque seja, ao lado da Arábia Saudita, um dos mais importantes exportadores do mundo, "em termos de quantidade não deverá haver problemas", afirma Klaus Matthies, especialista em matéria-prima do Arquivo de Economia Mundial, localizado em Hamburgo. De qualquer forma, o Oriente Médio detém dois terços das reservas mundiais do combustível.

A Arábia Saudita anunciou há pouco conseguir aumentar o nível das exportações de tal forma, que uma eventual suspensão das exportações por Bagdá não cause danos ao comércio internacional. No entanto, segundo John Cook, do ministério norte-americano de Energia, abdicar das importações de petróleo vindas do Iraque pode ser uma tarefa "extremamente difícil".

Reservas - O Iraque exporta no momento dois milhões de barris por dia - um barril comporta 159 litros de petróleo - principalmente para os EUA. Enquanto os países membros da OPEP produzem juntos um total de 28 milhões de barris ao dia, o consumo mundial é estimado em 75 milhões de barris. Nos países industrializados, calcula-se que as reservas de petróleo são suficientes para um total de 90 dias.

Medo da guerra - Mesmo considerando que o mundo não vai parar, caso o Iraque suspenda temporariamente as exportações, "o preço do combustível iria inicialmente subir", afirma Matthies. Após as recentes ameaças do vice-presidente Cheney, o preço do barril chegou nos últimos dias a ultrapassar os 30 dólares. Segundo Hans-Joachim Ziesing, do Instituto Alemão para Pesquisa Econômica, "o medo da guerra é o único responsável por tamanhos aumentos de preço".

Ainda não se pode dizer por quanto tempo o preço do petróleo vai continuar nas alturas. Especialistas contam com um efeito semelhante ao ocorrido durante a Guerra do Golfo: no início de 1991, o preço do barril chegou a atingir os 40 dólares. Após os primeiros bombardeios norte-americanos ao Iraque, o valor do barril sofreu uma redução de 25%, tendo finalmente atingido os 22 dólares.

Bombardeios - "A constância dos altos preços do petróleo depende do curso tomado pelo conflito no Iraque", afirma Matthies. Se após um bombardeamento de Bagdá, ficar claro que a guerra está prestes a acabar, o mundo pode contar com baixas no preço do combustível, segundo o especialista alemão. Isso, no entanto, depende da situação local do Iraque. Se em uma eventual guerra, plataformas de petróleo forem atingidas em grande escala, corre-se o risco de que os preços do combustível no mundo continuem altos, mesmo se a guerra parecer próxima do fim.

Outro perigo para as exportações mundiais é a postura a ser tomada por outros membros da OPEP. Não é de todo improvável que o Irã, em solidariedade ao vizinho Iraque, reduza sua cota de exportação. "Há uma série de interrogações no desenrolar do conflito", alertam os especialistas. Mais importante do que as atuais exportações do Iraque, no entanto, é o papel a ser desempenhado pelo país no comércio internacional.

Com a extração de cerca de 113 bilhões de barris, o país detém mais de 10% das reservas mundiais de petróleo. Empresas especializadas acreditam que esse número poderia ser até duplicado, caso o país dispusesse de métodos de extração mais modernos e eficientes. Estima-se que a Arábia Saudita, maior exportador de petróleo do mundo, acumule 260 bilhões de barris de reserva.

Governo pró-EUA - Caso George W. Bush venha realmente a derrubar o regime de Saddam Hussein, substituindo-o por um governo pró-americano, as relações de poder no mercado internacional tomariam uma nova coloração. Com uma eventual tomada do Iraque, os EUA passariam a manter o controle não apenas sobre o segundo maior exportador de petróleo do mundo, como poderiam, a longo prazo, determinar os preços do combustível.

Novas relações de poder - Se o Iraque em uma era pós-Hussein abrisse seu mercado a empresas de extração mineral ocidentais, a Arábia Saudita perderia automaticamente seu domínio. Os EUA continuariam dependentes de importações sauditas, mas não da forma como são hoje. "Um novo regime no Iraque iria modificar as relações de poder em toda a região", afirma Daniel Yergin, historiador do petróleo e diretor de uma empresa de consultoria sobre pesquisa energética de Cambridge, na Inglaterra.

Alguns especialistas vêem nas tentativas de Bush de derrubar o regime de Hussein como o mero início de um plano de domínio da região. "Se for possível, os EUA vão acabar erguendo uma base militar e política no Oriente Médio", afirma Robert Mabro, diretor do Instituto de Estudos sobre Energia de Oxford. De um Iraque sob suas asas, os EUA passariam a exercer cada vez "mais influência sobre os outros países exportadores de petróleo do Golfo Pérsico", completa Mabro em entrevista ao diário alemão Der Tagesspiegel.