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Alemanha

Percepção do que é ser alemão muda, mas resistência a muçulmanos persiste

Para muitos alemães, falar a língua, ter a nacionalidade, ser pontual e confiável bastam para ser alemão. Mas critérios étnicos e religiosos ainda vigoram entre parte da população, mostra um estudo.

No início desta semana, a chanceler federal alemã, Angela Merkel, mostrou-se animada por estrangeiros acharem a Alemanha um país atrativo, algo comprovado pelos consecutivos aumentos no número de migrantes que chegam ao país.

Um estudo do Instituto de Pesquisa Empírica sobre Integração e Migração (BIM) mostra que os próprios alemães também são dessa opinião: mais de 80% dos 8 mil entrevistados por telefone afirmaram amar a Alemanha.

O resultado é semelhante tanto entre os entrevistados cujos antepassados chegaram há pouco tempo ao país quanto entre aqueles cuja família vive nele há gerações. E cerca de 80% das pessoas, em ambos os casos, se definiram como alemãs.

"Queríamos descobrir o que aconteceu aqui depois da imigração e quem pertence ao coletivo nacional", diz a socióloga Naika Foroutan, diretora do BIM, sobre o levantamento. Descobrir quem está dentro desse grupo permite saber, também, quem está fora, ressalta.

"Houve uma mudança", constata. Segundo ela, como muitas pessoas que pertencem à segunda ou terceira geração de migrantes agora participam desse debate, a definição do que é ser alemão mudou.

Quais são os critérios?

Para os autores do estudo, está mais fácil preencher os critérios para ser alemão. Praticamente todos os entrevistados (97%) avaliam que é necessário falar alemão. Em segundo lugar (79%) aparece a simples posse da nacionalidade alemã. Ser aplicado [no trabalho ou no estudo, por exemplo], confiável e pontual também são características essenciais.

Todas esses critérios são alcançáveis. Mas, em parte da população alemã ainda vigora a ideia de que um alemão possui características que ele, individualmente, pode influenciar muito pouco, quando pode. Assim, para mais de um terço da população ainda é essencial que alemães não tenham sotaque estrangeiro, tenham ancestrais alemães e, no caso das mulheres, não usem véu na cabeça por motivos religiosos.

Um dos pontos centrais do estudo do BIM foi determinar o quanto as pessoas na Alemanha se negam a reconhecer muçulmanos como alemães. Quase dois terços dos entrevistados responderam "não" à pergunta "os muçulmanos são mais agressivos do que nós?". Mas a própria pergunta era uma armadilha. Se os muçulmanos são os "outros", quem somos "nós"?

"Surpreendentemente poucos tropeçaram nessa pergunta e a consideraram absurda", diz a pesquisadora Dorin Kalkum, co-autora do estudo. Muitos disseram ter entendido "nós" como "alemães" ou "Alemanha" – apesar de muitos dos 3 milhões de muçulmanos na Alemanha serem alemães.

Desconhecimento sobre muçulmanos

Segundo os pesquisadores, há uma certa ignorância entre a população com relação a esse tema. "Essa é uma tarefa para a mídia, especialmente para a televisão", afirma Foroutan. Metade dos entrevistados disse saber "muito pouco" sobre os muçulmanos, e 44% afirmaram que a televisão é sua principal fonte de informação. Quanto mais desinformados os entrevistados, maiores os seus temores sobre os "outros".

É também muito alto o número de pessoas que superestima a parcela de muçulmanos na população da Alemanha, hoje entre 4% e 5%. No estudo, 70% dos entrevistados erraram a pergunta, sendo que 22% disseram que os muçulmanos são de 11% a 20% da população, e 20% responderam um percentual ainda maior.

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