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Economia

Pequim desvaloriza moeda pelo segundo dia seguido

Em dois dias, governo chinês impõe maior depreciação do yuan em mais de 20 anos, em decisão que preocupa mercados e pode gerar tensão com EUA. Bolsas asiáticas e moedas emergentes já sentem os efeitos da medida.

Bolsas de valores asiáticas e moedas de países emergentes caíram, nesta quarta-feira (12/08), devido à queda das commodities depois que a China forçou a desvalorização do yuan em relação ao dólar americano pelo segundo dia consecutivo. O efeito cascata pode ser sentido ao redor do mundo.

O banco central da China definiu a taxa média abaixo da taxa de mercado do fechamento de terça-feira, que já havia caído após a China ter

desvalorizado sua moeda em 1,9%

. A redução marca a maior desvalorização diária do yuan desde 1994.

A fixação diária do estritamente controlado yuan, que é executada pelo governo chinês, definiu nova desvalorização da moeda em 1,62% – se na terça-feira o yuan estava em 6,2298 para cada dólar americano, a relação subiu para 6,3306.

A desvalorização de terça-feira – a maior também desde 2005, quando a China definiu uma chamada "paridade central" entre yuan e dólar americano – levantou preocupações sobre a saúde da segunda maior economia do mundo. Muitas empresas ocidentais já têm relatado desaceleração das vendas na China e que a economia do gigante asiático estaria desacelerando.

Repercussões globais

Ações, moedas e commodities ficaram sob forte pressão de venda enquanto gestores pesavam as implicações da recente cartada política do governo chinês. Moedas de mercados emergentes como de Indonésia e Brasil cambalearam, com investidores temendo que bancos centrais de todo o mundo fossem enfraquecer suas moedas em resposta à medida chinesa.

As autoridades chinesas

mantêm um controle rígido sobre o yuan

, permitindo que o comércio seja realizado somente dentro de uma escala limite de 2% em relação à taxa de referência diária. A prática é vista como uma forma de ajudar a impulsionar as exportações, tornando-as mais competitivas.

O banco central chinês justificou as medidas como uma reforma de livre-mercado, mas especialistas suspeitam que possa ser o início de uma manobra de longo prazo na taxa de câmbio. A medida também pode ter motivos estratégicos, com a China procurando reformar a sua política monetária num esforço para incluir o yuan entre no pacote de reserva do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Mas o FMI tem se mostrado pouco receptivo à iniciativa, alegando ser verdade que yuan cumpre os critérios de ser uma moeda utilizada em larga escala para exportações, mas que outras exigências seguem problemáticas.

Entre elas está o rígido controle do câmbio por Pequim, o que tem sido um incômodo para os Estados Unidos, maior contribuidor do FMI. Washington há muito tempo acusa a China de manter o yuan desvalorizado para impulsionar as exportações, afirmando que a prática é desleal e prejudica a sua balança comercial.

A desvalorização do yuan impõe um dilema para o governo Barack Obama, que vem apostando, nos últimos anos, numa diplomacia silenciosa para tentar dissuadir Pequim a liberalizar sua política monetária.

A última alteração no grupo de moedas incluídas na reserva monetária do FMI foi em 2000, quando o euro substituiu o franco francês e o marco alemão.

PV/afp/rtr

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