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Mundo

Pequenos passos da conciliação

Na crise de vários meses entre os dois países, Berlim dá um passo à distensão e garante a Powell apoio alemão à suspensão das sanções contra o Iraque, mas lembra papel da ONU na reconstrução do país.

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Powell e Fischer, bons amigos, mas...

Embora tenha durado apenas meia hora, o encontro entre o secretário norte-americano de Estado, Colin Powell, e o chanceler federal alemão, Gerhard Schröder, em Berlim, foi um importante passo no processo de normalização das relações, seriamente abaladas nos últimos meses devido às divergência em relação ao Iraque e à iniciativa alemã, junto com três nações vizinhas, pela criação de um sistema europeu de defesa.

Mesmo que a Alemanha não concorde plenamente com o projeto de resolução sobre o Iraque apresentado pelos EUA às Nações Unidas, Gerhard Schröder e Colin Powell manifestaram disposição em buscar o consenso.

Concessões no Afeganistão

Após o encontro entre Powell e o ministro alemão do Exterior, Joschka Fischer, ambos destacaram progressos nos esforços de aproximação quanto ao papel das Nações Unidas na reconstrução do Iraque. Por outro lado, Schröder sinalizou ir ao encontro da proposta norte-americana de ampliação da zona de segurança no Afeganistão, por enquanto restrita a Cabul.

O porta-voz do governo, Thomas Steg, esclareceu tratar-se da expansão do raio de ação do pessoal que trata da segurança e administração nesta fase de reconstrução do Afeganistão. O contingente de 4500 homens da tropa da ISAF, comandada por alemães e holandeses, ampliaria suas atividades para além da zona de segurança, por enquanto restrita da Cabul e seu aeroporto. Até agora, a Alemanha vinha sendo contra esta extensão.

Fischer destacou que uma eventual tropa de paz da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) no Iraque não esteve em pauta. O secretário de Estado encontrou-se ainda com Angela Merkel, líder da União Democrata Cristã (CDU), o maior partido oposicionista alemão.

Roland Koch bei Dick Cheney

Dick Cheney com Roland Koch

Durante o dia, teve grande repercussão no país a conversa de 15 minutos do governador do estado de Hessen, Roland Koch (CDU), com o presidente dos Estados Unidos, em Washington. Na realidade, o encontro aconteceu por acaso, enquanto Koch era recebido pelo vice-presidente, Richard Cheney. George W. Bush teria dito ao governador que continua magoado com o governo alemão.

Fischer: Projeto de resolução é uma boa base

O ministro alemão das Relações Exteriores está otimista quanto a que se chegue a um consenso sobre a resolução pós-guerra. O projeto, retrabalhado pelos Estados Unidos na quinta-feira (16), é uma boa base de discussão. Powell, por seu lado, acredita que se atinja um consenso no Conselho de Segurança nos próximos dias ou semanas.

O social-democrata Schröder destacou que, com a queda de Saddam Hussein, as sanções deixaram de fazer sentido e por isso devem acabar o mais rápido possível. Fischer, do Partido Verde, salientou a importância para a Alemanha que a reconstrução do Iraque tenha a coordenação das Nações Unidas. Esquivou-se, entretanto, de responder se aprovaria o projeto na formulação atual (a Alemanha é um dos 15 países membros do Conselho de Segurança).

"O papel da ONU previsto pelos Estados Unidos ainda não está forte o suficiente", disse Angelika Beer, uma das líderes do Partido Verde, parceiro na coalizão de governo com os social-democratas. Salientou também que a resolução não será um instrumento para Berlim legitimar a posteriori a invasão do Iraque.

França, Rússia e China já exigiram mudanças no projeto de resolução. Na proposta apresentada nesta quinta-feira pelos EUA, o papel das Nações Unidas foi levemente reforçado. Mesmo assim, ela continua legitimando os Estados Unidos e a Grã-Bretanha a administrarem o dinheiro obtido com a venda de petróleo iraquiano para a reconstrução do país. Houve concessões, também, no tocante à dívida externa do Iraque.

Powell: distensão teuto-americana precisa tempo

Powell und Schröder Porträt

Schröder (dir.) com Powell

Com relação à crise entre Alemanha e Estados Unidos, Powell salientou que há divergências sérias entre os dois países, mas mesmo assim prosseguem amigos e parceiros. "Conversei, sim, sobre a guerra no Iraque com Fischer e Schröder, mas também sobre o que nos mantém unidos", esclareceu.

Colin Powell foi o primeiro político do alto escalão dos EUA a visitar a Alemanha, desde que começou a crise do Iraque. Berlim foi a última estação da viagem de uma semana do chefe da diplomacia norte-americana ao Oriente Médio e à Europa.

O próximo passo não está longe. Na segunda-feira, o ministro alemão da Economia, Wolfgang Clement, viaja aos Estados Unidos, onde participa de um encontro empresarial bilateral. Já a esperada conversa entre Gerhard Schröder e George W. Bush ainda não está agendada, embora ambos participem de um encontro em São Petersburgo e da cúpula do G-8 em Evian (França), em duas semanas.

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