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Alemanha

Pequeno, mas meu

Tem castelo de areia na praia? Então tem alemão na área! Se a tradição tem origem genética ou hormonal, só o vento sabe. Ecologicamente correta, a prática pode não ser. Na ilha de Sylt, é até proibida.

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Tradição que começa cedo

Castelos de areia fazem parte da paisagem de verão das praias alemãs, no Mar do Norte e no Mar Báltico, tal como anões de jardim costumam pertencer à decoração externa das casas. A tradição remonta à segunda metade do século 19, quando o acesso ao litoral deixou de ser privilégio das camadas mais abastadas. Um cartão-postal da ilha de Sylt, de 1885, prova que já naqueles tempos os alemães eram capazes de transformar praias em paisagens quase lunares, cheias de crateras.

Quase 120 anos depois, pouco mudou neste ramo da engenharia popular. Há desde os pequenos castelos construídos por pais à beira d'água para a diversão dos filhos, até fortalezas erguidas por simples adultos em torno de suas barracas de praia. Características básicas são o diâmetro não superior a três metros, altura entre a altura do joelho e a do peito e rica decoração, sobretudo à base de conchas e pedras.

Explicações para o costume - Em seu estudo Die Strandburg (Castelo de praia), os historiadores Harald Kimpel e Johanna Werckmeister definem o hábito como tradicionalmente alemão. As motivações seriam muitas. A pesquisadora de turismo Ragnhild Fesenmeyer aponta insegurança pessoal como uma delas.

Sandburgen an der Ostsee

Brincadeira séria para os participantes do festival de esculturas de areia em Travemünde

Em conversa com DW-WORLD, Felizitas Romeiss-Stracke, diretora do Escritório de Pesquisa Social e de Lazer de Munique, foi na mesma direção, referindo-se à incapacidade de se compartilhar um espaço público, necessitando demarcá-lo, tal como um cão, e ao sentimento de desproteção diante do infinito do mar.

Romeiss-Stracke acrescenta ainda a incapacidade de gozar o ócio. Este último aspecto teria sido inclusive a grande razão do boom dos castelos de areia após a Segunda Guerra Mundial, durante o chamado milagre econômico. Naqueles anos 50, ficar simplesmente deitado na areia curtindo o sol era sinônimo de preguiça. Construir algo na areia dava um sentido produtivo à ida à praia.

Os historiadores Kimpel e Werckmeister e a diretora do Escritório de Munique também vêem no costume um retorno à infância. O rol de razões é vasto. Seria possível citar ainda o castelo de areia como instrumento para atrair terceiros e travar novos contatos e amizades. Ou, simplesmente, brincar com a areia, acrescenta a psicóloga Sabine Trepte, da Universidade de Hamburgo.

Conseqüencias ecológicas - A aparente inocente brincadeira ou medida de escape de problemas psicológicos não é vista com bons olhos por ambientalistas e responsáveis pela manutenção das praias. E a preocupação não é recente. Mexer na areia das praias da ilha de Sylt, por exemplo, é proibido por lei local desde 1907.

Tetrapoden mit Frau

Objetos de concretos tentam conter a erosão da areia das praias de Sylt

A justificativa parece pertinente: a areia remexida torna-se presa fácil da erosão natural, seja pela ação do vento, das ondas ou da maré. Além disto, a areia torna-se mais fofa e leva ao atolamento dos veículos de limpeza. No máximo, toleram-se pequenos castelos de areia, feitos por crianças. As obras adultas também encontram resistências nas praias do Mar Báltico, mas lá não costuma haver proibição expressa à tradição.

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