PEN Clube divulga relatório sobre perseguição a escritores | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 10.10.2010
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Cultura

PEN Clube divulga relatório sobre perseguição a escritores

"Ameaçado, sequestrado, preso, assassinado": assim classifica a organização mundial de escritores PEN agressões a autores em todo o mundo, Em seu último relatório, a organização constatou: pouco mudou nos últimos tempos.

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Escritores são perseguidos por lutar pela liberdade

Segundo o secretário-geral do PEN Clube alemão, Herbert Wiesner, o relatório da organização de escritores, apresentado na Feira do Livro que se encerrou neste domingo (10/10) em Frankfurt, não dá margem a ilusões: ele aponta quase 600 casos de prisão, ataques e assassinatos de escritores no primeiro semestre de 2010 – e isso sem ter a pretensão de ser exaustivo.

"A conclusão que se tira é quase desoladora", disse Wiesner. Mas isso também se deve ao fato de haver sempre novas situações de crise e sempre novos protestos pelos direitos humanos, "que são respondidos, naturalmente, com novas violações dos direitos humanos", acresceu.

Primeiro a prisão, depois o exílio

Jahrestagung PEN Zentrum in Erfurt

Perguntar já incomoda, diz PEN

O destaque da apresentação do PEN Clube alemão na Feira do Livro de Frankfurt foi – condizente com o país homenageado, Argentina – a América Latina, principalmente a situação em Cuba. De lá, vem o jornalista Ricardo González Alfonso, que deixou a prisão somente há pouco.

Como crítico do regime, ele foi preso juntamente com outras 74 pessoas na chamada "Primavera Negra", em março de 2003. Seu veredicto foi de 20 anos de reclusão devido a "atividades contra a independência e integridade territoriais do país". Ou, na formulação do próprio González Alfonso: por ter se engajado pela liberdade de expressão e reunião.

Neste ano, ele foi antecipadamente autorizado a sair, mas não apenas da prisão, como também do país. De seu passaporte consta que ele tem a "permissão" de deixar para sempre Cuba, o que significa, na prática, que não pode voltar.

Para o jornalista, esta é uma experiência dura, pois sua pátria faz parte dele próprio: "Retirá-la é como extrair uma parte do ser de cada um. A parte em que as lembranças estão preservadas: da infância, dos anos em que a pessoa se torna adulta, dos amigos, da família. E isso tudo porque se lutou pela liberdade".

Bolsa de estudos na Alemanha

A situação de Ricardo González Alfonso é a mesma que a de muitos intelectuais em todo o mundo. Eles vêm do Irã, da China, da Turquia ou de Belarus – e não podem mais voltar, seja por terem sido expulsos ou por temerem por suas vidas. Englobando mais de 140 clubes nacionais em todo o mundo, a organização PEN Internacional tenta, na medida do possível, ajudar tais pessoas.

Segundo Herbert Wiesner, mesmo que sua organização não possa viajar até Pequim e libertar as pessoas da prisão, "a procura constante de informação é o que incomoda. E isso nós temos que fazer sempre".

Além disso, já há 11 anos existe na Alemanha o programa Writers in Exile (escritores no exílio, do inglês). Ele é financiado pelo governo alemão e oferece a cada ano seis – em 2011 até mesmo sete – bolsas de estudo para escritores e jornalistas perseguidos. Eles podem viver e trabalhar na Alemanha durante um ano, tentando se recuperar das vicissitudes que enfrentam em seus países.

O sonho: liberdade em Cuba

Ricardo González Alfonso encontrou, a princípio, uma pátria temporária na Espanha. Embora sua verdadeira pátria lhe esteja inacessível, o jornalista cubano está convencido de que um dia retornará. Segundo ele, a história se desenvolve sempre para melhor e mudanças são inevitáveis.

"Já foi demonstrado que regimes autoritários, sejam de esquerda ou de direita, sempre caem. E, juntamente com meus compatriotas, eu poderei um dia caminhar sobre as ruínas dessa ditadura", disse o jornalista.

Autora: Petra Lambeck (ca)
Revisão: Augusto Valente

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