Pegida pretende fundar partido político, diz líder | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 20.07.2016
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Alemanha

Pegida pretende fundar partido político, diz líder

Lutz Bachmann, líder do movimento anti-imigração Pegida, declara intenções de fundar novo partido político na Alemanha. Legenda apoiará o populista de direita AfD nas eleições federais de 2017, afirma ativista.

Lutz Bachmann durante reunião semanal do Pegida em Dresden nesta segunda-feira

Lutz Bachmann durante reunião semanal do Pegida em Dresden nesta segunda-feira

O movimento anti-imigração Pegida (sigla em alemão para "Patriotas europeus contra a islamização do Ocidente") pretende fundar um partido político na Alemanha, afirmou nesta segunda-feira (18/07) o líder do grupo, Lutz Bachmann, durante reunião semanal do movimento em Dresden.

A legenda, segundo Bachmann, será chamada Partido Popular para a Liberdade e Democracia Direta (FDDV, na sigla em alemão). Ele afirmou que não tem a intenção de assumir a liderança do partido. "Continuo sendo o Lutz do Pegida nas ruas", disse o líder.

Nesta terça-feira, as autoridades eleitorais alemãs disseram não ter recebido ainda qualquer documentação sobre o FDDV. Na Alemanha, fundadores de partidos são obrigados a apresentar um estatuto, um programa e uma lista de líderes.

Bachmann, que foi condenado e multado em mais de 9 mil euros por incitação ao ódio por um tribunal de Dresden em maio, destacou que os planos de transformar o Pegida em partido são uma resposta às autoridades que avaliam uma possível proibição da existência do grupo como uma associação.

O ativista ainda afirmou que o novo partido não tem a intenção de ofuscar a legenda populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD). Pelo contrário, declarou apoio ao partido nas eleições nacionais do próximo ano, acrescentando que o Pegida já cultiva boas relações com a AfD.

A Alternativa para a Alemanha foi fundada como um partido de protesto eurocético em 2013, mas agora se alinha principalmente contra o Islã e contra a abertura da Alemanha aos refugiados. O país, somente no ano passado, recebeu mais de um milhão de requerentes de asilo, a maioria muçulmanos.

Uma pesquisa divulgada em junho pela Universidade de Leipzig mostra que a islamofobia está em ascensão na Alemanha. Metade dos entrevistados disse se sentir como um estrangeiro no próprio país, e 40% afirmaram que os muçulmanos deveriam ser proibidos de entrar em território alemão.

Em 3 de maio, Bachmann, de 43 anos, foi considerado culpado da acusação de incitação ao ódio contra imigrantes por causa de um texto publicado na conta dele no Facebook, no qual refugiados são chamados de "gado", "trastes" e "escória". Ele já tinha condenações por roubo e tráfico de drogas.

O Pegida surgiu em 2014 em Dresden e, durante o seu auge, em janeiro de 2015, chegou a reunir 25 mil pessoas nas ruas da cidade. Depois de um racha interno, o movimento perdeu força. No entanto, com a crise dos refugiados, as marchas às segundas-feiras voltaram a atrair pessoas.

EK/afp/dpa/lusa/dw

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