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Alemanha

Pegida faz um ano com cada vez mais opositores em Dresden

Há 12 meses movimento protesta regularmente nas ruas da capital da Saxônia. Em meio à crise migratória, muitos moradores temem que a fama da cidade fique manchada e decidem atuar ativamente para combater a xenofobia.

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Refugiado presenteia criança: barreira da língua é grande demais para possibilitar conversas mais longas

Os americanos Bill e Sue, de Denver, foram a Dresden para passar dois dias, após uma estada agradável em Berlim. O casal conta ter gostado muito da capital alemã. O mesmo, porém, eles não podem dizer da cidade saxã.

Eles contam que não ouviram muitas coisas boas sobre Dresden, que muitos neonazistas continuam fazendo manifestações na cidade, e ficam sabendo que uma delas, inclusive, seria nesta segunda-feira (19/10). Sue não esconde sua preocupação.

A visita do casal americano coincide com o aniversário de um ano do Pegida (sigla em alemão para "Europeus patriotas contra a islamização do Ocidente"), o movimento xenófobo que tem seu berço exatamente em Dresden, no leste alemão.

No início do ano, o movimento chegou a levar 25 mil pessoas às ruas da cidade. Desde então, vem perdendo força, minado por disputas internas e pelas extravagâncias de seu líder, Lutz Bachmann, que chegou a ter uma foto fantasiado de Hitler publicada na imprensa.

Deutschland Pegida Kundgebung in Dresden

Forca para a chanceler Merkel em passeata do Pegida

Em meio à crise migratória, o Pegida tenta se recuperar. Mas enfrenta uma retórica de rechaço cada vez mais forte do governo alemão – e uma população ainda mais preocupada com os danos que o movimento xenófobo impõe à imagem da cidade, como exemplificado no discurso do casal de turistas americanos.

"A situação está ficando cada vez pior, e é hora de nos posicionamos claramente", diz o designer gráfico Michael Roth, presidente do pequeno partido Pessoas Meio Ambiente Proteção Animal e morador de Dresden.

Ele conta que ouve falar quase todos os dias de ataques contra abrigos de refugiados, onde pedras e fogos de artifício são usados. Tomar uma posição também significa para ele cuidar dos refugiados. Com a ação "Dresden para Todos", ele organizou uma festa de boas-vindas diante de um albergue.

"Queremos intensificar os encontros, para que as pessoas não sejam vistas somente de longe no supermercado, mas também falem umas com as outras. O evento teve bolos caseiros, um pula-pula e um palhaço soprando balões de ar para as crianças", lembra.

Iniciativas para integrar

No início, chegam apenas alguns homens, saindo do acampamento isolado do mundo exterior por lonas. Eles pegam alguns pedaços de bolo, sem dizer uma única palavra, e desaparecem através de um corredor vigiado por pessoal de segurança, voltando para o abrigo provisório.

Willkommensfest für Flüchtlinge in Dresden

O designer gráfico Michael Roth se diz "muito preocupado" com a reputação de sua cidade natal, Dresden

Mas, aos poucos, parece que as pessoas ficam sabendo que há algo acontecendo na praça diante do acampamento. Cada vez mais refugiados vão se reunindo em torno de barracas, mesas e bancos, e, finalmente, alguns jovens começam a dançar ao som de música árabe, que pode ser ouvida em toda a praça.

Um círculo de espectadores se forma em torno dos dançarinos, um refugiado pega uma menina loira em seus ombros e dança com ela. A criança se diverte. A música cria uma conexão, onde as palavras falham. Pois a barreira da língua é grande demais para possibilitar conversas mais longas diante do campo de refugiados.

Um que pode ajudar é Latof, sírio de 32 anos, que vive há 11 meses na Alemanha e já fez quatro meses de curso de alemão intensivo. Ele usa o novo idioma aprendido para servir de intérprete entre refugiados e os visitantes durante a festa de boas-vindas.

Willkommensfest für Flüchtlinge in Dresden

Refugiados dançam ao som de música árabe durante festa de boas-vindas em Dresden

Na verdade, Latof não deveria estar em Dresden, porque ele é registrado como refugiado em Hamburgo. O sírio está na cidade visitando amigos alemães. Martina Kappler e sua filha, Julia, conheceram Latof em Hamburgo e, desde então, cuidam dele. Por isso, o sírio tenta uma maneira de se mudar para a capital da Saxônia.

A burocracia alemã faz com que a tarefa não seja fácil. Por isso, Latof também prefere passar despercebido e não ser fotografado. Ele diz ser muito agradecido a Martina Kappler, por ela cuidar dele. Seu conhecimento de alemão melhorou muito nas últimas semanas, garante. Na Síria, ele estudou informática de negócios e era motorista de táxi. Na Alemanha, ele poderia se imaginar como motorista de ônibus, para pode se sustentar sozinho o mais rapidamente possível. Mas sua carteira de motorista não é reconhecida na Alemanha, ele terá que fazer novamente o exame de direção.

"Não podemos aceitar isso"

Martina Kappler afirma considerar importante se envolver com os refugiados. Com sua atitude, ela deseja enviar uma mensagem contra a xenofobia propagada pelo Pegida.

"Eu acho que isso tem muito a ver com o passado da Alemanha Oriental", acredita, em relação ao comportamento dos manifestantes de direita. "Nós éramos muito isolados, havia poucos estrangeiros e pouco contato com eles, e também não podíamos viajar a lugar nenhum."

Ela crê que pessoas na sua idade que cresceram na Alemanha Oriental têm, muitas vezes, medo dos estrangeiros e sentem insegurança. Muitos, afirma ela, não sabem como lidar com isso.

Willkommensfest für Flüchtlinge in Dresden

Cidadão de Dresden levou um narguilé para os migrantes: iniciativas tentam integrar recém-chegados

Kerstin Münch, que também é de Dresden, se irrita com o fato de sua cidade natal ter caído em descrédito, e lemanta que já existam refugiados que não querem ir para a Saxônia, porque têm medo.

Karl Stabler, outro morador, pensa de forma semelhante: "Não pode ser que alguns manifestantes do Pegida disseminem no mundo uma opinião uma ideia que simplesmente não é verdade", revolta-se. "Eles são um punhado de idiotas que pensam que podem tirar proveito para seus fins de uma situação particular – agora, no momento, a crise de refugiados. Não podemos aceitar isso, por isso devemos nos levantar."

Bernd Schreiber, de 65 anos, também nativo de Dresden, concorda. "Tenho vergonha das pessoas que se juntam ao Pegida e falam coisas sem sentido. Eu sempre me pergunto se eles têm consciência de quem estão seguindo e do que estão falando."

Cada vez mais cidadãos em Dresden pensam como Münch, Stabler e Schreiber.

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