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Teatro

Peça leva público a passeio inusitado por São Paulo

"Remote São Paulo" conduz um grupo de pessoas por uma experiência sonora e sensorial pelas ruas da capital. Montagem questiona a individualidade e a dependência das máquinas no mundo contemporâneo.

Uma visita sonora e teatral guiada pela capital paulista. Assim se pode definir o espetáculo Remote São Paulo, que usa espaços públicos como palco e cenário, sem a participação de atores. Nele, um grupo de 50 pessoas é levado pelas ruas da cidade por uma voz computadorizada, música e efeitos sonoros, que alteram a percepção e questionam a individualidade, o papel das máquinas e da tecnologia na sociedade.

"Audiotour pode ser um subgênero do teatro, mas é diferente da experiência que temos no museu, que é só instrutiva. Não queremos informar. Não falamos de fatos, mas de um potencial futuro desses lugares. Gosto de pensar no teatro como uma forma de arte viva", explica o diretor do espetáculo, Stefan Kaegi, à DW Brasil.

O suíço radicado em Berlim faz parte do Rimini Protokoll, grupo criado em 2002. Uma de suas características é proporcionar ao público, através de criações artísticas, experiências inusitadas, onde o momento presente é questionado.

Outro ponto importante para o diretor é criar projetos de forma modular, onde não há a necessidade de transportar cenários, figurinos e uma grande equipe. "O que viajam são as ideias, assim meus projetos não produzem tanto CO2 e se reinventam em cada cidade", diz.

Remote São Paulo - Theatrale Audio-Tour Stefan Kaegi vom Künstlerkollektiv Rimini Protokoll präsentiert in Sao Paulo eine brasilianische Version des Projekts Remote X, das bereits in diversen Städten wie z.B. Wien, Berlin, Lissabon und Avignon zu sehen war. Remote Sao Paulo ist eine Stadttour für eine Gruppe von bis zu 50 Personen, in dem sich fiktive Aspekte mit einem Soundtrack für städtische Räume wie Straßen, Parkplätze, Kirchen, öffentliche Räume und Plätze vermischen. Das mit Audioguides ausgestattete Publikum taucht in ein besonderes Erlebnis ein und besucht ungewöhnliche Orte der Stadt. Theatralische Audio-Tour 19. November 2013 bis 6. Dezember 2013 Di.-Fr.: 17 Uhr, Sa.: 10 und 14 Uhr SESC Belenzinho - R. Padre Adelino, 1000 - Belenzinho Portugiesisch

Voz computadorizada guia o espectador

Finitude da vida

O espetáculo estreou no HAU (Hebel am Ufer) em Berlim em abril passado, e depois passou por diversas cidades europeias – Viena, Zurique, Basileia, Hannover, Avignon e Lisboa – até chegar pela primeira vez à América, com a temporada em São Paulo.

O diretor levou três semanas para desenvolver a versão brasileira de Remote em português. Ele tem uma lista de lugares que são essenciais para expor os conflitos e as reflexões propostas pelo espetáculo.

"Acho importante visitar lugares como um cemitério, onde o ser humano questiona sua finitude, e um hospital, onde a máquina está em uma posição de tomar decisões ou responsabilidade sobre nossos corpos", afirma.

A edição paulistana de Remote começa no Cemitério da Quarta Parada, onde os participantes recebem um receptor e um fone de ouvido. O grupo começa a caminhada passando pelas instalações do Sesc Belenzinho, diante de um hospital, uma praça, uma loja de departamentos. Depois o grupo segue de metrô em direção ao centro da cidade.

Subverter a percepção

Os participantes escutam uma voz artificial, computadorizada, que em nenhum momento tenta enganar o público sobre o seu papel de máquina. Sua principal referência são as vozes que nos guiam pelos saguões de aeroportos, hospitais e pelas ruas através do GPS.

Como transeuntes, o expectador é guiado pela cidade, seu fluxo caótico e por ações automáticas e condicionadas. Nessas ações se encontram as grandes questões de Remote.

Através do distanciamento, que é criado pelo isolamento acústico, questiona-se o nosso papel na sociedade, nossa fascinação pelas máquinas, nossa relação com os carros, com o vigiar e ser vigiado e se seguimos nossos próprios caminhos ou somos induzidos a eles.

"A voz não é de um aparelho de navegação porque não é exata. Ela seria mais complexa, já que não só prevê o caminho, mas sabe quando chega o metrô, quando o sinal está verde, o que você está sentindo, ou se você quer escutar música", explica o diretor.

Esse comando não só orienta, mas também questiona o indivíduo e o seu papel no grupo. "Tentando subverter a percepção daqueles espaços públicos que visitamos. É quase uma ficção científica sobre o que pode ainda acontecer com o computador, chegando cada vez mais próximo dos desejos e necessidades das pessoas. Algo como uma assistente virtual", completa.

“Flash mob” político

No centro da cidade, o espetáculo ganha outros elementos, e a contemplação dá espaço à ação. Seguindo as indicações sonoras, o grupo dança, corre e observa – sempre chamando atenção por onde passa.

Remote São Paulo - Theatrale Audio-Tour Stefan Kaegi vom Künstlerkollektiv Rimini Protokoll präsentiert in Sao Paulo eine brasilianische Version des Projekts Remote X, das bereits in diversen Städten wie z.B. Wien, Berlin, Lissabon und Avignon zu sehen war. Remote Sao Paulo ist eine Stadttour für eine Gruppe von bis zu 50 Personen, in dem sich fiktive Aspekte mit einem Soundtrack für städtische Räume wie Straßen, Parkplätze, Kirchen, öffentliche Räume und Plätze vermischen. Das mit Audioguides ausgestattete Publikum taucht in ein besonderes Erlebnis ein und besucht ungewöhnliche Orte der Stadt. Theatralische Audio-Tour 19. November 2013 bis 6. Dezember 2013 Di.-Fr.: 17 Uhr, Sa.: 10 und 14 Uhr SESC Belenzinho - R. Padre Adelino, 1000 - Belenzinho Portugiesisch

Peça questiona o indivíduo e seu papel no grupo

"Em certo momento, percebemos que todos nós somos atores uns para os outros. Essa sensação é criada lentamente durante o espetáculo. A primeira meia hora de caminhada é mais sobre a percepção. Mas lentamente a experiência do grupo se torna mais forte", diz o diretor.

Uma visita à Catedral da Sé se desdobra em espécie de protesto, que observa os religiosos e policiais em frente ao marco zero da cidade, dando um caráter de "flash mob" político as ações do grupo.

"Os meios de isolamento social podem reunir um grande número de pessoas, como aconteceu nas ruas do Egito ou do Brasil, criando uma forma de movimento político", disse o diretor, que está curioso para saber como essas ações vão ser recebidas em São Petersburgo e em Teerã, duas cidades que devem receber o espetáculo nos próximos meses.

A jornada chega ao fim no topo do Edifício Martinelli, um dos marcos arquitetônicos da cidade. Essa nova perspectiva, bela e assustadora, do que é São Paulo revela que a catarse de Remote não cria apenas uma nova percepção da cidade, mas também de nós mesmos.