Peça de teatro discute situação no Afeganistão | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 23.01.2011
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Cultura

Peça de teatro discute situação no Afeganistão

As imagens de guerra no Afeganistão acabam sendo encaradas por muita gente como "normais". Teatro em Potsdam, na Alemanha, dedicou-se ao tema, conseguindo algo que a mídia não é mais capaz: sensibilizar o espectador.

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Friederike Walke e Friedemann Eckert no palco

No palco, o cenário composto por divisórias, prateleiras, papéis e pastas, abriga homens e mulheres que vão e vêm, ocupados com a busca de respostas a perguntas absolutamente veementes: É possível restaurar a paz no Afeganistão? A comunidade internacional é capaz de fazer isso? Se sim, como? O que já foi tentado neste sentido? Como as pessoas que se ocupam dessa questão interpretam as estratégias escolhidas para criar ou assegurar a paz?

Pesquisa detalhada

Apesar da demasiada oferta de informações sobre o Afeganistão, o diretor Christoph Bechtel tinha a sensação de continuar não sabendo exatamente o que acontece no país. Sendo assim, resolveu pesquisar na internet, na mídia, em pesquisas e publicações de organizações de ajuda humanitária, documentos do Parlamento alemão, diários, blogs e acima de tudo em conversas com diversas pessoas que tiveram algum ponto de interseção com missões de auxílio alemão ao Afeganistão.

Flash-Galerie Theaterstück Potsdam - Kundus

Friedemann Eckert: urgência opressora

Desse material resultou, por fim, o texto de uma peça de teatro, que rastreia os acontecimentos dos últimos 10 anos no país, mas como numa abordagem em câmera lenta, que adensa, remete a outros fatos, narra e faz uso de colagens. E que sempre acaba em pequenas cenas, nas quais os atores encarnam personagens de políticos, funcionários da ajuda ao desenvolvimento, soldados ou militantes talibãs. Clemens Bechter define esse trabalho como "rastreamento teatral de pistas".

Imagens comoventes

Encenada no Teatro Hans Otto, em Potsdam, cidade próxima a Berlim, a peça que leva o título Postdam – Kunduz convence por seus momentos de uma urgência opressora, como quando a jovem ativista rebela-se porque em uma das primeiras sessões de um importante grêmio estão sentados antigos mentores da guerra no país, agora de volta em posições de liderança, mesmo depois de terem ordenado a morte de milhares de civis.

Ou quando os holandeses em missão no país têm que pegar caixões emprestados, porque os disponíveis são pequenos demais para a estatura dos soldados mortos. Ou quando um minuto simplesmente passa sem que nada aconteça, sem que ninguém diga qualquer coisa, até que o comando para bombardear dois tanques, sequestrados pelos talibãs, seja executado.

Balanço pessoal

Para muitos afegãos, os soldados das Forças Armadas alemãs são simplesmente forças de ocupação, diz Terishkova Obaid, uma afegã que vive em Berlim desde 1987 e que encena junto dos atores profissionais narrando, a partir de uma perspectiva absolutamente pessoal, a história da perda de ilusões no contexto da situação de seu país.

Flash-Galerie Theaterstück Potsdam - Kundus

Michael Schrodt, Christoph Hohmann e Friedmann Eckert: em cena

Em entrevista gravada em vídeo e exibida durante a peça, o ex-consultor da ONU e especialista em Afeganistão, Thomas Ruttig, questiona: "O que vem depois do Afeganistão?". Pergunta semelhante faz o tenente-coronel Jörg Langer, porta-voz do comando de ação da Bundeswehr no Afeganistão.

Arcar com a responsabilidade

A lição da noite no teatro é a de que as coisas evoluíram de forma distinta daquela que se esperava. Além de erros políticos, houve um excesso de gente envolvida e também o fato de que a ajuda ao desenvolvimento acabou, em parte, caindo em mãos erradas.

Fala-se também do tédio nos acampamentos de soldados, de amores proibidos, de traumas, atentados e de um jovem alemão que entrou para a milícia talibã e publicou sua autobiografia na internet pouco antes de sua morte. A noite no teatro lembra que a comunidade internacional – e com ela a Alemanha – assumiu uma grande responsabilidade no Afeganistão. E que é preciso arcar com essa responsabilidade.

Autora: Silke Bartlick (sv)
Revisão: Carlos Albuquerque

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