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Cultura

Paul van Dyk: dance music é um ato político

Frank Zappa vira rua em Berlim – Fã abre museu dos Ramones – Visita guiada à cena musical da capital – Comet 2005 premia artistas alemães e decepciona a mídia – Paul van Dyk lança segundo volume de sua Politics of Dance

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Capa do novo CD de Paul van Dyk

Este ano o outono está demorando para derrubar as folhas das árvores e a temperatura permanece amena nas principais cidades alemãs. Só em Berlim é que a temperatura subiu horrores. Não devido a nenhuma massa de ar quente, mas à chegada de Robbie Williams, que tomou conta da cidade, onde deu o único show para promover seu novo álbum Intensive Care (veja a coluna do mês passado), que foi transmitido – ao vivo e em alta definição – para 21 lugares em 11 países da Europa. Durante três dias não se falou em outra coisa. Mas nós vamos falar de outras coisas.

Rua Frank Zappa, nº 0

Frank Zappa

Foto de Frank Zappa aos 27 anos em 1968

Berlim deve ganhar ainda neste ano uma rua com o nome de Frank Zappa. Pelo menos lá o músico obteve o devido reconhecimento e deixou os subterrâneos da música, mesmo que seja no afastado e problemático bairro de Marzahn-Hellersdorf. Sintomático que um ícone de uma geração e símbolo da luta contra o racismo e a guerra do Vietnã esteja em casa numa das regiões "preferidas" por skinheads. Ironias da história…

Essa foi a forma que a administração do distrito encontrou para reconhecer e incentivar um projeto situado na rua, a Orwohaus, uma velha fábrica de sete andares comprada por mais de 80 bandas para servir de local de ensaio.

Ramones de volta ao porão

Eles começaram tocando em porões em Nova York e acabaram eternizados em um pequeno museu no bairro berlinense de Kreuzberg. Graças a Florian Hayler, que durante anos colecionou memorabilia dos quatro Ramones e agora as expôs em um porão. E assim criou o primeiro e, por enquanto, único museu do mundo dedicado aos quatro punks, de cuja formação original apenas um ainda vive.

Johnny Ramone

Johnny Ramone, que morreu em 2004, era fã de Elvis

Hayler é editor-assistente da revista Uncle Sally's, especializada em música e cultura pop e distribuída gratuitamente na Alemanha. Hoje com 32 anos, ele é fã dos Ramones desde os 16 – isso é metade de uma vida. Ele juntou cartazes, ingressos, panfletos e capas de discos, até um abridor de cartas, um skate e um short dos Ramones. "Esse short da turnê eu troquei com Johnny Ramone por um pôster do Elvis", disse ao jornal Berliner Zeitung.

Os sons da capital

Turistas, não percam: a partir de agora, a rádio Fritz oferece uma visita guiada à cena musical berlinense de hoje e de ontem. Num ônibus de turismo, equipado com monitores que passam depoimentos de artistas da cidade ou que lá vivem, a visita inclui pontos como a Siegessäule, onde acontece (acontecia? acontecerá?) a Love Parade e de onde Dr. Motte enviava sua mensagem aos fãs de tecno no mundo todo.

Ou o clube Tresor, uma das instituições da cena tecno internacional desde 1991, onde Sven Väth fazia seus DJ-Sets de 12 horas e Paul van Dyk discotecou pela primeira vez, onde foi praticamente composta a trilha sonora da reunificação alemã; o estúdio onde David Bowie gravou hits como Heroes, e onde trabalharam Iggy Pop, Depeche Mode, U2, Nina Hagen e Nena.

Após a divisão da Alemanha em 1961, o estúdio ficou situado em Berlim Ocidental direto no Muro de Berlim, e por isso Bowie carinhosamente o apelidou de "the big hall by the wall". A viagem também passa pelos estúdios da MTV e da Universal, pelo clube SO36, que já foi palco de shows históricos do Einstürzende Neubauten, dos Dead Kennedys e do Exploited.

"Pegar carona nesta cauda de cometa…"

A cidade de Oberhausen foi palco da segunda maior premiação da música pop alemã, o Comet 2005, que só perde para o Echo. Só que este ano o evento teve uma cara bem diferente. Quando o canal alemão VIVA o criou dez anos atrás, o Comet deveria fazer frente ao MTV Video Music Awards. Agora que a VIVA foi devorada pelo consórcio estadunidense Viacom, dono da MTV, a concorrência perdeu o sentido. E o Comet, seu perfil.

Comet 2005 Preisverleihung Oberhausen

Os apresentadores Gülcan Karahanci (e) e Stefan Raab com um dos prêmios nas mãos

A partir deste ano, exclusivamente artistas alemães concorrem ao prêmio, um globo de vidro colorido que lembra um cinzeiro de mesa dos anos 70.

Mas, em vez de reconhecer aí um amadurecimento da cena nacional, a mídia antes lamentou a decadência do Comet, acusado de haver se tornado apenas um programa de comédia no horário nobre da tevê. Por exemplo, ninguém aproveitou a presença de Robbie Williams na cidade para levantar o moral do evento.

Seja como for, taí a lista dos premiados deste ano. Você já deve ter lido sobre alguns deles aqui na DW Antena. Caso contrário, agüenta que um dia eles pintam por aqui.

Melhor Álbum – Noiz, do Söhne Mannheims

Melhor Banda – Fettes Brot

Melhor Música - Emanuela, do Fettes Brot

Melhor Artista Feminina – Sarah Connor

Melhor Artista Masculino – Gentleman

Melhor Performance Ao Vivo – Silbermond

Melhor Videoclipe – Keine Lust, do Rammstein

Revelação do ano – Tokio Hotel

Melhor Comediante – Oliver Pocher

Leia mais na próxima página sobre o novo disco de Paul van Dyk.

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