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Brasil

Patriota vai a Palestina e Israel com interesses políticos e comerciais

Com delegação liderada pelo ministro das Relações Exteriores, governo brasileiro pretende se colocar como mediador da negociação de paz na região. Observadores destacam potencial econômico da aproximação com árabes.

A fim de reafirmar a posição brasileira em defesa de uma saída negociada pela paz no Oriente Médio, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, desembarca em Israel neste domingo (14/10) e, no dia seguinte, visitará a Palestina. Durante os encontros agendados com as principais autoridades dos dois povos, Patriota deve ainda discutir parcerias bilaterais em diversas áreas, como ciência, saúde, tecnologia, urbanismo e agricultura. E dar maior impulso às relações econômicas com o Oriente Médio.

Em seus discursos em Tel Aviv e em Ramallah, Patriota deverá defender o desarmamento nuclear no Oriente Médio, região quem vem sendo priorizada pela diplomacia brasileira nas discussões internacionais. Em diversas ocasiões, a presidente Dilma Rousseff reiterou a posição contrária do Brasil aos conflitos armados na região.

Na semana passada, durante o encerramento da 3ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da América do Sul e Países Árabes, no Peru, Dilma reforçou a posição brasileira contrária a qualquer forma de intolerância religiosa. A presidente disse ainda que o reconhecimento do Estado Palestino é a única saída para se construir a paz e para obter "segurança nas fronteiras e estabilidade política regional".

Causa palestina

Esta é a primeira viagem de um chanceler brasileiro ao território palestino desde o reconhecimento do Estado da Palestina por parte do Brasil, em dezembro de 2010. Na época, o governo brasileiro afirmou que a decisão favorável ao pedido do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, era coerente com a posição histórica do Brasil de contribuir para o processo de paz entre Israel e Palestina.

Em 2010, Lula visitou o presidente palestino, Mahmoud Abbas

Em 2010, Lula visitou o presidente palestino, Mahmoud Abbas

Antes mesmo da iniciativa de reconhecer o Estado Palestino, o governo brasileiro – então sob o comando do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – já havia dado sinais de uma "reaproximação" com o mundo árabe, segundo avaliação de Salem Nasser, coordenador do Centro de Direito Global da Fundação Getúlio Vargas. O especialista ressalta que Lula incentivou a criação da Cúpula América do Sul-Países Árabes e foi o primeiro chefe de Estado brasileiro a fazer uma visita ao mundo árabe.

A política externa do governo Dilma deu continuidade a este movimento. "O Brasil mostra que quer participar das grandes questões e acredita que pode desempenhar um papel positivo", ressalta Nasser. "E apesar de manter relação muito boa com Israel, o Brasil tem como visão de fundo a atual injustiça sobre os palestinos, e que é preciso dar uma solução para a questão palestina."

Lugar no mundo

A iniciativa brasileira tem como objetivo ganhar espaço entre os grandes atores globais e se tornar um mediador alternativo entre Estados Unidos e Europa para a questão israelense-palestina. E, com isso, ganhar visibilidade. Para Nasser, este é o intuito também de outras iniciativas dirigidas pela política externa brasileira ao ampliar o volume de sua ajuda humanitária e em projetos de cooperação técnica na África, por exemplo.

Uma das motivações seria finalmente conquistar o almejado assento no Conselho de Segurança da ONU. "Primeiro o Brasil tem de ocupar um lugar no mundo relativo às grandes questões. Depois a cadeira no Conselho de Segurança virá por si", avalia o especialista, ressaltando, porém, que a grande barreira atualmente é a grande resistência dos atuais membros permanentes em aceitar mais um no grupo.

O cientista político Alcides Vaz, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, lembra que a capacidade de influência do Brasil neste contexto é bastante limitada. Mas manter a ousada decisão de apoiar o reconhecimento do Estado Palestino é importante para marcar posição. "Com isso, o Brasil tenta manter suas credenciais como ator independente, sem necessariamente concordar com Estados Unidos ou Israel", afirma Vaz.

Confiltos sangrentos entre judeus e palestinos são frequentes

Confiltos sangrentos entre judeus e palestinos são frequentes

Relações comerciais

O cientista político chama a atenção ainda para as possibilidades comerciais abertas pelo Brasil ao virar sua atenção para os palestinos e ao mundo árabe. Segundo o Itamaraty, as relações econômicas entre Brasil e Palestina vêm crescendo. O intercâmbio comercial em 2011 – primeiro ano de registro – foi de 15,8 milhões de dólares. E apenas no primeiro semestre deste ano já foram contabilizados 10,6 milhões de dólares. "O Acordo de Livre Comércio Mercosul-Palestina, firmado em 2011, possibilitará o fortalecimento dessas questões", afirma o comunicado do Itamaraty.

Nasser concorda que o potencial é grande e que o movimento de maior proximidade com o mundo árabe tem rendido frutos. Ele ressalta que as trocas comerciais entre o Brasil e os países do mundo árabe, sobretudo no Oriente Médio, quadruplicaram entre 2003 e 2009.

"Tanto do ponto de vista geopolítico quanto econômico, comercial, essa é uma aproximação que faz sentido, e que compõe essa estratégica de diversificação de nossas opções internacionais, especialmente diante da desaceleração do crescimento econômico na Europa e nos Estados Unidos", avalia Alcides Vaz. "E essa visita é uma confirmação disso."

Autora: Mariana Santos
Revisão: Roselaine Wandscheer

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